Jingle Jangle

Tendo em conta a quadra que atravessamos, vou manter a tendência de partilhar filmes de Natal. A escolha de hoje recai em Jingle Jangle, o mais recente projeto da Netflix, que retrata a vida de Jeronicus Jangle, um inventor e criador de brinquedos. O primeiro acto mostra-nos um jovem inventor, entusiasmado com a entrega de uma peça, que lhe permite criar Don Juan Diego, um toureiro matador.

Jeronicus rejubila ao constatar que esta criação tem vida própria, mas abstrai-se da sua personalidade altamente egocêntrica e que irá convertê-lo no vilão deste conto. Don Juan é incapaz de lidar com o conceito de produzirem réplicas suas, convencendo o aprendiz Gustafson a furtar o livro de ideias do seu mentor e escapar.

A narrativa avança trinta anos e constatamos que o nosso inventor perdeu a sua esposa e afastou a filha, em consequência da traição de Gustafson. A glória de tempos anteriores desvaneceu, dando lugar a uma  loja de penhores, gerida por um Jeronicus derrotado e que prometeu nunca mais inventar seja o que for.

Tudo muda quando a sua neta, Journey, faz uma visita à loja e descobre o Buddy 3000, um brinquedo concebido e criado pela sua mãe, Jessica Jangle. Com relutância, Jeronicus vai abrindo o coração à sua neta, que o ajuda a resolver a equação da “raiz quadrada do possível”. Pelo meio, vamos ter alguns momentos musicais e alguma magia de Natal, numa narrativa que assenta na redescoberta da “magia” pela invenção de brinquedos.

Existem igualmente alguns momentos de humor, que são bem enquadrados numa narrativa fluida e que tem em Forest Whitaker a sua âncora. Destaco igualmente a interpretação de Madalen Mills, Ricky Martin e Kieron L. Dyer, nos papéis de Journey, Don Juan e Edison, respectivamente.

No global, este filme foi uma agradável surpresa, que recomendo sem hesitação. Tem obviamente os clichés habituais, mas consegue captar a nossa atenção, graças a uma panóplia de personagens interessantes e a uma narrativa consistente.

Bom
75%

Batman Noël

Dezembro é inequivocamente um mês de energia positiva e em que recupero parte da fé na Humanidade. É igualmente uma época em que gosto de revisitar alguns livros e filmes que se enquadram nesta temática. A nível de BD, a minha recomendação diz respeito à adaptação do clássico A Christmas Carol, de Charles Dickens.

Lee Bermejo reconverteu a obra imortal de 1843 ao universo de Gotham, fazendo de Bruce Wayne um verdadeiro Scrooge, consumido pela necessidade de derrotar o seu arqui-inimigo The Joker. A narrativa acompanha Bob, um modesto cidadão que trabalha para Joker, entregando pequenas encomendas por toda a cidade, na tentativa de proporcionar um Natal melhor ao seu filho.

Indiferente a todo este sentimentalismo, Batman vai utilizar Bob como isco, sem olhar a consequências, apesar dos avisos de Alfred e do Comissário Gordon. É neste altura que vamos ter a visita dos três fantasmas, que tentarão gerar empatia junto do nosso herói e fazê-lo reencontrar-se com a sua crença no Bem e na capacidade de redenção do ser humano.

As ilustrações de Lee Bermejo são soberbas e a narrativa, apesar de assentar na obra de Dickens, consegue ser cativante o suficiente para se converter num dos títulos clássicos de Batman.

Gosto particularmente do simbolismo inerente à tosse que assola o nosso herói ao longo da narrativa, assim como a escolha do segundo “fantasma”, que conseguem transmitir uma poderosa mensagem para esta novela gráfica de 2011.

Se são fãs da DC e particularmente do Dark Knight, não tenho dúvidas de que irão ficar amplamente satisfeitos com o resultado final de Batman Noël.

Alien Xmas

O Natal está cada vez mais próximo, motivo pelo qual é fundamental garantir que todos nós entramos no espirito da quadra. Após a recomendação inicial, optei por trazer algo distinto, que envolve uma invasão extraterrestre, muito humor e uma lição natalícia fundamental.

Os Klept são uma raça alienígena, que valoriza a ganância e a constante acumulação de riqueza. Ao depararem-se com o potencial do Planeta Terra, optam por enviar X, que está ansioso por provar o seu valor. A sua missão requer a instalação de um aparelho que irá remover toda a gravidade do planeta, permitindo a recolha da riqueza diretamente no espaço.

No entanto, o pequeno X é lentamente cativado pelo espírito natalício, acabando por ajudar o Pai Natal e os elfos na luta contra os Klept, para além de garantir que todas as prendas acabam por ser entregues a tempo. Alien Xmas tem a duração de 42 minutos e proporciona entretenimento, aliado a uma mensagem fundamental, sobretudo neste tumultuoso ano de 2020.

Fica a recomendação e caso pretendam ver este filme, sugiro que utilizem o Netflix.

Mediano
71%