Shazam! Fury of the Gods

Billy Batson e a Shamazily estão de regresso para mais uma aventura, que ocorre dois anos após os eventos do filme original. Desta feita, os vilões são Hespera, Kalypso e Anthea, as filhas de Atlas, que pretendem recuperar o bastão do Feiticeiro e utilizar os seus poderes para dar vida ao seu antigo Reino.

A narrativa mantém o humor característico, intercalada com muita ação e a inevitável imaturidade dos jovens heróis, que se revelam incapazes de trabalhar em equipa. Aliás, a própria  imprensa utiliza de forma pejorativa o termo The Philly Fiascos, numa clara referência à disfuncionalidade deste grupo de super-heróis.

De forma a humanizar e gerar empatia, David F. Sandberg concentra alguma atenção nas dores de crescimento dos jovens, mais especificamente o facto de estarem a atingir a maioridade, o que impossibilita a sua permanência com a família de adopção. O primeiro acto é, na minha opinião, o mais interessante deste projeto, que vai decaindo de qualidade com o avançar da (previsível) narrativa.

O CGI utilizado cumpre a função, mas a utilização de elementos sobrenaturais acrescentam pouco ao produto final. Adicionalmente, as vilãs estão longe de serem memoráveis, o que é sempre lamentável, sobretudo quando consideramos a qualidade do casting realizado (Helen Mirren, Lucy Liu, Rachel Zegler, etc). No entanto, parece-me justo frisar que a decisão de realizar novo reboot na DCU não ajudou em nada à promoção deste filme, que foi um fiasco em termos de receitas de bilheteira.

Pessoalmente, considero esta sequela inferior ao projeto original, mas se procuram um filme pipoca, que vos ocupe durante duas horas, esta pode ser uma escolha acertada. Para terminar, quero apenas salientar que temos um cameo relevante e que existem duas cenas pós créditos, que lamentavelmente não terão qualquer seguimento.

Mediano
65%

Batman: The Doom That Came to Gotham

Baseado no universo ElseWorlds da DC, a narrativa decorre em 1920, numa expedição ao Ártico, com o intuito de localizar o Prof. Oswald Cobblepot e a sua expedição. Bruce Wayne acaba por localizar o barco, encontrando um cenário de morte e destruição, que irá libertar uma poderosa força maligna.

O material original foi escrito pela dupla Mike Mignola/Richard Pace, sendo notória a ligação ao sobrenatural. Sem desvendar muito da narrativa, posso adiantar que o primeiro acto transporta-nos para uma Gotham em que impera a lei-seca e onde alguns dos vilões e heróis que conhecemos são apresentados de uma forma distinta.

Conforme mencionei, a utilização do oculto e magia é recorrente, o que coloca em causa a racionalidade de Batman. Adicionalmente, existem momentos em que é evidente a inspiração na obra de H.P.Lovecraft (The Doom That Came To Sarnath), com o recurso a personagens místicas tais como Etrigan,  Ra’s al Ghul e Cthulhu.

Apesar do casting ter bons actores, a realidade é que não fiquei convencido com algumas escolhas, o que acabou por retirar um pouco do meu interesse neste projeto. Apesar de ser interessante o caminho escolhido para Green Arrow, Mr Freeze, Killer Croc, Poison Ivy e Two-Face, tudo o resto acaba por ser demasiado forçado, terminando com uma batalha pouco satisfatória.

Dito isto, considero que este filme é interessante, por ser uma aventura ElseWorlds, embora não me tenha cativado, sobretudo com as escolhas realizadas no derradeiro acto. Para os fãs da DC, esta pode ser uma alternativa sólida, motivo pelo qual sugiro que invistam cerca de 90 minutos em The Doom That Came to Gotham.

Mediano
68%

Acts of Vengeance

Frank Valera é um advogado talentoso, com o dom de libertar muitos dos seus clientes com base em pormenores técnicos. Essa atitude condiciona a sua disponibilidade familiar, impedindo a sua presença num evento escolar, que resulta no assassinato da sua família. Para complicar ainda mais a situação, Frank recebe um video da sua esposa, com a interpretação de Olivia.

O crime ocorre em circunstâncias peculiares, com uma única prova forense, que consiste nuns fios dourados, que podem ser encontrados em vários tipos de roupa. Frank começa a ficar frustrado, recorrendo periodicamente a reuniões com o Detetive Bill Lustiger, que sugere aguardar por novos desenvolvimentos. Com o passar do tempo, Valera começa a recorrer ao álcool e mais tarde, a lutas ilegais, com o objetivo de escapar à sua dor. É precisamente neste elemento que encontra Hank Strode, um dos polícias da esquadra que investiga o assassinato de Susan e Olivia Valera.

O livro “Meditações”, de Marco Aurélio, tem um papel fundamental na narrativa, alterando radicalmente o foco e conduta do advogado. Frank faz um voto de silêncio até encontrar o responsável pelo crime, iniciando um percurso violento e que o levará a enfrentar a máfia russa e ajudar Alma, uma enfermeira duma zona pobre da cidade.

Sem colocar spoilers, a investigação pessoal de Valera coloca-o finalmente em confronto direto com o assassino, no derradeiro terceiro acto de Acts of Vengeance. O filme está longe de ser memorável, mas tem boas interpretações de Antonio Banderas, Karl Urban e Paz Vega. A narrativa é algo previsível mas a ação consegue ser fluida o suficiente para garantir a atenção do espectador, convertendo-se numa experiência agradável.

Mediano
68%