Star Trek: Picard T.3

A derradeira temporada de Picard explora uma temática incontornável deste universo, embora seja complexo abordar a narrativa sem partilhar spoilers. Na minha opinião, o ponto mais alto é o incrível fan-service, que inclui a presença de inúmeras personagens icónicas de The Next Generation, bem complementado com a introdução de novas personagens, mais especificamente o Capitão Liam Shaw, Vadic, Sidney Laforge e Jack Crusher.

Terry Matalas fez um excelente trabalho, criando uma narrativa coerente, repleta de emoção e nostalgia e que tem um desfecho satisfatório. Diria que este projeto tem como objetivo encerrar o arco inerente à tripulação da Enterprise e abrir novos horizontes para determinadas personagens.

Correm rumores de que teremos uma nova série, que irá concentrar-se nas aventuras de três das personagens de Picard (quando virem os episódios vão perceber), o que me deixa francamente entusiasmado. Outro ponto relevante é a incorporação de conceitos e raças que foram relevantes em DS9 e Voyager, criando uma viagem intensa e repleta de ação, que culmina numa gigantesca batalha espacial, nos derradeiros episódios.

No global, esta é a melhor temporada de Picard, embora tenha ficado desapontado por não terem dado seguimento ao teaser do Projeto Khan (temporada 2). Para quem é fã de Star Trek e tem acompanhado a evolução da franquia, este é sem dúvida um dos pontos altos dos últimos anos.

Star Trek: Picard T.2

Esta temporada arranca com uma viagem inesperada de Jean Luc rumo a uma anomalia espacial, onde se vai deparar com uma rainha Borg. Num impasse para evitar a assimilação, são transportados para um universo alternativo, em que a Federação tem uma visão xenófoba, focando-se na conquista da galáxia e eliminação de raças consideradas inferior. Após uma batalha feroz, acabam por resgatar uma rainha Borg, que se junta à equipa para uma viagem ao passado, de forma a corrigir a História e eliminar esta realidade alternativa.

O período temporal escolhido é 2024, mais especificamente Los Angeles, onde a equipa vai descobrir uma ligação à missão Europa e aos antepassados de Picard. Adicionalmente, ficamos mais tarde a saber que o responsável é o inevitável Q, com o intuito de proporcionar o derradeiro desafio a Jean Luc.

Ao longo dos dez episódios, vamos acompanhar as aventuras da equipa (Picard, Seven, Agnes, Raffi, Elnor e Rios), que necessita de reparar a nave La Sirena, garantir o sucesso da missão Europa e encontrar forma de derrotar Q. Apesar do fan service incrível, com a inclusão de Wesley Crusher, Guinan e Adam Soong, esta temporada tenta fazer demasiado, falhando em vários pontos da narrativa.

A introdução da personagem de Tallinn é interessante, assim como Renée Picard mas a narrativa torna-se previsível e assenta exageradamente no passado de Picard. Confesso que gostei mais da primeira temporada, embora o factor nostalgia seja irresistível, mantendo o meu interesse em níveis aceitáveis.

O episódio final é interessante, culminando numa aliança improvável e que lança uma premissa curiosa para o futuro da série. Adicionalmente, temos uma menção clara ao “Projeto Khan”, apesar de não termos qualquer confirmação de que venha a fazer parte da narrativa para a terceira e derradeira temporada de Picard.

Star Trek: Picard T.1

Após a destruição do planeta Romulus, Picard resolve afastar-se da Starfleet e opta por se dedicar à produção de vinho, algo que foi sugerido com alguma regularidade em TNG. A sua vida pacata vai acabar por ser interrompida após conhecer uma jovem, de nome Dahj, que aparenta ser uma forma de vida sintética, algo que foi banido há muito tempo, após um incidente no Planeta Marte.

Diria que a premissa principal desta temporada é a oportunidade de redenção de Picard, que nunca ultrapassou a morte de Data. Torna-se complexo abordar esta série sem expor demasiado a narrativa mas posso adiantar que existe uma ligação entre Dahj, Soji e Data, que criará as condições necessárias para que Jean Luc forme a sua equipa e rume a um Cubo Borg, controlado pelos Romulanos.

Ao longo dos dez episódios, vamos conhecer a história da tripulação (Dra Jurati, Elnor, Raffi e Rios), assim como o seu passado e motivações para embarcar numa aparente missão suicida. Sou um fã do universo Star Trek e aprecio os contornos mais “obscuros” da Starfleet mas esta primeira temporada acaba por ficar aquém das minhas expectativas.

As personagens, com excepção de Rios e Picard, têm pouca profundidade e são desenvolvidas de forma altamente superficial, o que nos impede de criar uma relação com as mesmas. No espectro oposto, os “vilões romulanos” estão bem conseguidos, o que permite desenvolver a narrativa e criar interesse pela batalha que irá ocorrer no derradeiro episódio. Aliás, salientaria que esta ambiguidade é um denominador comum da série, o que por vezes consegue ser bastante penalizador para a continuidade da narrativa.

A presença de Seven of Nine, Riker e Troi é fundamental nesta temporada, funcionando quase como uma âncora para Picard, que é uma sombra do Capitão que conhecemos. Os últimos três episódios são francamente bons, apesar de não ser apologista do desfecho escolhido para esta primeira temporada.

Para terminar, convido-vos a partilhar a vossa opinião acerca de Star Trek: Picard, que tem efetivamente potencial para ser um projeto de referência mas que necessita, em primeiro lugar, de encontrar a sua identidade no Universo criado por Eugene Wesley Roddenberry.