The Girl with All The Gifts

Num aparente futuro próximo, a Humanidade luta pela sobrevivência, em seguimento de um parasita fúngico que converte os infectados em zombies. O primeiro ato decorre numa instalação militar, em que jovens crianças estão a ser educadas nas mais diversas disciplinas. Ficamos igualmente a saber que os humanos utilizam um creme que inibe o seu odor, tornando-os invisíveis para os zombies.

As crianças são híbridos, que evoluíram num ventre humano, mantendo a capacidade de raciocínio lógico. A forma como são tratados pelo humanos é um dos pontos mais marcantes do filme, mas uma jovem, Melanie, converte-se na derradeira esperança, dado que consegue suprimir parcialmente a “fome” de consumir carne humana. Quando está prestes a ser dissecada, é resgatada por Helen Justineau, a sua professora, que a consegue retirar do complexo militar, que entretanto foi destruído por um ataque zombie.

No segundo ato acompanhamos a aventura de Melanie, Helen, a Dra Caroline Caldwell, o Sargento Eddie Parks e o soldado Kieran Gallagher. A sua missão passa por comunicar com a base e solicitar resgate, no sentido de criar uma vacina que possibilite a sobrevivência da raça humana. Como habitualmente, vou evitar os spoilers, mas quero destacar a narrativa, que é muito fluida e cria empatia com as personagens, que tomam decisões impossíveis com base num contexto único.

As interpretações estão bem conseguidas, com destaque para Gemma Artenton, Sennia Nanua e Paddy Considine. O desfecho final é igualmente fora da caixa, algo que me agrada e eleva este filme a uma experiência extremamente agradável e que recomendo. Esqueçam os conceitos pré-concebidos dos zombies e preparem-se para algo diferente e que, na minha opinião, é totalmente refrescante.

Bom
70%

Free Guy

Ready Player One foi uma das melhores leituras dos últimos anos, no entanto o filme ficou aquém das minhas expectativas. Esta introdução pode fazer pouco sentido, à primeira vista, mas Shawn Levy conseguiu criar um universo fantástico, que em certos momentos me fez lembrar alguns momentos épicos da obra de Ernest Cline.

Estamos perante uma comédia de ação, que nos transporta para um mundo digital, em que acompanhamos a vida de Guy, um bancário que descobre ser uma personagem de um MMO. Existem cenas hilariantes, associadas ao comportamento tóxico dos jogadores, assim como a completa desvalorização dos NPC.

A narrativa do “mundo real” assenta numa premissa básica: recuperar ficheiros que comprovem que Antwan Hovachelik, o CEO da Soonami, roubou o código fonte dum jogo que estava a ser desenvolvido por Millie Rusk e Walter McKey. Como é apanágio nestes artigos, vou evitar os spoilers, mas contem com muita ação over the top e inúmeros cameos, dos quais destaco Ninja, Dwayne Johnson, John Krasinski, Chris Evans, Lara Spencer, Alex Trebek e Tina Fey.

Ryan Reynolds é a escolha óbvia para Free Guy, sendo bem complementado por Taika Waititi e Lil Rel Howery.  A série de eventos que origina a criação de Blue Shirt Guy é sublime, garantindo ação e humor, que converte este filme numa experiência divertida e que recomendo sem hesitação.

Existem inúmeras referências a cultura pop e ao universo dos videojogos, mas que estão longe de retirar interesse a quem tiver menos conhecimento sobre estes tópicos. Na minha opinião, são 115 minutos de pura diversão, assentes numa narrativa simples mas que tem um final satisfatório.

Apesar de ainda não existir confirmação oficial, é bastante provável uma sequela, que retomará os eventos que ocorrem após a destruição de Free City.

Bom
75%

Supergirl T.3

A terceira temporada de Supergirl tem pontos muito positivos, tais como as World Killers, a Legion of Superheroes e a possibilidade de Brainiac poder ser o vilão da quarta temporada. No entanto, existem algumas decisões que, na minha opinião, condicionam o futuro da série e pouco acrescentam ao universo criado.

Sem colocar spoilers, preparem-se para algumas saídas no final desta temporada e mudanças profundas na relevância de algumas personagens. No que diz respeito à antagonista, a escolha para esta temporada foi perfeita, dado que Reign representa uma força incontrolável e que colocará o derradeiro desafio a Supergirl.

Vamos ter muito desenvolvimento de personagens, com o necessário acompanhamento dos seus desafios pessoais. Gostaria igualmente que tivessem explorado em pormenor o lore de Krypton e Argo City, mas optaram por seguir um caminho diferente (sem spoilers) que não teve o resultado final que ambicionava.

Considero no entanto que esta é a melhor temporada até ao momento, aliando acção, narrativa e mistério de forma muito competente. Existe a preocupação de humanizar Kara mas os desafios pessoais de Lena Luthor, Jimmy Olsen e a tragédia familiar de J´onn consegue criar empatia no espectador.

A Legion of Superheroes foi uma novidade interessante, embora terrivelmente mal explorada, servindo apenas para justificar o regresso de Mon-El, que acaba por ser um elemento relevante no desfecho da batalha com Reign.

Em conclusão, recomendo que invistam o vosso tempo nesta série, que melhora drasticamente face à temporada anterior e lança algumas possibilidades interessantes para o futuro.