Avatar Live Action T.1

A adaptação live-action da mítica série de animação já se encontra disponível em território nacional, através da Netflix. A minha relutância inicial dissipou-se a meio do primeiro episódio, ao constatar que o casting foi meticulosamente realizado, originando um produto final de qualidade e que é fiel ao seu material original.

O CGI consegue recriar as maravilhosas paisagens dos diversos reinos, com destaque para a Northern Water Tribe e Omashu. Para quem desconhece esta franquia, a premissa narrativa foca-se no Avatar, o único ser que é capaz de dominar os quatros elementos (Ar, Água, Terra e Fogo). Esta lógica mantém o equilíbrio entre as quatro nações, dado que o avatar vai reencarnando em tribos diferentes, a cada geração que passa. No entanto, Aang, o Avatar Airbender, fica congelado no gelo durante 100 anos, desencadeando uma série de eventos que elevam a Fire Nation para uma posição de domínio, sob a liderança do Fire Lord Ozai.

Esta primeira temporada serve de introdução para diversas personagens, com destaque para Katara e Sokka, dois jovens da Tribo de Água, que se vão converter em aliados de Aang, na sua luta para restabelecer o equilíbrio e devolver a paz a todos os reinos. Ficamos igualmente a conhecer o Principe Zuko, que tem a missão de localizar e destruir o Avatar. Lentamente, vamos obtendo informação adicional acerca das suas motivações, assim como a sua relação com o seu Tio, o General Iroh.

Sem relevar spoilers, existem arcos de redenção, que serão certamente explorados ao longos das próximas temporadas. Mas no imediato, diria que este projeto tem uma primeira temporada fabulosa, que me deixa entusiasmado para as muitas aventuras que se seguem. Destaque para o elenco, que conta com Gordon Cormier, Kiawentiio, Ian Ousley, Dallas Liu, Paul Sun-Hyung Lee, Ken Leung, e Daniel Dae Kim.

Fica a minha recomendação para uma série, que para além de ser fiel ao material original, tem a capacidade de angariar novos fãs, graças a uma narrativa forte e que assenta em personagens cativantes.

Avatar: The Last Airbender

Esta série de animação é, na minha opinião, um dos projetos mais fortes da Nickelodeon, em que, ao longo de três temporadas, acompanhamos as aventuras de Aang, o derradeiro Airbender.

O mundo em que a narrativa decorre tem uma clara influência asiática, em que é possível manipular de forma telepática os quatro elementos, numa clara alusão ás artes marciais chinesas. No entanto, apenas o Avatar consegue dominar os quatro elementos em simultâneo, sendo o responsável por manter a paz e criar uma ponte entre o mundo físico e espiritual.

A aventura começa na Tribo da Água, que encontra Aang congelado no gelo. Katara e Sokka são os jovens responsáveis por salvar o nosso herói e após algumas peripécias, formam uma parceria que será fundamental para o desfecho da série. Vamos igualmente conhecer Zuko, o principe exilado da Nação do Fogo, que é obcecado por encontrar o Avatar, a fim de restaurar a sua honra.

Há muita ação ao longo da história e Aang vai formando alianças e treinando o domínio dos quatro elementos, com o objetivo de derrotar o FireLord. Vão sendo introduzindo personagens, que serão relevantes na derradeira temporada, que é focada na luta entre a Nação do Fogo e as restantes, que foram conquistadas pela Princesa Azula e o seu Pai.

Como é habitual, estou a ser muito genérico, precisamente para evitar spoilers mas gostei imenso de The Last Airbender. O casting de voz é competente, a animação é fluida e o desenvolvimento de personagens é excelente, causando a empatia necessária para elevar esta série a um patamar muito elevado.

Há obviamente uma componente humorística e  uma simbiose entre a animação ocidental e oriental, que funciona de forma quase perfeita. Se procuram uma série de animação de qualidade, fica sem dúvida a recomendação. E, como sempre, endereço o convite para que partilhem o vosso feedback.

Avatar, The Last Airbender

M. Night Shyamalan é o realizador encarregue de transpor a famosa série americana para o cinema. O hype gerado pelo filme foi enorme, mas infelizmente os meus maiores receios foram confirmados: grande parte do enredo fica “esquecido” e o filme é dominado por efeitos especiais (que são excelentes BTW), desvirtuando por completo a obra de Michael Dante DiMartino.

O filme até começa relativamente bem, com uma pequena introdução ao Mundo dos Quatro Elementos mas rapidamente entramos num ritmo frenético, em que Aang tenta evitar a guerra e vencer a Nação do Fogo. Poucas explicações são fornecidas em termos de enredo, embora sejamos ocasionalmente presenteados com fragmentos do passado do nosso herói.

Faço uma pequena nota para informar que a partir desta fase vão começar os spoilers. O filme relata parte da viagem de Aang no sentido de se tornar no Avatar, o único ser capaz de controlar os 4 elementos. Apesar de ter sido o escolhido, o jovem herói não termina o seu treino e foge, permanecendo “congelado” durante cerca de 100 anos, após um acidente. Durante esse período a Nação do Fogo inicia uma violenta guerra e extermina todos os membros da Nação do Ar, na esperança de impedir o renascimento do Avatar. Como em qualquer boa história de animação, a Natureza encontra sempre forma de manter equilíbrio e Katara e Sokka vão ajudar o nosso herói na sua demanda.

Esta é essencialmente a premissa deste filme, que termina sensivelmente a meio da aventura. É evidente que teremos uma sequela, o que me deixa algo confuso em relação à abordagem de Shyamalan. Não faz sentido que o enredo seja direccionado a fãs da série, omitindo pontos importantes.  As receitas do filme ascendem neste momento a 129 milhões, o que prova a minha teoria.

Em suma, estamos perante um filme que não vai agradar à grande maioria dos cinéfilos, excepção feita a quem gosta da série animada. Vale essencialmente pelos efeitos especiais, dado que o 3D é muito fraco, para não variar. Aliás, esta “brincadeira” da ZON em cobrar 2 euros a mais pelo visionamento 3D é uma palhaçada… e só por si valeria um novo post!