The Magnificent 7

Foi apenas há alguns dias atrás que tive oportunidade de finalmente ver o remake de um clássico dos anos 60, que por sua vez, é baseado na obra de Akira Kurosawa. Os Sete Magníficos conta-nos a história de Chisolm, um oficial da justiça que é contratado para libertar a cidade de Rose Creek do jugo de Bartholomew Bogue, um capitalista sedento de poder e riqueza.

Esta batalha épica vai requerer ajuda externa, sendo necessário recrutar alguns elementos. As escolhas recaem em Faraday (um jogador compulsivo), Goodnight Robicheaux (a lenda da guerra civil), Billy Rocks (perito em armas brancas), Vasquez (fora da lei mexicano), Jack Horne (especialista em sobrevivência) e Red Harvest, um índio Comanche.

Com o evoluir da narrativa, vão-se criando sinergias entre os vários membros da equipa, que treinam os habitantes locais para uma batalha final pela cidade. Existem momentos tensos, cómicos e até dramáticos, tornando esta adaptação numa lufada de ar fresco. Sou uma adepto dos clássicos e parece que os westerns estão a voltar lentamente a Hollywood, o que é fantástico, na minha opinião.

Gostei imenso da personagem de Chris Pratt, que merece destaque ao lado de Denzel Washington e Vincent D´Onofrio. Tudo o resto é muito competente e bem coreografado, tornando The Magnificent 7 numa boa experiência cinematográfica.

Recomendo claramente este filme para ajudar a passar uma tarde de Inverno, no conforto do sofá e garanto-vos 132 minutos de bom cinema.

Interstellar

Christopher Nolan regressa com um filme que muitos compararam a 2001 – Odisseia no Espaço, do mestre Kubrick. Confesso que era um dos filmes mais aguardados por mim em 2014 e Interstellar cumpre a sua função, sendo claramente uma das melhores experiências cinematográficas do ano. O elenco é de luxo, com destaque para Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Cane, John Lithgow, Matt Damon, Topher Grace e Casey Affleck.

Num futuro próximo, o planeta Terra está a uma geração de se tornar inabitável, situação desconhecida para a população em geral. Cooper, em ex-engenheiro e piloto da NASA, tem uma vida de agricultor e vive com os seus dois filhos, numa quinta, à semelhança de grande parte da sociedade. Sem necessidade de armas, a população está mais estratificada do que nunca, numa clara tentativa de sobreviver ás pragas e à escassez de alimentos que assola o planeta.

A filha de Cooper, Murph, encontra acidentalmente uma anomalia relacionada com a gravidade, que desencadeia uma série de eventos, que resultam na criação de uma equipa, com o objetivo de explorar alguns destinos habitáveis para a sobrevivência da raça humana. E penso que nesta fase o melhor será não entrar em pormenores, de forma a evitar spoilers. A narrativa está muito bem estruturada, tem diálogos fantásticos e Nolan consegue direccionar o espectador para onde pretende, numa espécie de dissertação acerca da capacidade de sobrevivência, da adaptabilidade do ser humano, a busca pelo desconhecido e claro da fé inabalável que muitos questionam.

Interstellar é efectivamente um filme de ficção científica, tem inclusivé muitas noções actuais relacionadas com buracos negros, viagem no tempo, dimensões e a inevitável teoria da relatividade de Einstein, mas é muito mais do que isso. Estamos perante uma experiência que tocará cada um de nós de forma diferente e em que possivelmente chegaremos a conclusões distintas mas não tenho dúvidas em sugerir que vão ao cinema, se possível, ao IMAX.

Existem pormenores soberbos que gostaria de debater, mas parece-me mais adequado não estragar a surpresa a quem ainda não viu esta obra prima de Nola (mais uma). Para concluir, apenas uma nota de rodapé: apesar de colocar este filme muito alto na minha lista, não considero que seja superior a 2001 – Odisseia no Espaço, mas penso que tal seria extremamente ambicioso.

Prisoners

Denis Villeneuve realiza um thriller bem conseguido e que envolve o rapto de duas jovens de uma pequena cidade norte-americana. O elenco é composto por Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Terence Howard e Maria Bello, para citar os mais conhecidos e no global não desaponta.

Estamos perante um enredo complexo e em que somos confrontados com personagens muito fortes do ponto de vista psicológico. No ar fica sempre sempre a expectativa de confirmar se estamos perante um único raptor, uma rede ou um grupo organizado, tal a quantidade de informação que temos para analisar.

Quase todas as personagens do puzzle apresentam traços característicos, tornando Prisoners numa experiência repleta de carga dramática e com um fim incerto. A natureza humana é levada ao extremo, sobretudo quando somos confrontados com situações de stress emocional, colocando a nú os sentimentos animalescos que continuam a coexistir em todos nós.

O suposto herói, interpretado por Jake Gyllenhaal é um mistério constante e a narrativa é construída de forma a não fornecer demasiadas pistas, obrigando o espectador a interpretar de forma individual o que se vai passando no grande écran. O final é sem dúvida interessante e cumpre essa premissa de interpretação livre.

No global, recomendo este filme, embora sinceramente tenha ficado com a sensação que 153 minutos são um exagero face ao que nos é apresentado. Mas Prisoners consegue ser um thriller inteligente, que cativa, sem entrar na violência visual que por vezes caracteriza o género.

Para quem já viu, sugiro que partilhe na caixa abaixo a sua opinião acerca do fim.