Dark Matter T.1

Uma tripulação de seis humanos e um andróide despertam em pleno espaço, com uma total ausência de memórias. Esta é a premissa de Dark Matter, a mais recente série do Syfy. Confusos e sem capacidade de se recordarem de qualquer tipo de pormenor, atribuem números a cada um para se identificar. Rapidamente concluem que são uma equipa de mercenários de elite, com uma reputação tenebrosa, o que cria um ambiente de desconfiança, na tentativa de descobrir quem foi o responsável.

Ao longo dos episódios, vamos sendo apresentados ás personagens e respectivas histórias, o que nos permite tirar algumas ilações acerca dos verdadeiros motivos. Pouco é o que parece e ficamos claramente com a sensação de intenções secundárias. Pelo meio, temos algum humor e aparições especiais de David Hewlett, Torri Higginson, Rob Stewart e Will Wheaton.

Apesar de não ter os diálogos épicos de Firefly ou a narrativa envolvente de BSG, estamos perante uma série com muito potencial, que espero venha a ser desenvolvido na segunda temporada. Sem colocar spoilers, é desvendada a identidade do traidor e a tripulação acaba por ser capturada, deixando um enorme cliff-hanger para os próximos meses.

Se são entusiastas de ficção científica penso que ficarão agradados com Dark Matter. Apesar de começar a um ritmo muito lento, a narrativa desenvolve bastante nos últimos cinco episódios, deixando em perspectiva uma segunda temporada extremamente interessada e com acção redobrada.

Dentro da mesma temática, irei brevemente falar-vos de outra série do Syfy, intitulada KillJoys.

Agents of S.H.I.E.L.D. T.2

A primeira temporada esteve longe de ser memorável, apesar de um bom final, com a invasão da HYDRA e consequente divisão da SHIELD. A traição de Ward deixou as suas marcas na equipa, com destaque para Simmons e Fitz mas a batalha continua com um twist inesperado: Coulson é nomeado Director com o aval de Nick Fury e Maria Hill.

Os primeiros episódios apresentam os novos membros da equipa (Lance, Mack e Bobbi Morse), assim como alguns vilões que farão parte da narrativa (destaque para Agent 33, Dr Whitewall e Bakshi). A meio da temporada os Inhumans passam a ser o foco da atenção, com a introdução da mãe de Skye e com algumas batalhas épicas.

Não sou fã da sub-história que envolve a luta pelo poder entre duas facções da SHIELD, que pouco ou nada acrescenta mas aprecio a parte relacionada com os Kree e a criação dos Inhumans. Pelo meio, temos o desenvolvimentos dos poderes de Quake, outrora conhecida como Skye e o aparecimento de Lincoln, que será uma personagem importante na terceira temporada (pelo menos tudo o indica).

Como sempre, evito colocar muitos spoilers, mas posso adiantar que são criadas alianças inesperadas para derrotar Jiaying e que Coulson não voltará a ser o mesmo após os eventos que ocorrem a bordo do porta aviões da SHIELD. No último episódio, são lançadas três “bombas” na narrativa, que implicam Ward, Jemma e um novo inimigo.

Para terminar, considero que esta segunda temporada foi claramente melhor, com alguma narrativa a cruzar com os filmes de Thor, Winter Soldier e Age of Ultron, o que ajuda no desenvolvimento das personagens e enredo. Destaco particularmente os episódios em que temos Lady Sif e um caçador Kree mas não gostei da forma como retiraram o agente Triplett da equação, dado que era claramente um dos agentes com mais potencial.

A terceira temporada promete ser muito interessante e espero que continue a surpreender em termos de narrativa. E volto a frisar que seria épico colocar alguns dos Vingadores a aparecer ocasionalmente, sobretudo quando a timeline vai coincidir com o lançamento do Civil War.

Netflix

O meu período de trial termina sensivelmente dentro de uma semana mas a decisão de cancelar a subscrição do Netflix está tomada. Assim sendo, vou aproveitar este artigo para explicar os meus motivos, assim como os prós e contras do actual serviço disponível.

Desde que soube da sua chegada a território nacional que estou muito entusiasmado, embora tenha ficado céptico em relação a valores e sobretudo conteúdos disponíveis.  A ausência de programação 4K não é um deal-breaker para mim mas compreendo a insatisfação generalizada que causou. Um dos grandes entraves para a massificação do Netflix é precisamente a limitação em termos de séries (exclusividade com outros canais de cabo), aliada a um escassez exacerbada de conteúdos.

A mensalidade do serviço parece-me ajustada, com a vantagem de permitir a partilha entre vários utilizadores, o que é claramente uma mais valia. Mas é nesta fase que terminam as vantagens e se destacam as limitações: séries com temporadas parciais, oferta limitada em termos de filmes e escassez de documentários. Saliento que o Netflix apresenta em Portugal um total inferior a 500 títulos, representando a mais baixa oferta disponível em toda a Europa. É evidente que esse ponto vai melhor substancialmente nos próximos meses, o que origina a minha decisão: cancelar esta subscrição e aguardar pacientemente pela disponibilização de conteúdos mais atractivos, o que irá certamente ocorrer em 2016.

Estamos obviamente perante uma decisão pessoal e compreendo que alguns dos leitores possam discordar da minha opinião. Mas nesta fase, o Netflix não satisfaz as minhas necessidades, embora reconheça que é uma lufada de ar fresco. Tenho a certeza que voltarei a ser cliente e só posso sugerir que testem e retirem as vossas ilações.