Rise of the Teenage Mutant Ninja Turtles

O sucesso da série de animação da Nickelodeon levou ao desenvolvimento desta aventura, que tem início em 2044. O planeta Terra encontra-se totalmente dominado pelos Krang e a Resistência foi aniquilada. Numa derradeira tentativa de mudar o rumo da guerra, Leonardo e Michelangelo transportam Casey Jones para o passado, com o intuito de evitar que o Foot Clan abra o portal que dá início à invasão dos alienígenas.

Esta é a premissa do filme, que tem um primeiro acto repleto de ação, em que as Tartarugas revelam a sua imaturidade, com excepção de Raphael, que tenta preparar os seus irmãos para os cenários mais improváveis. Casey Jones regressa ao passado, mais precisamente dois anos após a derrota de Shredder, para encontrar uma realidade completamente distinta, em que os seus mestres (Leo e Michelangelo) estão muito distantes da realidade que conheceu.

Existem vários momentos de humor, que visam precisamente demonstrar esta faceta dos nossos heróis, que aparentam estar mais preocupados com a diversão. O Foot Clan, com a preciosa ajuda de Hypno-Potamus e Warren Stone, conseguem a chave que permite libertar a ameaça alienígena. As Tartarugas, com o apoio de Casey Jones, voltam a falhar na sua missão, sendo incapazes de trabalhar em equipa, o que leva precisamente ao cenário inicial, em que os Krang regressam à nossa dimensão.

O segundo acto expõe o ego da equipa, que prioritiza os objetivos individuais, colocando o sucesso da missão em risco. Lentamente, vamos assistindo ao processo de aprendizagem, com o inevitável sacrifício pessoal em prol do bem maior. Apesar do excelente casting (Ben Schwartz, Omar Miller, Brandon Mychal Smith, Josh Brener, Haley Joel Osment, Kat Graham) a realidade é que Rise of the Teenage Mutant Ninja Turtles não me convenceu.

Sou um fã da série original, que não dependia de armas místicas e considero que o humor utilizado torna-se exagerado em determinados momentos. Dito isto, também compreendo que não represento o público alvo, pelo que apenas sugiro o investimento na eventualidade de terem acompanhado a série de animação (2018-2020) que inspirou esta aventura.

Mediano
60%

The Bubble

A Netflix continua a investir em elencos sólidos, como forma de promover os seus projetos. Desta vez, a escolha recai numa sátira ao cenário de pandemia, em que vamos acompanhar a produção de um filme de ficção científica.

Karen Gillan, Fred Armisen, Maria Bakalova, David Duchovny, Leslie Mann, Kate McKinnon e Pedro Pascal são os nomes mais sonantes, num filme que leva ao extremo os clichés do COVID-19. No que diz respeito à narrativa, a premissa é simples e consiste na necessidade de cumprir protocolos e os respectivos períodos de confinamento, que ocorrem durante as filmagens de Cliff Beasts.

Lentamente, vamos assistindo à completa perda de sanidade do elenco, que lidam de forma única com o isolamento e confinamento. Paralelamente, vamos acompanhando a pressão realizada pelo estúdio no sentido de cumprir prazos e orçamento, para além da constante interferência dos actores junto do realizador.

Contem obviamente com muito humor e um sarcasmo constante a vários comportamentos típicos de Hollywood, que resultam num filme que tem os seus momentos. No global, The Bubble é um filme mediano, que não se leva particularmente a sério, mas que conta com um terceiro acto completamente surreal, mas que acaba por funcionar.

É uma pena que a Netflix esteja a desperdiçar recursos e talento em filmes que tinham condições para ser francamente melhores.

Mediano
62%

Rings of Power T.1

Após o sucesso da adaptação cinematográfica da obra de J.R.R. Tolkien, a Amazon investiu (forte) na aquisição dos direitos do Index de Silmarillion, num projecto que será alegadamente composto por cinco temporadas. A narrativa decorre na Segunda Era da Terra Média e retrata a ascensão de Sauron, com a consequente queda do reino de Númenor.

A personagem central é Galadriel, uma guerreira elfa, que é obcecada em derrotar as forças do Mal, por motivos que serão explorados nos primeiros episódios. Adicionalmente, vamos acompanhar os Harfoots, que são essencialmente os antepassados dos Hobbits e a ligação entre os Anões e os Elfos, mais especificamente, na figura de Elrond e Durin.

Existem outras personagens relevantes, tais como Arondir, Elendil, Halbrand, Míriel e Isildur, que são lentamente introduzidas ao longo desta temporada. Apesar da narrativa ser o foco principal, existem igualmente várias cenas de batalha, que são suficientes para garantir o meu interesse ao longo destes oito episódios.

Diria que a verdadeira identidade de The Stranger, que é muito provavelmente um Istari, é um dos pontos mais relevantes desta primeira temporada. O ritmo de Rings of Power é fluido e apresenta com grande pormenor o reino dos Elfos, Anões e dos Homens. A grande maioria das personagens está muito bem conseguida, com elevado foco no seu desenvolvimento, convertendo esta série numa experiência muito agradável e que recomendo.

Existem obviamente algumas decisões com as quais não concordo, mas a adaptação com base no Index abre espaço para muita criatividade narrativa por parte dos argumentistas. Faço apenas o alerta para a cronologia da série, que irá ter poucos denominadores em comum com a trilogia original, que ocorre milhares de anos antes dos eventos que serão retratados em Rings of Power.