The X-Files T.10

Os Ficheiros Secretos marcaram sem dúvida uma era, apesar de não ser um entusiasta das três últimas temporadas. Em termos cinematográficos, o cenário foi no mínimo catastrófico, com duas aventuras completamente deslocadas de contexto e que em nada ajudaram no sentido de dar “a conclusão” necessária à série. Por esse motivo, quando li que Chris Carter pretendia criar mais seis episódios, fui invadido por um misto de optimismo e cepticismo, mas resolvi, por fim, dar uma derradeira oportunidade.

O ponto mais forte deste regresso é o facto de continuar a existir “a química” entre Mulder e Scully, factor fundamental para o sucesso da série original. Existem algumas boas ideias, nomeadamente no primeiro episódio, com a tentativa de seguir um caminho diferente, mais científico, mantendo a conspiração governamental como pano de fundo. Infelizmente essa virtude é insuficiente para elevar a narrativa ao patamar necessário, tornando os restantes episódios numa sátira ao original, com episódios repletos de cenas cómicas e completamente desajustadas da premissa dos Ficheiros Secretos.

O último episódio acaba por ser dos melhores, terminando num gigantesco impasse, numa clara tentativa de forçar a continuidade desta décima temporada. Confesso que entrei com expectativas baixas para esta experiência, pelo que não me sinto desiludido. Penso no entanto que a franchise merecia mais respeito, apesar de reconhecer potencial a personagens como a Agente Einstein, Agente Miller e Tad O´Malley.

Qual é a vossa opinião relativamente a este regresso de Mulder e Scully? Os episódios foram do vosso agrado? Gostariam que a série fosse renovada? Como sempre, convido-vos a partilhar ideias na caixa de comentários.

The Martian

Com o final de 2015, tive finalmente a oportunidade de colocar alguns filmes em dia. The Martian, realizado por Ridley Scott, estava no topo da lista, pelo que está na altura de partilhar a minha experiência convosco.

Mark Watney é um dos membros da mais recente missão a Marte, que é interrompida quando o planeta é assolado por uma forte tempestade. A caminho da nave, Mark é atingido por destroços e é dado como morto, ficando abandonado no planeta vermelho. A partir desta altura, inicia-se uma batalha pela sobrevivência, com a necessidade de interligar a ciência com a capacidade de manter a sanidade mental.

A especialidade de Witney é a botânica, o que se revela essencial para o seu plano de subsistência, que consiste em criar uma estufa e plantar batatas, prolongando as suas possibilidades de atingir um local de extracção e comunicar à NASA o seu paradeiro. Sem colocar muitos spoilers, o nosso herói acaba por conseguir utilizar a Pathfinder para transmitir uma mensagem para a Terra, iniciando-se uma corrida contra o tempo, na tentativa de resgatar o astronauta.

A narrativa está bem conseguida, embora por vezes seja algo previsível. O elenco é sólido, com destaque para Matt Damon, Jessica Chastain, Jeff Daniels, Chiwetelu Ejiofor e Sean Bean. Considero que o filme acaba por ser demasiado longo (144 minutos) mas ganha pontos nalguns momentos geniais, tais com a alusão ao Senhor dos Anéis e à música dos anos 80, que é proeminente.

No global, The Martian é um bom filme, que consegue relatar a experiência de solidão e de sobrevivência no limite, suportada numa boa interpretação de Matt Damon. No entanto, discordo do hype que se gerou em redor deste projecto, que é francamente inferior a Gravity ou Interstellar.