The Spectacular Spider-Man

As últimas décadas estão repletas de séries de animação com qualidade acima da média. No que diz respeito a Spider-Man, esta é sem dúvida uma das minhas preferidas. Baseado no conteúdo criado por Stan Lee, Steve Ditko e John Romita Sr., esta adaptação de Greg Weisman e Victor Cook narra o quotidiano diário de Peter Parker, na Midtown Manhattan Magnet High School.

Os episódios iniciais da primeira temporada estão claramente direccionados para o desenvolvimento de personagens como Aunt May, Flash Thompson, Gwen Stacy e Harry Osborn. Paralelamente, Peter vai começando a lidar com os seus novos poderes, optando por tornar-se fotógrafo freelancer no Daily Bugle, que é gerido por J. Jonah Jameson, um editor obcecado em descobrir a identidade secreta do jovem super-herói.

No que diz respeito a vilões, contem inicialmente, com aparições de The Enforcers, Chameleon, Vulture, Electro, Doctor Octopus, Sandman e Rhino, que trabalham para o sindicato do crime, liderado pelo misterioso Tombstone. O seu braço direito é Hammerhead, que recorre à Oscorp Industries para distribuir super habilidades  a vários dos elementos da lista acima indicada, com o objetivo de distrair o nosso herói dos seus verdadeiros planos.

Peter e Gwen vão trabalhar como assistentes de laboratório para a universidade de Empire State, com o objetivo de auxiliar o Dr Curt Connors, criando o arco narrativo associado a Lizard. O seu braço direito é Eddie Brock, amigo de infância de Peter, que será igualmente relevante, sobretudo na segunda temporada, com a ligação ao simbionte Venom.

O que mais aprecio nesta série é a constante dificuldade de Peter em lidar com a sua vida pessoal, sendo sistematicamente forçado a dar prioridade à sua vida secreta, o que afeta profundamente a sua relação pessoal com Gwen Stacy e mais tarde, Liz Allan e Mary Jane.

Apesar da segunda temporada ser focada na batalha entre Spider-Man e Venom, temos a inserção de personagens como Captain Jupiter e Kraven, o meu vilão preferido. Black Cat regressa igualmente, para um episódio relevante, que irá lançar a premissa para os derradeiros episódios, que vão opor todas as facções criminosas ao nosso jovem herói.

The Spectacular Spider-Man é uma excelente série de animação, que retira muita inspiração da BD e que conta com uma excelente escolha de vozes. Infelizmente, a terceira temporada foi cancelada, por questões legais entre a Sony e a Disney. Mantenho no entanto a minha recomendação, dado que existe uma conclusão para a narrativa, apesar de terminar nalguns impasses, sobretudo no que diz respeito ao Green Goblin e a relação amorosa de Peter.

Silver Surfer Black

Donny Cates tem feito um trabalho incrível a nível criativo, com elevado foco no Universo Cósmico da Marvel. Como tal, e na minha opinião, nada podia ser mais apropriado do que confiar-lhe a narrativa que explica precisamente essa origem.

As primeiras páginas recordam os eventos que transformaram Norrin Radd para sempre, convertendo-o no arauto de Galactus. Rapidamente, a narrativa volta ao presente, com a luta pela sobrevivência de diversos heróis cósmicos, que foram absorvidos por um buraco negro, da autoria da Black Order. Silver Surfer usa o seu poder cósmico para abrir uma fenda no espaço/tempo, conseguindo salvar vários desses heróis.

As suas ações não o impedem de sucumbir ao abismo, por onde vagueia durante período indeterminado. Eventualmente, o seu poder regenerativo permite-lhe recuperar a forma corpórea, constatando que regrediu milhões de anos no passado, numa era em que as estrelas ainda estão a nascer.

No limiar do Universo, encontra um planeta, repleto de escuridão e morte, onde é atacado por uma série de guardiões. Apesar de debilitado, acaba por derrotar os atacantes, invocando a luz de uma estrela. Toda a escuridão do planeta é consumida, revelando rios, montanhas e um ecossistema rico, mas rapidamente se forma um portal, que projeta o nosso herói para a presença de Knull, o Deus dos Symbiotes (sim, simbiontes como Venom e Carnage).

Como é evidente, Knull pretende absorver a luz de Silver Surfer, convertendo-o num dos seus guerreiros. A batalha é relativamente curta e graças a uma manobra de diversão, o nosso herói consegue fugir, tendo perfeita noção que se encontra demasiado debilitado para conseguir emergir como vencedor.

As páginas seguintes ilustram o cruzar de caminho com Ego, o planeta vivo, numa Era em que ainda é benigno, sendo fundamental a sua intervenção para o desfecho da narrativa. Há um constante desafio ás convicções de Silver Surfer, que, apesar da possibilidade de anular a sua ligação a Galactus, opta por aceitar a necessidade de equilíbrio cósmico.

Existem batalhas que nunca poderão ser ganhas mas é fundamental manter a esperança e combater a escuridão com a luz. Essa é a premissa fundamental desta narrativa, que termina com um momento extraordinário, que envolve a criação de Zenn-La e a redenção de Silver Surfer enquanto agente da morte.

Fica a promessa de manter o desfecho final em segredo, mas recomendo vivamente que adquiram a edição Treasury desta saga de cinco capítulos.

Estamos, sem dúvida, perante uma obra de referência de Donny Cates, que é complementada com a extraordinária arte gráfica de Tradd Moore e a deslumbrante palete de cor de Dave Stewart.

Falcon and The Winter Soldier

A Marvel continua a expandir o seu Universo, apostando em séries, que, na minha opinião, irão complementar os filmes da quarta fase da MCU. Falcon and the Winter Soldier retira alguma inspiração da BD, mas explora a realidade pós-blip, em que o Mundo tenta lidar com o regresso de milhões de pessoas.

Gostei particularmente da abordagem, que levanta temas controversos e atuais, tais como o racismo, a xenofobia e a ténue linha que separa os heróis dos vilões. Ao longo de sete episódios, acompanhamos a evolução de Bucky, que tenta fechar o capítulo do Winter Soldier, ao confrontar os familiares das suas vítimas.

Sam opta por recusar a “pesada herança” de Steve Rogers, para se focar na sua vida pessoal mas rapidamente constata que a decis?o teve contornos inesperados. Contem com o aparecimento de um novo Capitão América, uma parceria imprevista com o Barão Zemo e uma visita à mítica Madripoor, onde Bucky e Sam irão encontrar uma antiga parceira de aventura.

As cenas de acção estão excepcionalmente bem coreografadas mas é a narrativa que cativa, com a adição constante de novas variáveis, que lançam uma série de opções para Secret Invasion e Capitão America 4. Para os entusiastas das histórias originais da BD, existem igualmente muitas referências, com destaque para Power Broker, Isaiah Bradley, US Agent e La Contessa Valentina Allegra de la Fontaine.

Destaco igualmente as ligações a Wakanda, com (nova) menção a White Wolf, algo que poderá, ou não, vir a ser explorado na sequela de Black Panther. Falcon and The Winter Soldier tem o selo de qualidade da Marvel e lança premissas interessantes para inúmeros projetos futuros, voltando a reforçar a importância da MCU na cultura pop do século XXI.