Knives Out

Rian Johnson reuniu um elenco de luxo para narrar a história por detrás do assassinato de Harlan Thrombey, um conhecido escritor, ligado a obras de crime e suspense. Ao longo dos mais de 120 minutos de duração deste filme, vamos conhecendo os membros da família, as suas motivações e os pontos mais obscuros do seu passado.

Benoit Blanc é o detective encarregue de investigar o caso, com o auxílio do Tenente Elliot, que tentam a todo o custo encontrar o “buraco do donut” num caso que tem contornos peculiares. Marta Cabrera, a enfermeira de Harlan, torna-se na parceira improvável de Blanc, pelo simples facto de sofrer de uma condição que a faz vomitar caso minta.

Knives Out tem um tom leve, com alguns momentos cómicos mas que explora a disfunção familiar dos Drysdale, associado à capacidade inata de sobrevivência do ser humano. Com o evoluir da narrativa, a máscara da maioria das personagens vai caindo, revelando as sua reais intenções e o próprio final (sem spoilers) valoriza a recompensa de realizarmos boas acções.

Conforme referi no parágrafo inicial, o elenco é soberbo, com destaque para Daniel Craig, Chris Evans, Don Johnson, Christopher Plummer e Jamie Lee Curtis. O detective Blanc é uma curiosa simbiose de Sherlock Holmes e Poirot, mas com sotaque típico do Sul, que fomenta alguns momentos hilariantes ao longo da narrativa.

Para terminar, diria que estamos perante um projecto que difere da norma de Hollywood e que tem uma sequela confirmada. Numa fase em que atravessamos uma inesperada quarentena, Knives Out é uma agradável surpresa, que alcança a honrosa (cof cof) recomendação do Portal Pessoal.

Bom
75%

Terminator: Dark Fate

Tim Miller é o realizador que tenta recapturar a essência da saga Terminator, que volta a contar com a colaboração (produção e co-argumento) de James Cameron. Desta vez, vamos acompanhar a história de Dani Ramos, que se irá converter na salvadora da Humanidade, muito ao estilo de John Connor.

Existem muitas similaridades com os dois filmes iniciais, embora exista uma tentativa de enquadrar esta aventura na timeline da saga. Sem colocar spoilers, são enviados dois elementos do futuro: Grace, uma cyborg que tem como missão a proteção de Dani e um Exterminador, modelo Rev-9, que é praticamente indestrutível e tem a capacidade de se duplicar.

O primeiro acto serve essencialmente para definir a premissa do parágrafo anterior, para além de explicar a história de Sarah Connor, que acaba por ter um papel relevante no desfecho final. As cenas de ação estão bem conseguidas e apesar de existirem alguns momentos inesperados em termos de narrativa, a realidade é que Dark Fate nunca consegue alcançar o patamar seguinte.

Como habitualmente, vou evitar os spoilers mas considero que, apesar de tudo, este é o terceiro melhor filme da saga. Diria que a presença de Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger são fundamentais para o aumento de qualidade na narrativa, que tem em Grace a sua personagem mais forte, em parceria com Gabriel Luna, que tem um extraordinário desempenho no papel de Rev-9.

Para terminar, diria que Dark Fate é um bom filme pipoca, que consegue melhorar o caminho seguido em Salvation e Genisys, apesar de ter sido uma desilusão em termos de receita de bilheteira.

Mediano
71%

Detective Pikachu

Tenho estado lentamente a colocar em dia o meu backlog de cinema e séries. Nessa lista, constava a visão de Rob Letterman acerca do universo Pokémon. A narrativa revela-nos um mundo em que a Humanidade vive e trabalha em harmonia com estas criaturas, sem nunca entrar em detalhes acerca da sua génese ou origem.

Harry Goodman é vítima de um acidente de viação, com alguns contornos inexplicáveis, o que leva a que o seu filho Tim inicie uma investigação, em parceria com o Detective Pikachu, antigo parceiro do seu pai. Esta aventura vai levar os nossos heróis a tentar juntar as peças do puzzle, que envolvem uma estranha substância e uma conspiração que envolve as mais altas patentes de Ryme City.

O CGI e o universo criado é soberbo, sem cometer o erro de ostracizar quem desconhece o lore de Pokémon. Ryan Reynolds é claramente a âncora da narrativa, realizando de forma perfeita a simbiose entre as cenas de ação e a comédia inerente.

O elenco de Detective Pikachu é complementado com dos nomes de peso, Ken Watanabe e Bill Nighy, que conferem o elemento de seriedade que torna este filme numa experiência agradável, apesar de não ser deslumbrante. Se procuram um filme divertido e sem compromisso, esta é sem dúvida uma excelente escolha.

Mediano
68%