Avatar Live Action T.1

A adaptação live-action da mítica série de animação já se encontra disponível em território nacional, através da Netflix. A minha relutância inicial dissipou-se a meio do primeiro episódio, ao constatar que o casting foi meticulosamente realizado, originando um produto final de qualidade e que é fiel ao seu material original.

O CGI consegue recriar as maravilhosas paisagens dos diversos reinos, com destaque para a Northern Water Tribe e Omashu. Para quem desconhece esta franquia, a premissa narrativa foca-se no Avatar, o único ser que é capaz de dominar os quatros elementos (Ar, Água, Terra e Fogo). Esta lógica mantém o equilíbrio entre as quatro nações, dado que o avatar vai reencarnando em tribos diferentes, a cada geração que passa. No entanto, Aang, o Avatar Airbender, fica congelado no gelo durante 100 anos, desencadeando uma série de eventos que elevam a Fire Nation para uma posição de domínio, sob a liderança do Fire Lord Ozai.

Esta primeira temporada serve de introdução para diversas personagens, com destaque para Katara e Sokka, dois jovens da Tribo de Água, que se vão converter em aliados de Aang, na sua luta para restabelecer o equilíbrio e devolver a paz a todos os reinos. Ficamos igualmente a conhecer o Principe Zuko, que tem a missão de localizar e destruir o Avatar. Lentamente, vamos obtendo informação adicional acerca das suas motivações, assim como a sua relação com o seu Tio, o General Iroh.

Sem relevar spoilers, existem arcos de redenção, que serão certamente explorados ao longos das próximas temporadas. Mas no imediato, diria que este projeto tem uma primeira temporada fabulosa, que me deixa entusiasmado para as muitas aventuras que se seguem. Destaque para o elenco, que conta com Gordon Cormier, Kiawentiio, Ian Ousley, Dallas Liu, Paul Sun-Hyung Lee, Ken Leung, e Daniel Dae Kim.

Fica a minha recomendação para uma série, que para além de ser fiel ao material original, tem a capacidade de angariar novos fãs, graças a uma narrativa forte e que assenta em personagens cativantes.

Avatar: The Way of Water

Há catorze anos atrás, James Cameron alterou a forma como encaramos o cinema, introduzindo o mundo dos Na’vi. O aspecto visual foi completamente inovador e o enredo embora interessante, estava repleto de similaridades com Pocahontas.

Foi necessário explicar muito tempo para termos o regresso da família Sully, que conta agora com seis elementos no seu seio. Resumidamente, a invasão da RDA em Pandora persiste, embora o clã Omatikaya, liderado por Jake, continue a resistir e a criar dificuldades ás forças humanas.

O aspecto visual é fantástico, demonstrando em pormenor as florestas densas do planeta, mas vai ainda mais longe, introduzindo as tribos do Mar, mais especificamente o clã Metkayina. Na minha opinião, o elemento mais fraco deste filme é a narrativa, que se foca essencialmente nas rebeldia dos filhos de Jake e Neytiri. Sem colocar spoilers, grande parte de The Way of Water foca-se na mudança de tribos, com a família Sully a ter de adaptar-se a uma nova realidade.

O Coronel Miles Quaritch repete o seu papel como vilão, embora num formato distinto, muito focado numa “missão de caça ao homem”.  James Cameron mantém a sua visão destrutiva da Humanidade, que persiste em explorar os recursos naturais de Pandora, sem qualquer respeito pelas tribos locais e perturbando o equilíbrio natural do ecossistema.

O elenco conta com nomes sonantes, tais como Sam Worthington, Zoe Saldaña, Stephen Lang, Cliff Curtis, Kate Winslet e Sigourney Weaver, que complementam a juventude no qual assenta a narrativa do filme. Pessoalmente, considero que a duração de 192 minutos é excessiva, com alguma repetição no terceiro acto, que representa a batalha entre os humanos e o clã Metkayina.

The Way of Water é deslumbrante a nível visual, mas volta a incorrer em alguns erros comuns ao primeiro filme. A narrativa tem alguns momentos violentos, com acontecimentos inesperados, embora seja complementada com decisões que nos fazem sentir compaixão num final feliz para os habitantes de Pandora.

Fica a recomendação, embora seja necessário aguardar até 25 dezembro de 2025 para termos acesso à terceira parte desta aventura.

Bom
85%

Avatar: The Last Airbender

Esta série de animação é, na minha opinião, um dos projetos mais fortes da Nickelodeon, em que, ao longo de três temporadas, acompanhamos as aventuras de Aang, o derradeiro Airbender.

O mundo em que a narrativa decorre tem uma clara influência asiática, em que é possível manipular de forma telepática os quatro elementos, numa clara alusão ás artes marciais chinesas. No entanto, apenas o Avatar consegue dominar os quatro elementos em simultâneo, sendo o responsável por manter a paz e criar uma ponte entre o mundo físico e espiritual.

A aventura começa na Tribo da Água, que encontra Aang congelado no gelo. Katara e Sokka são os jovens responsáveis por salvar o nosso herói e após algumas peripécias, formam uma parceria que será fundamental para o desfecho da série. Vamos igualmente conhecer Zuko, o principe exilado da Nação do Fogo, que é obcecado por encontrar o Avatar, a fim de restaurar a sua honra.

Há muita ação ao longo da história e Aang vai formando alianças e treinando o domínio dos quatro elementos, com o objetivo de derrotar o FireLord. Vão sendo introduzindo personagens, que serão relevantes na derradeira temporada, que é focada na luta entre a Nação do Fogo e as restantes, que foram conquistadas pela Princesa Azula e o seu Pai.

Como é habitual, estou a ser muito genérico, precisamente para evitar spoilers mas gostei imenso de The Last Airbender. O casting de voz é competente, a animação é fluida e o desenvolvimento de personagens é excelente, causando a empatia necessária para elevar esta série a um patamar muito elevado.

Há obviamente uma componente humorística e  uma simbiose entre a animação ocidental e oriental, que funciona de forma quase perfeita. Se procuram uma série de animação de qualidade, fica sem dúvida a recomendação. E, como sempre, endereço o convite para que partilhem o vosso feedback.