Solo: A Star Wars Story

Apesar de ser uma das minhas personagens favoritas do Universo Star Wars, este filme nunca me suscitou particular interesse. Os constantes adiamentos em termos de datas, a mudança de argumentista e de realizador ajudaram a fomentar a ideia que seria um projeto condenado ao insucesso. Por esse motivo, a minha expectativa era muito baixa, o que resultou no facto de ter gostado muito mais deste filme do que antecipava.

Saliento que a narrativa está longe de ser perfeita e lança muitas dúvidas (sem spoilers) mas a realidade é que consegue ilustrar a evolução de Han, um rapaz oriundo do planeta Corellia, que tem o sonho de se tornar num piloto e resgatar Qi´Ra, a sua grande paixão.

As circunstâncias levam-no a converter-se num fora da lei, juntando-se à equipa de Beckett, um mercenário que apresenta ligações ao sindicato Crimson Dawn, liderado por Dryden Vos. De forma a pagar uma dívida e garantir a sobrevivência, Han aceita ir ao planeta mineiro Kessel e roubar um carregamento de coaxium, um mineral muito valioso.

Ao longo do filme existem momentos deliciosos, dos quais destaco a forma como Han e Chewbacca se conhecem, passando pelo épico jogo de cartas com Lando e claro o robot L3-37, que tem alguns dos momentos mais hilariantes.

Gostei imenso da personagem de Emilia Clarke (Qi´Ra) e Woody Harrelson (Beckett), que conferem uma dinâmica fantástica, assim como aos maneirismos de Donald Glover (Lando), que consegue garantir essa ligação aos filmes originais. No entanto, a narrativa é francamente previsível e pouco ou nada acrescenta ao Universo Star Wars, apesar de retirar muita inspiração da série de animação Clone Wars (novamente, sem spoilers!).

Ron Howard realiza de forma competente esta nova aventura, que muito possivelmente terá uma sequela. Não estamos perante algo memorável mas face aos múltiplos entraves que foram sendo colocados, Solo: A Star Wars Story acabou por ser uma agradável surpresa para mim.

Salvation T.1

Numa das minhas pesquisas pelo repositório do Netflix deparei-me com esta série e resolvi dar-lhe uma oportunidade. A premissa reside no fim da humanidade como a conhecemos, fruto do embate de um asteróide com o nosso planeta, num espaço de 6 meses.

A narrativa tem o seu início no MIT, em que um aluno desenvolve um projecto que consiste na monitorização das estrelas, conseguindo identificar a vinda de um enorme asteróide. Aproveitando uma palestra na universidade, apresenta as suas descobertas a Darius Tanz, um magnata da tecnologia, também ele formado no MIT, que confirma as suas alegações.

Apesar das poderosas ligações de Tanz com o Governo, vamos entrar numa conspiração profunda, que envolve o Pentágono e altas instâncias do Governo, que parecem estar dispostas a tudo para controlar o destino da Humanidade. Darius e Liam vão desenvolver tecnologia que permite enviar uma sonda na direcção do asteróide, com o intuito de a desviar do seu destino final.

As personagens no geral estão bem conseguidas, embora a narrativa tenha algumas inconsistências. Há um desenvolvimento claro das personagens, apesar de termos apenas treze episódios, com a vantagem de não ficarmos apenas pela “habitual” conspiração governamental. Existe espaço para dramas familiares, assim como a necessidade de alguns dos nossos heróis lidarem com o peso desta informação, sem a divulgar a terceiros.

Em suma, Salvation é uma série interessante, que me conseguiu cativar, apesar de não ser brilhante. Caso tenham algum tempo livre, sugiro que invistam o tempo, sendo que a segunda temporada estará disponível apenas no segundo trimestre de 2018.

Roger Waters

Há muito tempo que ambicionava assistir a um concerto do mítico Roger Waters, um dos membros fundadores dos Pink Floyd e o arquitecto de obras primas como The Dark Side of the Moon e The Wall.

A Altice Arena esgotou pela segunda noite consecutiva e Waters e Companhia criaram uma experiência musical quase religiosa, envolta num misto de melodia, crítica social e melancolia.

A tour Us+Them tem o intuito de divulgar algumas músicas do álbum Is This The Life We Really Want? para além de permitir ouvir clássicos como Breathe, Money, Wish You Were Here, Another in The Wall, Welcome to the Machine, Pigs e Dogs, entre muitos outros.

Foi um concerto memorável, com uma atmosfera mágica, que juntou várias gerações, provando que a música pode efectivamente ser um foco de união. Destaque para a performance de Dave Kilminster, Jonathan Wilson e as vozes de Jess Wolfe e Holly Laessig, que complementaram de forma épica o espectáculo.

A viagem terminou com o incontornável Comfortably Numb, que deixou a plateia ao rubro e com uma sensação de ter feito parte de algo especial e único.

Roger Waters é um senhor, aos 76 anos, continuando com uma forte presença em palco e com uma aura que poucos conseguem emanar.

Termino este artigo, partilhando algumas fotos do concerto realizado no dia 21 de Maio.

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