See T.1

A Apple tem lançado na sua plataforma de stream alguns conteúdos francamente interessantes. O mais recente projeto é See, que decorre num futuro distante, em que um evento desconhecido retirou a visão aos humanos. A narrativa inicia numa pequena aldeia, em que Baba Voss, o líder dos Alkenny, contrai matrimónio com Maghra, uma estranha que pede asilo.

Para complicar ainda mais a situação, Maghra está grávida de gémeos quando integra a tribo, situação prontamente aceite por Baba Voss, que tem sido incapaz de garantir a sua linhagem reprodutiva. Os gémeos nascem e recebem o nome de Kofun e Haniwa, sendo igualmente estabelecido que o seu Pai é Jerlamarel, algo que será muito relevante para o resto da narrativa.

Rapidamente se confirma que os gémeos têm o poder da visão, o que leva a Rainha Kane, do reino de Payan, a enviar o seu Witch Hunter para capturar as crianças. A primeira temporada foca-se no crescimento de Kofun e Haniwa, que atingem a idade adulta, altura em que são convidadas a conhecer o seu pai Jerlamarel, que tem planos específicos para reerguer a sociedade humana.

See é claramente uma série violenta, o que é invulgar no serviço de stream da Apple, mas tem muita qualidade e recebe o meu selo de aprovação.

A narrativa é interessante e consegue apresentar um bom equilíbrio entre ação e história, terminando num impasse curioso, que levanta uma premissa imprevista para a segunda temporada, que deverá estrear no dia 1 novembro de 2021.

Dito isto, se procuram algo diferente e que combine narrativa e ação, esta é uma série a não perder.

Aquaman

Os mais recentes projetos da DC foram bastante decepcionantes, com excepção de Wonder Woman, que aliou narrativa, desenvolvimento de personagens a um casting de qualidade. Essas premissas foram mantidas em Aquaman e o resultado é francamente positivo, algo que parecia impensável há cerca de um ano atrás, aquando da estreia de Justice League.

Vamos acompanhar a história de Arthur Curry, filho da Rainha Atlanna e de um humano, que terá a dura tarefa de evitar a guerra entre a Humanidade e os reinos de Atlântida. Para tal, vai necessitar de localizar o Tridente de Atlan, que lhe permitirá dominar todas as criaturas marinhas e unificar os vários reinos.

O primeiro acto é francamente interessante, com destaque para a interpretação de Nicole Kidman, que confere um dinamismo e sentido de grandiosidade em todas as cenas em que participa. Vamos igualmente conhecer Atlântida, mais concretamente a Princesa Mera e o Rei Orm, irmão de Arthur, que tem motivações muito específicas para detestar a Humanidade.

Aquaman tem uma entrada triunfante, com uma cena inicial no submarino, que consegue ser épica e apresentar-nos a génese da criação de Black Manta, um dos seus arqui-inimigos. As cenas de CGI estão espectaculares, conferindo um sentido de escala significativo ao Reino de Atlântida, assim como as coreografias de luta, que são de altíssimo nível.

A narrativa leva os nossos heróis a locais remotos, dos quais destaco Malta e a Fossa das Marianas, onde se localiza o tridente. Ao longo das quase duas horas e meia de filme existe a preocupação de contar uma história, sem esquecer o humor, o que contribui decididamente para que Aquaman seja o (segundo) melhor filme da DC.

O casting foi igualmente muito bem conseguido, apresentando um vilão convincente (Patrick Wilson), duas personagens secundárias altamente relevantes (Dolph Lungdren e Willem Dafoe) e uma química extraordinária entre Jason Momoa e Amber Heard.

Aquaman foi uma excelente forma de terminar o ano de 2018, fazendo crer que a DC pode ter franchises de qualidade, desde que seja exigente nos seus padrões. E agora sim, estou entusiasmado com o potencial da DC em termos cinematográficos.