John Wick 4

O quarto episódio da saga de “Baba Yaga” é possivelmente o mais frenético, retomando os eventos de Parabellum. O primeiro acto tem início em Marrocos, local em que John assassina The Elder, um dos elementos principais da High Table, o que vai desencadear uma verdadeira caça ao homem, que iremos acompanhar ao longo deste filme.

O vilão deste quarto capítulo é o Marquês Vincent Bisset de Gramont, um dos elementos proeminentes da High Table e  que tem um plano maquiavélico para derrotar John.  Dito isto, o New York Continental é totalmente destruído e Winston é excomungado, perdendo igualmente o seu concierge, Charon.

Através de chantagem com a vida da sua filha,  Caine, um assassino reformado e amigo de Wick, é envolvido nesta trama. O primeiro acto decorre no Continental de New York e Osaka, em que ocorrem cenas de ação verdadeiramente épicas, algo que será recorrente ao longo dos 169 minutos de filme.

No que diz respeito a novas personagens, destaque para Caine, Akira, Mr Nobody, Killa Harkan, Shimazu Koji e The Harbinger, que contribuem para elevar o lore associado a este universo da High Table.

A narrativa permanece um elemento secundário, o que funciona de forma perfeita, focando a nossa atenção nas cenas completamente irrealistas que ocorrem a caminho do Sacré-Coeur. onde decorre o duelo final entre John e Caine.

Apesar do final ser aberto e sugerir uma nova aventura, sobretudo devido à cena pós créditos, este é um filme que encerra o arco narrativo associado a John Wick. Na minha opinião, esta é uma franquia marcante neste género, com muitas personagens icónicas, para além de ter gerado um spin-off, que terá a participação de Anna De Armas.

É sem dúvida um projecto que recomendo sem hesitação e que lidera o meu ranking de filmes para este ano.

Bom
83%

The Super Mario Bros. Movie

Três décadas após o lançamento do live action de Mario, a Nintendo recorreu à animação para relançar a sua franquia mais icónica. Assim sendo, a escolha recaiu em nomes como Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Seth Rogen e Fred Armisen, o que me deixou francamente entusiasmado. No entanto, a cereja no topo do bolo foi a inclusão de Shigeru Miyamoto, como produtor, garantindo o selo de qualidade que fez de Mario um ícone dos videojogos.

A narrativa é simples e tem início em Brooklyn, onde Mario e Luigi tentam começar um negócio de canalização. O humor é uma constante, bem complementado com a história familiar dos dois irmãos, que vão tentar salvar a cidade de uma inundação. A origem do problema é um Warp Pipe, que catapulta Mario para o Mushroom Kingdom e Luigi para as Dark Lands.

Lentamente, vamos conhecer ambos os mundos e os seus habitantes, com destaque para a Princesa Peach, Toad, Kamek e Bowser. Existem momentos verdadeiramente icónicos, que estão ligados aos videojogos,  tais como a inclusão do Cat Suit e Tanooki Suit. O fan service contido nestes 92 minutos é assinalável, com momentos inspirados em Mario Kart e com alguns easter eggs (a arcade de Donkey Kong e a presença de Charles Martinet) francamente memoráveis.

Gostaria igualmente de destacar o fantástico trabalho de Jack Black, no papel de Bowser e todo o mundo de Jungle Kingdom, em que vamos assistir ao duelo entre Mario e Donkey Kong. O derradeiro acto junta as diversas facções numa batalha pela sobrevivência, com o (in)esperado regresso a Brooklyn, para o duelo entre os dois irmãos e o Líder dos Koopa.

The Super Mario Bros. Movie é uma viagem nostálgica pelo maravilhoso mundo da Nintendo, que consegue incorporar inúmeras referências que serão familiares ás duas gerações que representam o público alvo deste filme. A narrativa, apesar de simples, funciona muito bem e garante a quota parte de entretenimento que todos nós ambicionávamos.

À data deste artigo, a receita de bilheteira atingiu os 1.3 mil milhões de dólares, convertendo este projeto no mais lucrativo de 2023, pelo que será provável a existência de uma sequela. Aliás, existe uma cena pós-créditos que introduz outra personagem icónica do Mushroom Kingdom.

Bom
81%

The Girl with All The Gifts

Num aparente futuro próximo, a Humanidade luta pela sobrevivência, em seguimento de um parasita fúngico que converte os infectados em zombies. O primeiro ato decorre numa instalação militar, em que jovens crianças estão a ser educadas nas mais diversas disciplinas. Ficamos igualmente a saber que os humanos utilizam um creme que inibe o seu odor, tornando-os invisíveis para os zombies.

As crianças são híbridos, que evoluíram num ventre humano, mantendo a capacidade de raciocínio lógico. A forma como são tratados pelo humanos é um dos pontos mais marcantes do filme, mas uma jovem, Melanie, converte-se na derradeira esperança, dado que consegue suprimir parcialmente a “fome” de consumir carne humana. Quando está prestes a ser dissecada, é resgatada por Helen Justineau, a sua professora, que a consegue retirar do complexo militar, que entretanto foi destruído por um ataque zombie.

No segundo ato acompanhamos a aventura de Melanie, Helen, a Dra Caroline Caldwell, o Sargento Eddie Parks e o soldado Kieran Gallagher. A sua missão passa por comunicar com a base e solicitar resgate, no sentido de criar uma vacina que possibilite a sobrevivência da raça humana. Como habitualmente, vou evitar os spoilers, mas quero destacar a narrativa, que é muito fluida e cria empatia com as personagens, que tomam decisões impossíveis com base num contexto único.

As interpretações estão bem conseguidas, com destaque para Gemma Artenton, Sennia Nanua e Paddy Considine. O desfecho final é igualmente fora da caixa, algo que me agrada e eleva este filme a uma experiência extremamente agradável e que recomendo. Esqueçam os conceitos pré-concebidos dos zombies e preparem-se para algo diferente e que, na minha opinião, é totalmente refrescante.

Bom
70%