Raised by Wolves T.1

Ridley Scott é o produtor desta narrativa, que nos apresenta um futuro distópico, em que dois andróides são encarregues de criar e educar um grupo de crianças, que irão ser o futuro da Humanidade. Falar sem spoilers sobre esta série é complicado, mas vou fazer o meu melhor nos parágrafos que se seguem.

Ao longo desta temporada, tomamos conhecimento do destino do Planeta Terra, que foi abandonado por uma fação religiosa, que venera o Deus Sol. Adicionalmente, no lado oposto, temos  um grupo de ateus, que acabam por conseguir infiltrar-se na Arca, por motivos que iremos conhecer mais para o final destes primeiros dez episódios.

Existem inúmeras muitas surpresas na narrativas, sobretudo no que diz respeito a comportamento das principais personagens. A narrativa está igualmente repleta de ideologias opostas, em termos de crenças religiosas e existenciais, assim como de hábitos alimentares e respeito pelo ecossistema.

Para mim, o facto mais curioso é a relação dos andróides para com as crianças, sempre numa perspectiva de preservação e evolução enquanto espécie.  É evidente que estou a omitir deliberadamente vários pontos relevantes, mas diria que os últimos quatro episódios criam uma reviravolta gigantesca no rumo da narrativa, abrindo caminho para certos eventos que vão certamente ser fundamentais na segunda temporada, que deverá estrear em setembro de 2021.

Raised by Wolves não é uma série consensual, mas tem potencial para se converter numa referência do género de sci-fi, precisamente porque debate temas relevantes, que (por acaso) estão contidos numa narrativa de um futuro distópico.

The Mandalorian T.2

A primeira temporada foi uma extraordinária surpresa, elevando a fasquia e a exigência dos fãs. Jon Favreau e Dave Filoni aceitaram o desafio e criaram uma segunda temporada que conseguiu superar todas as minhas expectativas.

O primeiro episódio coloca o nosso bounty hunter preferido numa batalha (épica) contra um Krayt Dragon, que culmina na obtenção de um item que moldará os eventos futuros da narrativa. Sem colocar spoilers, posso adiantar que a Razor Crest vai sofrer imenso nos episódios seguintes, especialmente numa missão em que Din Djarin terá de garantir a sobrevivência dos descendentes de Frog Lady.

A interligação entre as diversas séries do universo Star Wars continua a ser uma realidade, com a participação de Bo-Katan e Ahsoka Tano, para além de outros, que vou manter no anonimato. Tomamos igualmente conhecimento que Moff Gideon pretende estudar o sangue de The Child, alegadamente pelas suas propriedades únicas e a contagem rara de midi-chlorians que ostenta.

Ahsoka consegue estabelecer uma ligação à Força com a criança, revelando que o seu nome é Grogu e instrui Mando a deslocar-se ao tempo Jedi de Tython, para que possa encontrar um mestre disposto a treiná-lo. É nesta fase que uma série de eventos culmina numa batalha entre as forças de Gideon e Mando, que irá contar com a preciosa (e inesperada) ajuda de dois aliados poderosos.

Grogu acaba por ser raptado pelos Dark Troopers, uma unidade especial de dróides criados pelo Dr. Pershing e que são praticamente indestrutíveis. Os dois derradeiros episódios desta temporada abordam a preparação da missão de resgate, em que Mando recruta a ajuda de Bo-Katan, Koska Reeves, Cara Dune e os dois aliados que referi anteriormente.

Após um confronto brutal a bordo do cruzador imperial, os nossos heróis conseguem prevalecer, graças a uma ajuda inesperada, que muito possivelmente conclui o arco narrativo que envolve Grogu. A temporada termina num impasse, mas com claros indícios que irá focar-se na recuperação do planeta Mandalore. Confesso que gostaria imenso que o caminho seguido envolvesse a Death Watch e alguns dos eventos que ocorrem em Clone Wars.

Esta série é, sem dúvida, uma lufada de ar fresco, trazendo de volta a emoção ao universo Star Wars, após duas trilogias menos conseguidas. À data, temos confirmação de que a terceira temporada estreia em dezembro de 2021, embora estejam planeados inúmeros projectos para os próximos anos.

Mythic Quest: Raven´s Banquet T.1

Com o upgrade ao meu telemóvel, surgiu a oportunidade de testar gratuitamente o serviço de stream Apple TV+. Começo por salientar que a oferta disponível é extremamente limitada, sobretudo se compararmos com Netflix e Amazon Prime Video mas resolvi investir o meu tempo em Mythic Quest, que tem recebido feedback bastante positivo.

Sendo um produto Apple, não há muito espaço para o politicamente incorreto mas fiquei agradavelmente surpreendido com a primeira temporada. Ao longo dos nove episódios vamos conhecer o estúdio responsável pela criação do MMO mais popular do momento, com muito humor e sátira à mistura.

Ian é o criador e responsável criativo de Mythic Quest e a sua excentricidade é uma constante ao longo da narrativa. David é o produtor executivo, que tenta desesperadamente controlar o caos diário e evitar que Poppy Lee, a designer, tenha um colapso nervoso. Para tal, conta com a sua assistente sociopata, Jo, que parece estar mais interessada em cair nas boas graças de Ian.

A equipa conta ainda com Brad, o maquiavélico responsável financeiro, C.W. Longbottom, o argumentista obcecado em criar a história perfeita e Rachel e Dana, as gamers que realizam todos os testes e reportam os bugs.

A relação disfuncional de Mythic Quest é testada diariamente, com crises que envolvem bugs no jogo, monetização de DLC e o constante escrutínio de Pootie Shoe, um streamer influente. Os derradeiros episódios são verdadeiramente épicos, culminando numa batalha pelo controlo criativo de Mythic Quest.

Recomendo vivamente esta série, que tem um público alvo específico mas que me parece ser do agrado da maioria dos leitores deste blog. A segunda temporada está confirmada e deverá ser lançada no início de 2021.