House of M

Brian Michael Bendis e Olivier Coipel são os responsáveis por este incrível arco narrativo, que inspirou parcialmente a série Wandavision. O ano é 2005 e após os eventos de Avengers Disassembled, a equipa tem de lidar com a situação de Scarlet Witch, que se converteu numa ameaça. O Professor Xavier informa Magneto que irá convocar uma reunião com os Vingadores, dado que não sabe durante quanto tempo irá conter os poderes da sua filha, que persiste em criar mundos paralelos para esconder a sua mágoa.

O Doctor Strange tem igualmente sessões regulares com Wanda, no plano astral, no sentido de a acalmar, embora partilhe da mesma opinião do Professor X. Os X-Men, agora liderados por Emma Frost, pretendem assassinar Wanda, algo que não é bem aceite pelos Avengers, mesmo após os eventos que resultam na morte de alguns dos seus membros. Após uma discussão acesa, acordam ir para Genosha, para confrontar Wanda e terminar com a ameaça.

Pietro (Quicksilver) tem conhecimento das intenções e alerta Magneto, que se mostra indiferente, dado que não consegue encontrar uma alternativa que possa ajudar a sua filha a ultrapassar a dor. Na chegada a Genosha, os Avengers e os X-Men são envoltos numa luz branca que os transporta para uma realidade alternativa, em que aparentemente todos os seus desejos se concretizarem. Ao longo de vários painéis, vamos tomando conhecimento deste novo universo, em que Spider-Man é casado com Gwen Stacy, acontecendo o mesmo com Cyclops e Emma Frost. Carol Danvers é a super-heroína mais adorada no Mundo, Wolverine é o líder de uma força elite da SHIELD e o Capitão America é apenas um veterano sénior, sem qualquer lembrança dos seus tempos de super-herói.

Nesta realidade, o homo superior (mutante) é a espécie dominadora, relegando o homo sapiens para um papel secundária na sociedade. Genosha converteu-se na capital da nação mutante, elevando Magneto e a sua House of M para uma posição de poder e domínio político. O único herói com as memórias intactas do verdadeiro passado é Wolverine, que irá iniciar uma missão de contactar a resistência, liderada por Luke Cage. Adicionalmente, alguns dos membros da Resistência são precisamente os Vingadores assassinados por Scarlet Witch, elevando o nível dramático da narrativa. Ao longo desta narrativa, os heróis nunca conseguem localizar o professor Xavier, que aparenta ter falecido num evento que marcou a ascensão de Genosha.

Não vou partilhar spoilers, mas posso divulgar que Layla Miller, aka Butterlfly, será uma personagem relevante para o desfecho final deste arco narrativo. A arte de Olivier Coipel é fabulosa e House of M mudou de forma significativa o universo Marvel, sobretudo com a célebre frase “No More Mutants”.  Gostei particularmente da componente psicológica desta aventura, que deixa marcas nos heróis, sobretudo no que diz respeito á “realidade alternativa” que deixaram para trás e que representava o seu conceito de felicidade absoluta.

O livro termina com Hank Pym a alertar para o facto de cada ação gerar uma reação oposta, referindo-se obviamente ao misterioso desaparecimento do gene mutante. E precisamente nesse momento uma colossal onda vermelha de energia atinge a órbita do Planeta Terra, antecipando algo de relevante mas essa será um tema a abordar possivelmente num artigo futuro.

Legion of Super-Heroes

O primeiro ato deste filme apresenta a típica cena da destruição de Krypton, mas numa perspectiva de Kara, que é enviada para o Planeta Terra para proteger o seu primo Kal-El. Como é do conhecimento geral, acaba por chegar anos mais tarde do que o previsto, encontrando um planeta que usufruiu da proteção do Super-Homem.

Vamos acompanhar a dificuldade de adaptação de Kara, que não consegue lidar com a ausência de tecnologia. Após uma batalha com Simon Grundy, em que os danos materiais à cidade são significativos, Clark utiliza uma esfera do século XXXI  para levar Kara à sede da Legião dos Super-Heróis.

Após estar definida a premissa narrativa, vamos acompanhar o treino e a desfuncionalidade da equipa, que revela uma incapacidade em unir esforços. Adicionalmente, a presença de Brainiac 5 causa desconfiança, o que será explorado de forma interessante ao longo deste filme.

Sem revelar spoilers, adianto que teremos o habitual ataque na ausência dos professores, que irá criar as condições necessárias para um arco de redenção para Kara e vários dos membros da equipa. Por motivos óbvios, vou manter secreta a identidade do vilão deste filme, que cumpre a sua função de entretenimento. Considero interessante a introdução da sociedade secreta Dark Circle, que tem uma agenda relevante para o desfecho desta aventura, assim como alguns membros da equipa, dos quais destaco Mon-El, Triplicate Girl, Phantom Girl, Invisible Kid e Arm-Fall-Off.

No que diz respeito à animação, a DC tem normalmente um padrão de qualidade elevado, mas confesso que não fiquei impressionado com o sexto filme do TomorrowVerse, que tem uma cena pós-créditos finais que é hilariante, embora perfeitamente irrelevante para o desfecho deste filme.

Mediano
66%

Into the Badlands T.3

No final da temporada anterior, Bajie consegue enviar o sinal para Azra, o que vai revelar-se um erro de proporções gigantescas. Em termos cronológicos, passaram seis meses desde o regresso de Sunny ás Badlands e a guerra entre The Widow e Chau continua a fustigar a população, originando um êxodo massivo de refugiados.

Descobrimos que Henry possui o Dom, o que coloca em causa a sua sobrevivência. Sunny recruta novamente a ajuda de Bajie, que sugere localizar a sua antiga mentora, Ankara. O vilão desta temporada é The Pilgrim, um ex-cidadão de Azra, que possui a habilidade de controlar o Dom e pretende conquistar as Badlands. A sua introdução ocorre no meio de uma batalha sangrenta, em que dois dos seus seguidores dizimam um batalhão de clippers da Baronessa Chau.

Para complicar ainda mais a situação, The Widow recruta Moon para regente, com o incentivo de eliminar Sunny e repor a sua honra. Apesar de ser um fã deste universo, esta terceira temporada é uma verdadeira loucura narrativa, com a introdução de várias personagens interessantes e da ordem Black Lótus, que acabam por ser pouco desenvolvidas. Adicionalmente, o mistério da origem do Dom acaba por ser vulgarizado, sobretudo a partir do momento em que Pilgrim consegue localizar uma câmara anciã que permite atribuir os poderes a qualquer humano.

A grande premissa acaba por ser a união de fações antagonistas, com o objetivo de derrotar o inimigo comum, Pilgrim, que pretende destruir as Badlands. Teremos batalhas épicas, das quais destaco a luta entre a Mestre e Pilgrim, a invasão ao quartel general de The Widow e o derradeiro embate entre Sunny e Pilgrim, com a ajuda de Bajie e Kannin.

Teremos igualmente a morte de algumas personagens relevantes, que lançariam a quarta temporada, que acabou por ser cancelada. Sinceramente, compreendo o motivo para essa decisão, pelos motivos acima expostos. Seria interessante ter uma temporada final, para encerrar esta aventura e desenvolver os verdadeiros motivos para o desaparecimento de Azra, assim como a importância de Sunny como The Catalyst.

Dito isto, para quem acompanha Into the Badlands desde o início esta é claramente uma temporada para acompanhar. Para os restantes, diria que pode ser algo difícil de visualizar, sobretudo nos primeiros oito episódios.