Transformice

Transformice é um jogo independente que foi lançado em 2010 pela dupla francesa Melibellule e Tigrounette e que tem um ênfase elevado na cooperação entre jogadores. Confesso que me traz recordações de Lemmings, tendo em conta que certos níveis apresentam uma similaridade incrível, o que é sempre positivo na minha opinião.

Neste jogo, vamos controlar um rato, que tem como objetivo capturar o queijo e regressar à sua toca. Tudo parece fácil, mas a realidade é que existem dezenas de jogadores no écran simultâneamente, sendo o mais experiente o Shaman, uma espécie de super-jogador, que tem acesso a objetos, power-ups e extras que ajudam os restantes a ultrapassar os mais variados desafios.

Gosto particulamente da chatroom, que nos permite interagir com os restantes utilizadores e definir estratégias para os níveis mais complexos. A jogabilidade é fantástica e a curva de aprendizagem reduzida, o que faz de Transformice um belo vício para aqueles momentos de tédio. Recomendo que o testem no Poki e estejam à vontade para dar o vosso feedback na caixa de comentários.

Aqui temos a prova que com a premissa acertada, até o jogo mais básico pode ser uma experiência fantástica.

Ender´s Game

A obra literária de Orson Scott Card é o ponto de partida para esta adaptação, que nos conta a história de Ender, uma criança sobredotada que vai ser treinada para liderar a Humanidade na sua maior batalha de sempre.

A premissa é simples: cinquenta anos após uma invasão frustrada por parte dos Formics, o Planeta Terra lança uma contra-ofensiva que visa aniquilar essa espécie e recorre a crianças para liderar a frota. A capacidade de análise táctica e adaptabilidae é o motivo invocado para tal escolha, que acaba por ser questionada diversas vezes por todo o filme.

Tendo lido a obra original, confesso que a adaptação para Hollywood fica muitos furos abaixo, o que seria expectável e frequente neste tipo de projectos. Existem pontos importantes que são omitidos da narrativa e que na minha opinião influenciam a interpretação do espectador. O livro tem o poder de nos envolver imenso na experiência e evolução da moralidade de Ender, que vai questionando os seus métodos e proporciona vários momentos de pensamento livre, em que tentamos compreender os efeitos nocivos de tal evento na mente de uma criança.

Em termos do filme, Harrison Ford, Viola Davis e Ben Kingsley têm uma boa presença, mantendo o nivel de qualidade que Ender´s Game necessita mas como referi fica aquém das minhas expectativas. Quem estiver interessado num filme de ficção científica deve ver os 120 minutos por completo mas na minha opinião sugiro que leiam o livro, que é francamente superior e tem um desfecho mais completo e que traz muito sentido a toda a experiência que envolve Ender.

Como é habitual evitei os spoilers, pelo que não vou entrar em detalhes mas caso tenham lido a obra e queiram discutir alguns pontos estejam à vontade para utilizar a caixa de comentários.

Primeval

Sou um fã das séries britânicas, sobretudo as que estão direccionadas para a ficção científica, pelo que Primeval me pareceu uma escolha interessante. A premissa é simples e envolve o aparecimento de anomalias, que estão ligadas ao Passado, o que leva à criação de uma equipa liderada por Nick Cutter, que tem como missão explorar e identificar a causa do fenómeno. No fundo, as anomalias são portais temporais para tempos antigos, ou pelo menos assim o julgamos nas primeiras duas temporadas. A vilã é Helen Cutter, a ex-mulher de Nick, que se julgava morta há vários anos mas que se torna uma espécie de fundamentalista, disposta a tudo para acabar com a raça humana.

Se na primeira parte da temporada inicial os episódios são muito ao estilo monster of the week a segunda traz-nos o enredo e algumas alterações muito interessantes em termos de direcção. Começamos a ser confrontados com alterações no futuro, viagens no tempo e conspirações aos mais diversos níveis. Confesso que gostei bastante das duas primeiras temporadas mas Primeval padece de um mal que no meu entender condena a série ao insucesso: as constantes mudanças no elenco. E esta é altura em que faço o habitual aviso acerca dos spoilers.

Não faz qualquer sentido a morte de Stephen Hart e muito menos a de Nick Cutter, que eram claramente o núcleo duro da equipa. As temporadas seguintes mantêm Abby e Connor Temple mas nunca conseguem atingir os níveis de qualidade do início, o que é curioso tendo em conta que o orçamento é muito superior nas temporadas 3 a 5. Danny Quinn é uma adição interessante à equipa, sobretudo pela sua conduta pouco convencional e pelo meio, temos mais um desaparecimento (Sarah Page), desta vez sem que tenhamos sequer uma explicação. Pelo que consegui pesquisar, a série teve sempre muita dificuldade em ser renovada, o que afastou alguns actores do projecto e condiciona a qualidade do produto final.

Houve uma última tentativa com a introdução de Alexander Siddig (Dr. Bashir de DS9) e reconheço que a série evoluiu mas sem nunca deslumbrar. A temporada 5 tem apenas 6 episódios e termina totalmente em aberto, sendo pouco provável que exista continuidade, sobretudo se pensarmos que já passaram três anos. Em suma, Primeval poderia ter sido marcante, até porque combina vários conceitos de outras séries mas a constante mudança de actores e a dificuldade em renovar as temporadas leva a que seja uma série interessante mas que não posso recomendar.