Violent Night

A quadra natalícia implica algum investimento em filmes de Natal. Por norma, tento encontrar projetos alternativos, que proporcionem entretenimento, algum espírito natalício e que sejam uma recomendação para os leitores. Diria que Violent Night cumpre os critérios, apresentando uma narrativa que retira inspiração de clássicos como Die Hard e Home Alone.

O primeiro acto introduz um Pai Natal desiludido com o status quo natalício, que se converteu num  éden consumista, em que as crianças desvalorizam os valores da quadra. Adicionalmente, vamos conhecer Trudy, uma jovem que ambiciona ver os seus pais reunidos, de forma a poder recuperar a sua família. A noite de Natal vai decorrendo normalmente, até ao momento em que o Pai Natal aterra no telhado da mansão Lightstone, que será alvo de um ataque terrorista, com o objetivo de adquirir 300 milhões de dólares

A primeira cena de ação resulta no assassinato de um dos terroristas e na fuga das renas, criando o cenário ideal para uma carnificina ao estilo de John McClane. Ao longo do segundo acto vamos conhecer as origens do Pai Natal, assim como de Scrooge, o líder dos assaltantes, que tem um claro desprezo pela quadra natalícia.

A disfuncionalidade da família Lightstone é evidente, sendo notória a prioridade pelos bens materiais, ausência de empatia e a ambição de controlar o negócio da família. Violent Night é uma comédia, com cenas de ação hilariantes e uma versão do Pai Natal que tem uma abordagem original. No terceiro e derradeiro acto há uma clara tentativa de introduzir valores e sentimentos natalícios, que funcionam bem face ao desfecho desta aventura.

A realização fica a cargo de Tommy Wirkola, que juntou alguns nomes sonantes ao elenco, com destaque para David Harbour, John Leguizamo e Alexa Hassell. No global, é um filme que garante entretenimento e que combina comédia e ação, algo que normalmente não associamos a um filme de Natal.  Segundo rumores, existem planos para uma sequela, que ainda aguarda definição de datas.

Mediano
68%

8-Bit Christmas

A minha recomendação mais recente vai para este projecto de Michael Dowse, que se baseia no livro com o mesmo nome. Vamos recuar à década de 80, para acompanhar a aventura natalícia de Jack Doyle, na tentativa de adquirir uma Nintendo Entertainment System.

Apesar da narrativa ocorrer num típica cidade americana, existem paralelismo evidentes em que me revejo. Por diversas ocasiões, partilhei que na minha infância tive o privilégio de jogar bastante numa Famicon, proveniente de Macau, numa era em que poucos conheciam a Nintendo e o impacto que teria na cultura de videojogos.

Existem obviamente muitos clichés, desde o típico bullying escolar, passando pela ignorância parental, que considerava os jogos um perigo para o desenvolvimento das crianças. Mas os momentos mágicos, em que temos referências a Paperboy, à lendária Power-Glove e ao icónico Rampage fazem as maravilhas de qualquer entusiasta do retro gaming.

Tenho perfeita noção que não é um filme para todos, mas confesso que gostei imenso da nostalgia que este filme transmitiu. Adicionalmente, parece-me importante salientar que a narrativa é cativante, com uma simbiose entre momentos humorísticos e de simbolismo natalício, que eleva este filme a um patamar de qualidade inesperado.

Noto alguma influência de The Goonies mas 8-Bit Christmas tem uma mensagem importante, que nos é transmitida através duma demanda épica pela NES. Em território nacional, podem encontrar este título na  plataforma de streaming da HBO, que conquista o selo de recomendação do Portal Pessoal.

Bom
70%

Leave the World Behind

Sam Esmail é o realizador deste projecto invulgar, que se baseia na obra literária de Rumaan Alam. O elenco é de peso, destacando-se Mahershala Ali, Ethan Hawke, Kevin Bacon e Julia Roberts, que também é a responsável pela produção.

A narrativa decorre no tempo actual, numa sociedade em que a dependência tecnológica é uma realidade. Após um (aparente) ataque cibernáutico que inibe a utilização de internet, a família Sanford vê-se isolada no Airbnb em Long Island, que alugou para o fim de semana. A situação complica-se ainda mais quando G.H. Scott, o dono da casa, aparece a meio da noite para solicitar guarida, dado que as saídas para a cidade estão completamente bloqueadas.

As personalidades distintas dos varios membros da família vão criar alguns momentos insólitos, sobretudo pela misantropia evidente de Amanda Sanford e o secretismo de G.H, que aparenta saber algo acerca dos estranhos eventos que estão a ocorrer. Os adolescentes estão muito bem retratados e serão uma parte fundamental da narrativa, em resultado das suas ações.

Ao longo de 141 minutos vamos recebendo dicas subtis acerca do que poderá estar a ocorrer, embora seja evidente que o objetivo passa pelo espectador escolher a sua própria interpretação. Diria que Leave the World Behind não vai agradar a todos, dado que não apresenta uma explicação “óbvia”, embora tenha um desfecho curioso e que abre caminho para uma potencial sequela ou spin off. Confesso que gostei da premissa, mostrando a mudança de comportamento entre as várias personagens, que lentamente se vão focando no conceito de proteção de família e desconfiança face ao mundo exterior.

No global, gostei da experiência e recomendo este filme para quem procura uma visão distinta dum evento disruptivo, que não passa por algo sobrenatural ou catastrófico do ponto de vista cósmico. As interpretações são competentes e existem vários momentos repletos de tensão , que acrescentam valor ao produto final.

Mediano
70%