The 100 T.7

A derradeira temporada desta série peca por tardia, na minha opinião. Sou um fã das primeiras duas temporadas, que se focaram nos Grounders e apreciei os eventos que levaram à City of Light e a A.L.I.E. Tudo o resto é uma amálgama de ideias, que funciona nalguns episódios mas que se desmorona por completo no contexto de uma temporada.

Dito isto, existem pontos positivos neste fecho de ciclo. A história da Dra Becca Franco é interessante e a luta pela Transcendência, um conceito novo que é introduzido, ajuda a superar algumas decisões terríveis por parte dos argumentistas. Cadogan e Sheidheda são os grandes antagonistas da sétima temporada e após um começo auspicioso, com dois episódios francamente bons, regressamos a uma narrativa sem sentido, com decisões que se desviam por completo do pré-estabelecido para as personagens.

A grande moral passa por descobrir que o Teste não é uma batalha mas sim um evoluir da mente, que permite aos humanos ascender e colocar um fim ao ciclo de violência que nos caracteriza. O final escolhido é absolutamente desolador, matando novamente uma série de personagens marcantes, em momentos completamente aleatórios e que desvaloriza os sacríficios realizados.

Confesso que esperava muito mais, sobretudo após os primeiros episódios, mas existe um desfecho, que alguns podem considerar feliz, face aos acontecimentos. Tendo em conta a viagem incrível de Octavia, Murphy, Raven, Clarke, Bellamy e muitos outros, esta série merecia um final épico para poder marcar uma era no género de ficção científica.

Se procuram algo violento, com decisões impossíveis e uma narrativa frenética, esta é uma opção a considerar. As personagens são fortes mas preparem-se para um decréscimo qualitativo ao longo das temporadas, que vai certamente influenciar a vossa opinião final acerca deste projeto.

The Last of Us

As adaptações de videojogos continuam a ser o calcanhar de Aquiles de Hollywood, que parece incapaz de recriar os universos únicos destes IP. Dito isto, fiquei relutante ao tomar conhecimento deste projecto, que conta a história de Joel Miller e Ellie, dois sobreviventes num mundo pós-apocalíptico, repleto de clickers, que são uma espécie de zombies, controlados por esporos.

A narrativa é muito orgânica, desenvolvendo as personagens de forma quase perfeita, num misto de flashbacks e eventos actuais. Todas as suas inseguranças e receios são expostos de forma constante, reforçando uma ligação que vai ficando mais sólida à medida que a narrativa vai progredindo. O passado de Joel acaba por ser decisivo na forma como se torna protector em relação a Ellie, com decisões altruístas que são francamente inesperadas face ao seu sentido de auto-preservação.

Como habitualmente, gosto de evitar os spoilers, mas tenho de destacar dois episódios, que são do melhor que vi em TV nos últimos anos. Estou a referir-me ao episódio 3, em que conhecemos a história de Bill and Frank e o episódio 5, em que vamos acompanhar a saga de Henry e Sam.

A segunda temporada deverá ser disponibilizada no segundo semestre de 2025 e estou curioso para confirmar o caminho seguido. Caso optem por manter-se fiéis ao material original, teremos mudancas drásticas e que podem alterar por completo a dinâmica daquela que é facilmente a melhor adaptação de um videojogo.

Para concluir, quero apenas destacar a presença de Anna Torv e Gabriel Luna, no papel de Tess e Tommy, que conseguem elevar a fasquia no que diz respeito a interpretações marcantes.

Esta é sem dúvida, uma série a não perder!

The 100 T.6

A sexta temporada traz uma mudança radical, com um período de hibernação de 125 anos. A Eligius IV chega finalmente ao seu destino e a equipa começa lentamente a ser acordada por Jordan, o filho de Monty e Harper. O grande mote passa por “fazer melhor”, em seguimento de um vídeo gravado por um dos membros da equipa.

Apenas alguns dos membros da equipa são acordados, de forma a explorar o planeta e garantir que não existem ameaças na superfície. Diria que a premissa para esta temporada é muito interessante e, na primeira metade, funciona de forma exemplar. Clarke, Bellamy e companhia vão encontrar uma civilização de descendentes da primeira nave exploratória mas rapidamente se apercebem que nem tudo é o que aparenta ser.

A fauna e flora tornam-se hostis durante um ciclo específico da Lua, que é conhecido por Red Sun Elipse. Adicionalmente, vão ser identificadas duas fações que têm ideias e conceitos antagônicos para o destino da comunidade, que é designada como Sanctum. Estou obviamente a evitar os spoilers, mas permitam-me destacar as personagens do Dr Gabriel Santiago, Russell Lightbourne VII e Josephine Lightbourne.

Na minha opinião, o ponto mais negativo é precisamente o recuperar de conceitos e ideias das temporadas anteriores, que pouco acrescentam à narrativa. Voltamos a ter a morte de várias personagens relevantes, em circunstâncias que desvalorizam por completo o sacrifico e trajecto anterior, o que francamente não me faz sentido.

Para garantir o inevitável impasse, temos uma revelação referente à Anomalia Temporal, um fenômeno que é alvo de estudo do Dr Santiago há décadas e que aparenta ser um dispositivo de viagem no tempo,