Sobre Hugo Cardoso

Membro da fantástica colheita de 1978. Utilizador de . Adepto do SLB, LA Lakers e Colorado Avalanche. Entusiasta de Retro Gaming, Cinema e BD. Colecionador de Estátuas na escala 1/6. Fã #1 de Muttley, o podengo.

Street Fighter: The Animated Series

A InVision Entertainment foi o estúdio responsável pela adaptação de Street Fighter enquanto série televisiva. A narrativa é no mínimo questionável mas detalha as aventuras do Coronel Guile, o líder duma taskforce internacional, que tem o objetivo de derrotar a organização criminosa de Shadaloo.

A equipa, como já devem ter adivinhado,  tem o nome de Street Fighter e é composta por Blanka, Ryu, Ken, Chun-Li, Honda e Cammy. Ao longo de duas temporadas,  os nossos heróis vão envolver-se em batalhas constantes com Sagat, Vega, Zangief e o seu líder, General M. Bison. Ao bom estilo dos anos 90, existe um código de honra pelo qual os nossos heróis se regem: disciplina, justiça e compromisso, algo que nos é relembrado de forma constante.

A narrativa tenta explorar algumas ligações ao jogo e ao filme, mais especificamente a transformação de Blanka e a busca de vingança por parte de Chun-Li, embora falhe redondamente nessa perspectiva. A inclusão de Dhalsim acaba por ser interessante, assim como o humor presente na relação (pouco) profissional entre  Cammy e Guile, embora insuficiente para transformar esta série em algo memorável.

O meu episódio preferido da primeira temporada  é “Strange Bedfellows”, com a participação de Akuma, que resulta numa parceria improvável entre Guile e M.Bison. Os argumentistas sentiram uma clara necessidade de aumentar o nível na temporada seguinte, introduzindo personagens adicionais, das quais destaco Dee Jay, Fei Long, T-Hawk, Satin Hammer e a equipa Delta Red, a antiga unidade de Cammy.

A qualidade individual dos episódios é superior, com particular relevância para um crossover com o universo de Final Fight, também da CAPCOM, no episódio 25, em que Ken e Ryu unem esforços com o Mayor Haggar, Guy e Cody, para resgatar Jessica das garras do terrível gangue Mad Gear.

No global, considero esta série mediana, embora ganhe alguns pontos no factor nostalgia. A animação está longe de ser brilhante e a narrativa é redutora, bem ao estilo dos anos 90. Mas confesso que há algo majestoso em ouvir “Sonic Boom”, “Shoryuken”, “Hurricane Kick” ou “Spinning Bird Kick”.

Ghost In The Shell: SAC 2045 T.1

No ano de 2045, a Humanidade tenta recuperar de um crash financeiro que é apelidado de Simultaneous Global Default. Paralelamente, as quatro nações mais poderosas do Mundo mantêm a economia activa, através de uma constante guerra sustentável.

É com esta premissa que Major, Saito e Batou disponibilizam os seus serviços como mercenários, através da equipa GHOST, que utiliza os seus implantes cibernéticos e tecnologia para garantir o sucesso das missões.

Após o primeiro episódio, a equipa acaba por ser capturada pela US Delta Force, que é comandada pelo misterioso John Smith. Torna-se evidente que esta missão foi uma cilada, servindo apenas para que a equipa GHOST seja persuadida a aceitar um novo objetivo: o salvamento de Patrick Huge, um conhecido CEO.

Os primeiros episódios são algo monótonos, mas cumprem a função narrativa. A equipa realiza várias simulações em realidade virtual, para garantir o sucesso da missão, seguindo posteriormente para Beverly Hills, o local onde vai ocorrer a extração.

A operação está longe de correr bem, demonstrando que Huge é mais do que um milionário, evidenciando habilidades únicas, que colocam a equipa à prova. Após a conclusão da missão, Major e os restantes membros são levados para uma instalação secreta, onde tomam conhecimento de Gary Harts, um Sargento do Exército que possui o mesmo skillset do CEO.

Existe pouca informação recolhida acerca deste fenómeno, que é classificado como Post Humans, uma raça híbrida, que retém características humanas, conseguindo manipular tecnologia e prever os movimentos, com precisão matemática.

A pedido do Primeiro Ministro Tate, a equipa integra uma nova divisão, que trabalha em parceria com John Smith e Chief Aramaki, com a missão de deter os onze membros dos Post Humans que se encontram em liberdade pelo Mundo.

A prioridade passa por deter os três alvos que se encontram em território japonês, dando início aos derradeiros episódios desta temporada, que termina num ponto crítico, em que Togusa desaparece misteriosamente, durante a investigação de um vírus criado para recuperar memórias perdidas.

SAC 2045 é um projeto interessante, que se baseia em animação computadorizada, algo que não foi bem recebido pelo fãs de Ghost in the Shell. Apesar das personagens serem comuns, a narrativa decorre no futuro, mostrando uma realidade completamente distinta do anime e da manga.

Diria que não é para todos, e embora esta primeira temporada não me tenha convencido, ainda mantenho a ideia que posso ser agradavelmente surpreendido.

Justice League: The Snyder Cut

Cerca de três anos e meio após a estreia do filme original e após muita insistência dos fás, a DC lançou (finalmente) a visão de Zack Snyder. Segundo consta, foram filmadas inúmeras cenas novas, num investimento final de 70 milhões de dólares, que demonstra a aposta forte da DC em melhorar a qualidade final do produto.

A versão de Joss Whedon falha essencialmente no campo da narrativa, com lacunas fulcrais no que diz respeito à génese de Aquaman, The Flash e Cyborg. Adicionalmente, o vilão (Steppenwolf) é francamente genérico, sendo incapaz de transmitir uma sensação de poder cósmico insuperável. Para terminar, o CGI utilizado é no mínimo, questionável, relegando este filme para um patamar que não se coaduna com o que esperava de um projeto ambicioso como a Justice League.

Quando saíram os pormenores da nova versão, com quatro horas de duração e sobretudo, com o primeiro trailer, confesso que fiquei entusiasmado com o conceito apresentado. A visão de Snyder introduz  um universo mais sombrio, como é apanágio da DC mas ganhou o meu respeito com a integração dos primeiros três actos, que são exclusivamente reservados ao desenvolvimento das personagens. A narrativa é sólida, explanando as motivações e angústia que cada uma dos heróis ostenta, enquadrando de forma quase perfeita as decisões que vão tomar ao longo da aventura.

Steppenwolf é retratado de uma forma muito mais ameaçadora, com um CGI melhorado, que eleva o seu nível enquanto vilão. Uma das minhas cenas preferidas continua a ser a sua batalha com as Amazonas, embora tenha igualmente de destacar o embate entre os Heróis da Terra Antiga e Darkseid e a sequência final, em que a Justice League derrota o exército de Parademons.

A personagem de Barry Allen, Arthur Curry e Cyborg têm igualmente muito mais profundidade neste filme, com a integração das suas origens e adição de sequências com a participação de Henry Allen, Mera, Vulko e o Dr Silas Stone. Gostei igualmente da mudança de tom conferido a Wonder Woman e Batman, que são retratados com muito mais emoção,  conferindo uma sensação de perda e culpa pelo desaparecimento de Super-Homem. Curiosamente, Henry Cavill não tem uma participação muito ativa neste filme, mas é retratado com o poder e importância que a sua personagem deve ostentar. E a forma como a narrativa vai subindo de tom até ao seu renascimento está francamente bem conseguido, transmitindo uma sensação de grandeza, que é fundamental para justificar todos os sacrifícios realizados pela equipa.

Há muito para falar sobre este filme, mas vou evitar os detalhes que possam comprometer a vossa experiência. Dito isto, parece-me relevante destacar a (curta) participação de Darkseid, assim como o derradeiro acto, em que a narrativa apresenta uma série de possibilidades, com o aparecimento de um membro muito relevante da Justice League e um vislumbre do que poderá ser um universo alternativo, algo explorado em diversos livros da DC ao longo dos últimos anos.

No global, gostei bastante desta versão, que é claramente superior ao original. Parece-me no entanto justo salientar que a comparação é algo injusta, pelo contexto em que foi lançado e pela duração total, que nunca poderia ser a versão final para cinema.  Os dois pontos menos positivos (e secundários) deste projeto, são para mim as quebras de continuidade que resultam das filmagens novas, em que é visível as mudanças físicas nos actores e a forma estranha e pouco natural como Flash corre.

Dito isto, o Snyder Cut é uma visão que faz muito mais sentido em termos de DCU, abrindo inúmeras portas para projetos futuros, que muito provavelmente não irão contar com a maior parte dos intervenientes deste projeto. Mas é, sem dúvida, uma lufada de ar fresco, que recuperou alguma da minha esperança para o futuro cinematográfico da DC.

Bom
80%