The Gorge

Nos últimos meses tenho investido muito tempo na Apple+, mais especificamente em séries, mas tenho visto alguns dos filmes mais divulgados pela plataforma. Este projecto é realizado por Scott Derrickson e conta com um elenco em que se destacam os nomes de Milles Teller, Anya Taylor-Joy e Sigourney Weaver. A premissa é interessante, focando-se numa zona não identificada no planeta Terra, que requer a presença de militares de elite, para garantir a defesa de duas torres que delimitam a fronteira entre a Humanidade e algo que é apelidado de The Hollow Men.

O primeiro acto introduz as personagens principais (Levi e Drasa), dois snippers que lidam com o que pode ser considerado síndrome traumático de stress. Ambos são recrutados para patrulhar e defender um desfiladeiro isolado (Gorge), com a ajuda de mina terrestres, drones e torres automáticas. A missão tem a duração de um ano, não sendo permitido qualquer contacto com o operativo que se encontra na torre oposta. A narrativa vai explorar o mistério inerente à ameaça, assim como a relação que vai ser criada entre ambos.

Apesar de ser um filme com muita acção, The Gorge foca-se igualmente na relação entre os dois protagonistas, tentando humanizá-los com flashbacks e pequenos momentos que visam quebrar a solidão inerente à sua profissão. Confesso que esperava mais, sobretudo tendo em conta o elenco escolhido. Na minha opinião, estamos perante um filme mediano, que pouco ou nada acrescenta ao género.

O terceiro acto está repleto de cenas de ação e revela por completo o mistério, levando a uma luta pela sobrevivência de Levi e Drasa. Se procuram o típico filme pipoca, diria que esta é uma boa escolha. A premissa é muito interessante, mas, no final, The Gorge acaba por cair nos clichés do género, o que diminui substancialmente o meu nível de satisfação para com este projecto.

Caso tenham visto este filme, convido-vos a partilhar o feedback e iniciar um debate construtivo.

Mediano
65%

Argylle

O mais recente projecto de Matthew Vaughn é essencialmente um filme de espionagem, com uma forte componente de humor. A premissa centra-se em Elly Conway, uma escritora bastante reservada, que criou Argylle, um super-espião que faz as delícias dos seus fãs.

O primeiro acto contém uma cena de ação épica, que decorre num comboio, onde somos introduzidos a Aidan Wilde, um espião que protege Elly de uma tentativa de rapto. Ficamos a saber que The Division, uma organização secreta, pretende recrutar os seus serviços, no sentido de localizar um ficheiro que contém informação sensível. O mais extraordinário é o facto dos seus livros detalharem informação absolutamente real, o que adensa o mistério.

Este filme, conforme referi, é uma comédia, que não se leva muito a sério, combinando cenas de ação com humor constante. A relação entre os dois protagonistas é o clássico amor-ódio, que acaba por sofrer alguns twists, ao longo dos 139 minutos. O elenco conta com nomes sonantes, tais como Henry Cavill, Bryce Dallas Howard, Sam Rockwell, Bryan Cranston, Catherine O’Hara, Dua Lipa, John Cena e Samuel L Jackson.

A narrativa é básica, embora se esforce em criar momentos imprevistos. Apesar de terem uma presença reduzida, Cavill e John Cena são hilariantes, acabando por ofuscar o duo principal, composto por Sam Rockwell e Bryce Howard. Está muito longe de ser algo memorável, mas garante entretenimento, sobretudo pelas cenas de ação, que chegam a roçar o ridículo.

Diria que o ponto mais negativo é a excessiva duração do segundo acto, que pouco contribui para o resultado final. Se procuram o típico filme pipoca, esta pode ser uma boa opção.

Mediano
64%

Witcher: Sirens of the Deep

A Netflix continua a apostar forte no universo de The Witcher. Desta feita, a escolha recaiu numa adaptação muito livre de A Little Sacrifice, da autoria de Andrzej Sapkowski.

A premissa é relativamente simples e transporta-nos para Bremervoord, a cidade natal de Jaskier. Geralt é contratado pelos pescadores para eliminar uma criatura marinha, mas depara-se com uma situação bem mais complexa, que vai suportar a narrativa desta aventura. Existe uma inspiração clara em a Pequena Sereia, numa alusão clara aos sacrifícios que o Amor requer.

Apesar do foco ser a relação impossível entre o principe Agloval e a princesa Sheenaz, existe espaço para a incontornável saga amorosa de Geralt e Yennefer, que está condenada a falhar, precisamente pela incapacidade de ambos cederem nas suas intenções. No entanto, temos a inclusão de Essi, uma barda que se vai converter no interesse amoroso de Geralt.

Adicionalmente, vamos tomar conhecimento do passado de Jaskier, numa clara tentativa de gerar empatia e explicar a sua animosidade para com um dos filhos ilegítimos do Rei. Como não podia deixar de ser, a ação está presente, com destaque para as batalhas com os Vodnik e com a vilã Melusina.

Saliento que a maior virtude desta aventura é a qualidade da animação, que fica a cargo do Studio Mir, Studio IAM, Platige Image e Hivemind. Destaque igualmente para o casting, que adiciona Doug Cockle (a voz dos videojogos), aos actores da série (Joey Batey e Anya Chalotra). numa decisão peculiar, que coloca ainda mais pressão sobre Liam Hemsworth.

Sirens of the Deep está longe de ser brilhante, mas é muito superior a Nightmare of the Wolf. A minha principal crítica vai para a narrativa simples e terrivelmente previsível, que acaba por impactar de forma negativa a experiência global do filme.

No entanto, é uma opção válida, sobretudo para quem é fã da obra de Sapkowski.

Bom
73%