O 38º Campeonato

O balanço desportivo da temporada tornou-se uma tradição neste espaço, mas com a pandemia e a consequente expansão de outros hobbies, confesso que perdi o interesse em partilhar este tipo de conteúdo. No entanto, parece-me ser a altura ideal para recuperar o tópico.

No que diz respeito à NBA, os meus Lakers superaram as expectativas, após um início aterrorizador (2V-10D), caindo na Final de Conferência, frente aos Denver Nuggets. Na NHL, os Avalanche, campeões em título, foram eliminados na primeira ronda dos playoffs, restando apenas o SLB, que tinha em Roger Schmidt o novo timoneiro.

Sou um apologista do gegenpress, que considero ser um modelo quase perfeito para o nosso futebol. A racionalidade e o rigor táctico germânico foram fundamentais para criar um ligação forte entre equipa e adeptos, que aumentou a confiança numa temporada repleta de sucesso. A campanha na Champions foi brilhante, com apenas uma derrota em 14 jogos, ficando a sensação que era possível ter chegado às meias finais.

A temporada foi atípica, com uma paragem para o Campeonato do Mundo, em que (finalmente) encerrámos a era Fernando Santos. A saída de Enzo Fernandez debilitou o meio campo, que é, na minha opinião, o sector mais importante do 4x2x3x1 de Schmidt, retirando qualidade e criatividade à equipa. Em consequência, existiu uma quebra assinalável no futebol do SLB, que foi sendo lentamente colmatado pela entrega de Chiquinho e a irreverência de João Neves.

Os dez pontos de avanço davam algum conforto, mas o esforço físico resultante da Champions teve o seu impacto negativo, permitindo a reaproximação do FCP e dando uma emotividade inesperada ao campeonato. Felizmente, a equipa recuperou os seus índices físicos e, apesar das lesões de Bah e Guedes, acabámos por chegar à derradeira jornada a depender exclusivamente de nós.

À semelhança de 2019, o Santa Clara era o adversário, que foi incapaz de travar a conquista do trigésimo oitavo campeonato, dando início a mais uma festa do Povo, que pintou o País de vermelho. O epicentro da celebração foi o inevitável Marquês de Pombal, em que a equipa foi recebida em apoteose, por volta da meia noite.

Parece-me justo destacar a aposta pessoal do Presidente em Schmidt, que trouxe uma abordagem e mentalidade distinta e que faz falta ao futebol português, que continua envolvo em suspeição, ausência de fair-play e jogos de bastidores. Uma palavra de apreço para Rui Pedro Braz, que fez um trabalho fabuloso nos bastidores, criando um plantel competitivo e que nos permite ter esperança em conquistas futuras. E que dizer desta simbiose quase perfeita entre jogadores formados no Seixal e verdadeiros desconhecidos, que acrescentaram qualidade e elevaram o futebol apresentado nesta época.

É altura de festejar e apreciar mais um campeonato, sabendo que a exigência para a próxima temporada será ainda maior. Gostaria que o futebol português se concentrasse em soluções para o futuro, sobretudo numa era em que continuamos a descer no ranking europeu, resultado da ausência de competividade da nossa Liga.

This slideshow requires JavaScript.

Bastard!! T.1

Há quatrocentos anos atrás, o demónio Anthrasax foi derrotado pelo Dragon Knight, dando início a uma nova era de maldade. Alguns séculos mais tarde, o mago Dark Schneider, que detinha o apoio do Dark Rebel Army, foi derrotado pelo Príncipe Lars UI e três outros cavaleiros.

Esta vitória acaba no entanto por revelar-se efémera, dado que o mago reencarna no corpo de Lucien Renren, um jovem de 14 anos. De forma a evitar a ascensão de Schneider, é utilizada magia para selar a sua alma, que apenas pode ser desbloqueada com um beijo de uma virgem e um encantamento específico.

Esta é a premissa principal deste animé, que se baseia na manga da autoria de Kazushi Hagiwara. É notória a influência do universo DnD e do estilo musical death metal, criando uma abordagem diferente, repleta de humor e com cenas sexuais bastante explícitas. No que diz respeito à narrativa, a simplicidade faz a diferença, introduzindo a personagem de Dark Schneider como opção de recurso para travar a invasão do Dark Rebel Army.

Progressivamente vamos tomando conhecimento da mudança no mago das trevas, que tem uma abordagem típica do anti-herói, lutando com alguns dos seus ex-pupilos, dos quais destaco Ninja Master Gara e Thunder Empress Arshes Nei. Ao bom estilo de DnD a progressão é por níveis, em que cada um dos antagonista apresenta um obstáculo distinto mas essencial para a evolução do poder de Dark Schneider.

Como habitualmente, oculto os spoilers mas confesso que Bastard!! é uma série divertida, repleta de personagens interessantes e que garante entretenimento ao longo dos 24 episódios da primeira temporada. Ao bom estilo nipónico, a batalha com Abigail, o antagonista principal, é longa e repleta de desafios, em que o nosso herói terá de superar-se para alcançar a vitória.

Acredito que não seja um anime consensual, mas é um projeto que recomendo, pelo seu humor e factor de diversão. A segunda temporada estará disponível no final deste mês, através da plataforma de streaming da Netflix.

Mulligan T.1

Num futuro próximo, a Terra é invadido pelas forças de Cardi-B, uma raça de extra-terrestres que pretende utilizar os recursos naturais do nosso planeta. De forma inesperada, Matty Mulligan e Lucy Suwan conseguem derrotar os invasores e capturar o General Axatrax.

Esta é a premissa de Mulligan, que aposta forte no humor e sátira política. Confesso que os primeiros episódios não me convenceram, mas o desenvolvimento das personagens conquistou a minha atenção. A série é composta por dez episódios e conta com nomes sonantes, tais como Dana Carvey, Tina Fey,  Phil LaMarr e Daniel Radcliffe.

Como habitualmente, vou evitar detalhes narrativos mas iremos acompanhar o quotidiano de Matty e Lucy, que são eleitos para a Casa Branca, após salvarem a Humanidade, mais especificamente os restantes 1500 sobreviventes. Com recursos limitados e sem eletricidade, existe uma tentativa de criar um Governo justo e para o Povo, algo que vai contra os princípios do Senador Cartwright LaMarr, o único político sobrevivente.

À medida que a narrativa evolui, vamos sendo confrontados com o seu passado, que está longe de ser consensual, na maioria dos casos. Adicionalmente, o General Axatrax tenta escapar de forma desesperada, recorrendo a tácticas hilariantes e que convertem Mulligan numa experiência agradável.

Em conclusão, diria que esta série leva algum tempo a atingir o seu ponto alto, mas garante entretenimento, bem assente na escrita inteligente dos argumentistas de 30 Rock e Unbreakable Kimmy Schmidt. Se procuram uma série diferente, recomendo o investimento em Mulligan, que deverá ter continuidade no decorrer do próximo ano.