Elevation

A narrativa decorre em Front Range, no Colorado e acompanha um grupo de sobreviventes, que vive acima dos 2400 metros de altitude. No primeiro acto, somos introduzidos à premissa narrativa, que se foca nos Reapers, uma nova raça de predadores, que surgiu do interior da Terra e aniquilou 95% da Humanidade.

Hunter, o filho de Will sofre de complicações respiratórias, resultado de deficiência nos pulmões, necessitando duma máquina para o ajudar a respirar em períodos de crise. Quando o último filtro é utilizado, surge a necessidade de entrar em território controlado pelos Reapers, na tentativa de alcançar o hospital. É desta forma simples que recebemos a maior parte da informação necessária para alimentar uma narrativa, que se foca na luta pela sobrevivência de Hunter, mas que lentamente se converte numa missão para identificar um ponto fraco nos predadores insaciáveis, que caçam através da detecção de partículas de dióxido de carbono no ar.

Elevation é um projecto de baixo custo (18 milhões), que aposta em espaços fechados, tais como o hospital e as minas para transmitir um sentimento de claustrofobia e aumentar a carga emocional. Não contem com muitas explicações, sobretudo no que diz respeito à origem dos Reapers, uma decisão que visa igualmente potenciar o mistério em redor destas estranhas criaturas.

O segundo acto narra a aventura de Will, Nina e Katie, que contra todas as adversidades, conseguem alcançar o hospital e, mais tarde, o laboratório em que Nina trabalhava. As cenas de acção estão bem conseguidas e as interpretações de Anthony Mackie e Morena Baccarin são sólidas, convertendo este projecto numa experiência agradável.

Apesar da sua simplicidade, Elevation consegue captar a atenção do espectador e, sem entrar em demasiados detalhes narrativos, envolver-nos neste universo, em que a descoberta de Will e Nina é comunicada por bandeiras e, mais tarde, via rádio.

Existe uma cena pós créditos, que lança uma potencial sequela, que, à data de elaboração deste artigo, permanece por confirmar.

Mediano
67%

The Gorge

Nos últimos meses tenho investido muito tempo na Apple+, mais especificamente em séries, mas tenho visto alguns dos filmes mais divulgados pela plataforma. Este projecto é realizado por Scott Derrickson e conta com um elenco em que se destacam os nomes de Milles Teller, Anya Taylor-Joy e Sigourney Weaver. A premissa é interessante, focando-se numa zona não identificada no planeta Terra, que requer a presença de militares de elite, para garantir a defesa de duas torres que delimitam a fronteira entre a Humanidade e algo que é apelidado de The Hollow Men.

O primeiro acto introduz as personagens principais (Levi e Drasa), dois snippers que lidam com o que pode ser considerado síndrome traumático de stress. Ambos são recrutados para patrulhar e defender um desfiladeiro isolado (Gorge), com a ajuda de mina terrestres, drones e torres automáticas. A missão tem a duração de um ano, não sendo permitido qualquer contacto com o operativo que se encontra na torre oposta. A narrativa vai explorar o mistério inerente à ameaça, assim como a relação que vai ser criada entre ambos.

Apesar de ser um filme com muita acção, The Gorge foca-se igualmente na relação entre os dois protagonistas, tentando humanizá-los com flashbacks e pequenos momentos que visam quebrar a solidão inerente à sua profissão. Confesso que esperava mais, sobretudo tendo em conta o elenco escolhido. Na minha opinião, estamos perante um filme mediano, que pouco ou nada acrescenta ao género.

O terceiro acto está repleto de cenas de ação e revela por completo o mistério, levando a uma luta pela sobrevivência de Levi e Drasa. Se procuram o típico filme pipoca, diria que esta é uma boa escolha. A premissa é muito interessante, mas, no final, The Gorge acaba por cair nos clichés do género, o que diminui substancialmente o meu nível de satisfação para com este projecto.

Caso tenham visto este filme, convido-vos a partilhar o feedback e iniciar um debate construtivo.

Mediano
65%

Argylle

O mais recente projecto de Matthew Vaughn é essencialmente um filme de espionagem, com uma forte componente de humor. A premissa centra-se em Elly Conway, uma escritora bastante reservada, que criou Argylle, um super-espião que faz as delícias dos seus fãs.

O primeiro acto contém uma cena de ação épica, que decorre num comboio, onde somos introduzidos a Aidan Wilde, um espião que protege Elly de uma tentativa de rapto. Ficamos a saber que The Division, uma organização secreta, pretende recrutar os seus serviços, no sentido de localizar um ficheiro que contém informação sensível. O mais extraordinário é o facto dos seus livros detalharem informação absolutamente real, o que adensa o mistério.

Este filme, conforme referi, é uma comédia, que não se leva muito a sério, combinando cenas de ação com humor constante. A relação entre os dois protagonistas é o clássico amor-ódio, que acaba por sofrer alguns twists, ao longo dos 139 minutos. O elenco conta com nomes sonantes, tais como Henry Cavill, Bryce Dallas Howard, Sam Rockwell, Bryan Cranston, Catherine O’Hara, Dua Lipa, John Cena e Samuel L Jackson.

A narrativa é básica, embora se esforce em criar momentos imprevistos. Apesar de terem uma presença reduzida, Cavill e John Cena são hilariantes, acabando por ofuscar o duo principal, composto por Sam Rockwell e Bryce Howard. Está muito longe de ser algo memorável, mas garante entretenimento, sobretudo pelas cenas de ação, que chegam a roçar o ridículo.

Diria que o ponto mais negativo é a excessiva duração do segundo acto, que pouco contribui para o resultado final. Se procuram o típico filme pipoca, esta pode ser uma boa opção.

Mediano
64%