DOTA: Dragon´s Blood T.3

A abordagem narrativa nesta temporada ficou aquém das minhas expectativas, sobretudo pelo facto de entrar numa redundância que pouco acrescenta à aventura dos nossos heróis. Adicionalmente, cria alguma dificuldade em abordar os eventos que ocorrem sem partilhar detalhes críticos. Digamos que o caminho seguido assenta na criação de um universo alternativo, por parte de The Invoker, com o intuito de garantir a a sobrevivência da sua filha, Filomena.

Slyrak é derrotado por Terrorblade, que colhe mais uma alma para aumentar o seu poder. Luna e a legião Dark Moon são forçados a retirar, dado que se encontram enfraquecidos após o aprisionamento de Selemene. Davion e Bran descobrem que os dragões estão a convergir para Broken’s Peak, com o objetivo de atacar o castelo de The Invoker.

Após uma violenta batalha, é forjada uma aliança entre The Invoker e Mirana, com Davion a receber novamente a alma dos dragões. Adicionalmente, Fymryn assume o poder de Selemen, após a mesma recusar-se a ser uma deusa mais focada nas necessidades dos seus adoradores.

O momento mais marcante ocorre no segundo episódio desta temporada, em que temos uma gigantesca batalha em Foulfell, com o sacrifício de um dos nossos heróis, permitindo que The Invoker crie uma realidade alternativa, em que Filomena e Selemene estão vivas. Por motivos que serão desvendados mais tarde, Mirana é a única que manteve as memórias do passado, dando início a uma missão que visa reverter os efeitos desta mudança.

Filomena é uma das personagens fulcrais desta temporada, que vai desenvolver o arco narrativo associado a Mirana. Temos igualmente várias cenas de ação e uma realidade bem distinta para alguns dos nossos heróis, que foram “manipulados” pelas ações de The Invoker.

Confesso que não sou fã desta visão narrativa, embora reconheça que está repleta de ação e contém alguns momentos memoráveis. A quarta temporada está ainda por confirmar mas deverá ser uma realidade em 2023.

October Faction

A Netflix tem investido imenso em adaptações dos comics, motivo pelo qual não foi surpreendente a aposta nesta obra de Steve Niles, que é publicada pela IDW. Ao longo de dez episódios, vamos conhecer a família Allen, que regressa a Barrington-on-Hudson após a morte de Samuel, o pai de Fred Allen.

Rapidamente somos confrontados com a realidade sobrenatural, assim como a identidade secreta de Fred e Deloris Allen, que são agentes do Presidio, uma organização secreta que tem como missão proteger a Humanidade dos Monstros. Os seus filhos, Geoff and Viv começam a manifestar poderes, algo que será desenvolvido ao longo da narrativa e que apresenta ligações a Alice Harlow, uma feiticeira obcecada pela destruição dos Allen.

Os primeiros episódios tentam humanizar as personagens, detalhando o seu passado obscuro e os principais receios. No entanto, a narrativa é fraca e falha em garantir o nosso investimento nos eventos que antecedem uma gigantesca batalha entre as duas facções. Contem com os habituais clichés, que pouco acrescentam ao produto final, convertendo October Faction numa série pouco memorável e que sou incapaz de recomendar.

Adicionalmente, a Netflix confirmou o cancelamento da segunda temporada, o que apenas reforça a opinião partilhada nos parágrafos anteriores. No entanto, se procuram algo simples, com alguma ação e que vos ajude a passar um fim de semana, October Faction pode ser a escolha acertada.

Star Trek: Picard T.3

A derradeira temporada de Picard explora uma temática incontornável deste universo, embora seja complexo abordar a narrativa sem partilhar spoilers. Na minha opinião, o ponto mais alto é o incrível fan-service, que inclui a presença de inúmeras personagens icónicas de The Next Generation, bem complementado com a introdução de novas personagens, mais especificamente o Capitão Liam Shaw, Vadic, Sidney Laforge e Jack Crusher.

Terry Matalas fez um excelente trabalho, criando uma narrativa coerente, repleta de emoção e nostalgia e que tem um desfecho satisfatório. Diria que este projeto tem como objetivo encerrar o arco inerente à tripulação da Enterprise e abrir novos horizontes para determinadas personagens.

Correm rumores de que teremos uma nova série, que irá concentrar-se nas aventuras de três das personagens de Picard (quando virem os episódios vão perceber), o que me deixa francamente entusiasmado. Outro ponto relevante é a incorporação de conceitos e raças que foram relevantes em DS9 e Voyager, criando uma viagem intensa e repleta de ação, que culmina numa gigantesca batalha espacial, nos derradeiros episódios.

No global, esta é a melhor temporada de Picard, embora tenha ficado desapontado por não terem dado seguimento ao teaser do Projeto Khan (temporada 2). Para quem é fã de Star Trek e tem acompanhado a evolução da franquia, este é sem dúvida um dos pontos altos dos últimos anos.