Citadel T.1

Este projeto surgiu inesperadamente nos meus alertas do Prime Video e rapidamente se converteu numa das minhas séries preferidas dos últimos anos. A produção fica a cargo dos irmãos Russo e o elenco conta com Richard Madden, Priyanka Chopra Jonas, Stanley Tucci e Lesley Manville nos papéis principais.

A primeira é composta por seis episódios e narra as aventuras de Mason Kane e Nadia Sinh, dois agentes de topo da organização Citadel, que domina e influencia o rumo do planeta há várias décadas. A narrativa assenta numa traição interna, que origina a destruição completa da Citadel, obrigando os agentes sobreviventes a viver nas sombras, sem qualquer memória do seu passado.

A tecnologia é uma componente intrínseca desta série, que é influenciada por franquias como Missão Impossível, Jason Bourne e o incontornável James Bond. O valor de produção é astronómico (300 milhões), reflectindo a qualidade das cenas de ação e as localizações utilizadas ao longo dos episódios.

Lentamente, vamos tendo alguns pormenores (comprometedores) do passado de Kane e Sinh, que os ligam à Manticore, a organização responsável pela destruição da Citadel. No que diz respeito a interpretações, tenho que destacar Stanley Tucci, Roland Møller e Lesley Manville, que são fenomenais no seu papel de mentores e antagonistas do duo de espiões.

Ao longo de seis episódios, o ritmo da narrativa é adequado, expondo os defeitos de Mason e Nadia, o que complementa e solidifica a conspiração que envolve ambos.  Sem colocar spoilers, teremos uma revelação (relativamente) previsível, que marca o impasse em que termina esta primeira temporada.

Pessoalmente, considero Citadel uma surpresa inesperada. Talvez exista um exagero na utilização de flashbacks e nalgumas cenas de ação, que são virtualmente impossíveis, mas é inegável o valor de produção e o factor entretenimento, que garantiu a renovação para uma segunda temporada, que será disponibilizada no início de 2025.

Spriggan T.1

Yu Ominae é um jovem que faz parte da ARCAM, uma organização secreta que se dedica à busca e recolha de OOPart (Out of Place Artifacts). Ao longo de seis episódios, vamos acompanhar algumas missões, em que o nosso herói vai confrontar inimigos poderosos, tais como Coronel McDougal, Iwao Akatsuki, Bo Brantz, Larry Markson e Bowman.

Cada batalha cria uma dificuldade adicional ao nosso protagonista, que vai evoluindo e melhorando as suas capacidades. Para o ajudar, conta com a extraordinária tecnologia do Dr. Mayzel, que desenvolveu uma armadura forjada com orichalcum, um metal denso que é praticamente indestrutível.

Cada episódio está repleto de ação e diversidade, das quais destaco os soldados cibernéticos e zombies controlados por uma floresta amaldiçoada. Há muito para absorver e apesar da ação frenética, temos um claro desenvolvimento da personagem,. que vai lentamente colocando em causa algumas das suas convicções.

Como não podia deixar de ser, temos uma personagem feminina, Yoshino Somei, que promete converter-se no interesse amoroso de Yu, apesar das suas intenções serem essencialmente movidas pelo enriquecimento financeiro. Adicionalmente, temos a introdução de Jean Jacquemonde e Oboro, dois dos mentores de Ominae.

Este anime é baseado no manga da autoria de Hiroshi Takashige e Ryōji Minagawa e assenta na preservação de artefactos OOPart, conforme referi anteriormente. A componente mística ou sobrenatural é muito interessante, explorando a Arca de Noé, as Caveiras de Cristal e a Philadelphia Experiment. Adicionalmente, somos introduzidos a duas fações, ARCAM e a Trident, que apesar de terem agendas opostas, aparentam ter vários segredos para desvendar.

Caso pretendam investir nesta série da Netflix, penso que será uma excelente escolha. PAra terminar, apenas uma curiosidade: em território nacional esta manga foi publicada em 1995, com a designação de Striker.

The Centurions

Os anos 80 estão repletos de desenhos animados épicos, que marcaram a minha geração. Um dos maiores casos de popularidade foi sem dúvida The Centurions, que nos transportou para o século XXI, numa era em que os ciborgues tentam conquistar o planeta Terra. O conceito e design ficou a cargo de Norio Shioyama, que teve a colaboração de duas lendas dos comics books, mais precisamente Jack Kirby e Gil Kane.

Os protagonistas são o vilão Doc Terror, que com a ajuda do seu braço direito, Hacker, tenta derrotar a equipa de elite composta por Max Ray, Jake Rockwell e Ace McCloud. A premissa assenta numa estação espacial, denominada como Sky Vault, que tem a tecnologia necessária para tele-transportar armaduras para os fatos (exo-suits) que os nossos heróis possuem.

Crystal Kane é o quarto elemento da equipa, que controla as operações na estação, garantindo o sucesso das mesmas. Cada um dos Centuriões tem uma especialidade, que se foca nos elementos Terra, Água e Ar. A narrativa é um produto da sua era, assentando na lógica de “monster of the week”, embora existam episódios com continuidade, a partir da segunda metade da temporada.

Adicionalmente, teremos a introdução de dois novos Centuriões, Rex Charger e John Thunder, com o objetivo de criar diversidade e cativar novos espectadores. O exército de ciborgues sofre igualmente vários upgrades, dos quais destaco os drones traumatizers, strafers, groundbourgs, cybervore panther, e shark.

Contem com 65 episódios, repletos de ação e com muito humor, que garantem o entretenimento e despertaram a minha nostalgia. Recordo-me perfeitamente das manhãs de domingo, em que consumia desenhos animados de forma ininterrupta. Honestamente, continuo a ser um fã desta série e recomendo que invistam tempo a revisitá-la. Caso nunca tenham assistido, fica a sugestão, embora reconheça que possa não agradar aos mais novos, que estão habituados a outra animação e narrativa.

Estou convicto que no final vão poder encarar o lema “PowerXtreme” com um sorriso nos lábios.