Legends of Tomorrow T.4

Após a derrota de Mallus, a equipa passa por um curto período de sucesso, que os coloca num patamar distinto junto do Time Bureau. No entanto, e ao bom estilo de Legends, são informados por Constantine de uma ameaça mágica que promete alterar a História como a conhecemos. O primeiro episódio transporta-nos para Woodstock e envolve unicórnios, mantendo a habitual componente humorística que caracteriza a série.

No que diz respeito à equipa, contamos com a adição de Constantine, Charlie e um papel mais activo de Gary. Vão existir alterações na dinâmica, sobretudo nas personagens de Hank e Ray Palmer mas no global a narrativa garante entretenimento, lançando uma premissa muito interessante para a quinta temporada.

A introdução da magia no quotidiano diário permite aos argumentistas uma liberdade quase completa, que é bem visível nos episódios de Salem, Londres, Paris e México. Saliento que, na minha opinião, esta é uma série muito específica, que vive no limiar da “loucura” narrativa e que obedece a poucas regras. Por esse motivo, vai apelar a um público alvo que privilegie o entretenimento e não tenha expectativas elevadas em termos de complexidade do enredo.

Se foram fãs das temporadas anteriores, diria que vão gostar do ritmo frenético e do humor constante que vai continuar a definir Legends of Tomorrow. Para os restantes, diria que é uma série que devem evitar, dado que não vai acrescentar nada ao universo da DC criado pela CW.

Obi-Wan Kenobi

The Mandalorian é sem dúvida a melhor série que o universo Star Wars produziu mas o potencial de Obi Wan é inquestionável, o que me deixou francamente entusiasmado com este projeto. A narrativa decorre uma década após os eventos de Revenge of the Sith e nove anos antes de A New Hope, retratando a nova era do Império, em que a Ordem Jedi foi derrotada e se encontra à beira da extinção.

Os poucos sobreviventes tentam escapar aos Inquisitors, uma força criada para caçar e eliminar os Jedi, algo que é introduzido no primeiro episódio. Uma boa parte da ação decorre em Tatooine, em que assistimos ao quotidiano diário de Obi-Wan, que aparenta ter sido quebrado pelos eventos pós Ordem 66. O outrora poderoso Mestre abdicou da Força, precisamente para preservar o seu anonimato e garantir a segurança de Luke Skywalker, que se encontra a viver com os seus tios.

Como é habitual, vou evitar os detalhes mas posso adiantar que a narrativa principal consiste numa missão de salvamento, em que Obi-Wan se vê forçado a resgatar Leia, que foi raptada por Reva Sevander, um membro dos Inquisitors que tem uma obsessão por  Kenobi. Adicionalmente, temos algumas cenas em Mustafar, em que vemos Darth Vader no seu reduto, com o respetivo enquadramento histórico dos eventos. A utilização da voz de James Earl Jones confere a quantidade precisa de nostalgia, que nos transporta no passado e funciona bem com a ligação realizada nestes seis episódios.

Existem obviamente algumas decisões com as quais não concordo, mas no global apreciei a (re)introdução de Obi Wan. A humanização da sua personagem está bem conseguida, sendo visível a dor que transporta pela morte de Anakin. A cena em que toma conhecimento que Vader e Anakin são a mesma pessoa está repleta de carga dramática, sendo um dos pontos mais altos desta série.

A interpretação de Vivien Lyra Blair como Leia é muito positiva, permitindo-nos ter mais contexto acerca da sua juventude e a inevitável ligação com Obi-Wan, que será tão relevante em A New Hope. Moses Ingram (Reva) é igualmente uma personagem relevante desta narrativa, com uma história peculiar e que será partilhada ao longo deste seis episódios.

Darth Vader é retratado como impiedoso, embora mantenha a vingança como motivação principal, algo que será explorado e levará a dois encontros com Kenobi. Nota de destaque para a química entre Ewan McGregor e Hayden Christensen, que ajuda a elevar a carga dramática da série, que apesar de ter as suas falhas, é uma experiência agradável para os fãs da trilogia original.

O ritmo da série sofre um pouco face à sua curta duração, mas consegue introduzir personagens relevantes e que moldam o regresso de Obi-Wan Kenobi enquanto Mestre Jedi. Caso pretendam abordar pontos mais específicos da série, convido-vos a utilizar a caixa de comentários.

Termino apenas com a minha recomendação para esta série, que conciliou nostalgia, ação e narrativa de forma muito competente.

Guardians of the Galaxy T.3

A terceira temporada começa com uma viagem à Terra, combinando um episódio em que temos um crossover com Spider-Man, Carnage e Thanos. Após a derrota do Mad Titan, temos alguns episódios focados em Sam Alexander (Nova), que irão explicar a sua origem e o destino do seu Pai, que se encontra desaparecido há anos.

Antes de entrarmos num dos principais arcos narrativos desta temporadas, temos alguns episódios em que vamos acompanhar a vida pós Guardiões da Galáxia. Essencialmente, após a captura de Thanos, a equipa separa-se e opta por gastar os valores da recompensa que recebeu. Existe uma componente humorística elevada, em que assistimos ao esbanjar dos créditos adquiridos, com destaque para Drax e Peter Quill.

A partir do décimo episódio, temos o regresso de The Collector, num plano ambicioso de vingança que envolve Howard the Duck e a Kree Accuser Phyla-Vell.  Os nossos heróis vão ser acusados de roubar um artefacto Kree, acabando por ser aprisionados em Monolith of Justice, que é da responsabilidade da Dra Minerva.

Esta instalação de máxima segurança requer todo o génio de Rocket para elaborar o plano perfeito de fuga. Escusado será dizer que The Collector vai sentir a fúria de Rocket, Groot, Star Lord, Gamora e Drax, numa missão que terá um final inesperado. O artefacto furtado é um gerador de buraco negro, que permite comprimir mundos numa pequena esfera, originando uma improvável cadeia de eventos que força a equipa a utilizar o Black Vortex, um espelho que alberga uma realidade paralela.

Os episódios associados a este arco narrativo são repletos de humor e com várias referências e homenagens a temas específicos. Após uma batalha épica contra a entidade que habita o Black Vortex, a equipa regressa ao seu universo, que mudou consideravelmente. Hala está repleta de referências aos Guardiões e ao seu sacrifício pela segurança da galáxia. No entanto, os nossos heróis rapidamente constatam que algo está diferente, dado que o planeta encontra-se subjugado por um sistema autoritário e controlador da Nova Corps.

Torna-se complicado falar sobre esta temporada sem revelar spoilers narrativos mas existe uma invasão, ao bom estilo Kree, de uma nova raça que também consegue criar clones. Ficamos a saber que esta ameaça já atingiu o Conselho Intergaláctico e Asgard. Thor vê-se forçado a enviar Valkyrie numa missão conjunta com os Guardiões da Galáxia, que terão um papel fundamental nesta batalha contra os poderosos inimigos.

Os derradeiros episódios inserem um grau de dificuldade adicional, mais especificamente o irmão de Odin, The Serpent, que é o verdadeiro responsável por esta invasão. Quando o caos e a destruição tomam conta de Asgard e tudo parece perdido, resta aos Guardiões solicitar apoio junto dos Avengers e estabelecer uma derradeira e improvável aliança com Yondu, Nebula Loki e Thanos . A equipa tem necessidade de confrontar Hela, no reino de Niffleheim e forjar uma vez mais a Dragonfang, uma espada com o poder de derrotar The Serpent e restabelecer o equilíbrio no Universo. 

Confesso que esta é provavelmente a temporada mais divertida, bem complementada por ameaças cósmicas de alto nível. Apesar do sentido de urgência, a equipa continua a lidar de forma humorística com qualquer cenário de destruição, dando sempre a entender que o improviso é efetivamente o plano constante dos Guardiões da Galáxia.