A Quiet Place

John Krasinski realiza e interpreta uma das personagens principais de A Quiet Place, um filme que nos mostra uma invasão alienígena completamente distinta do padrão a que Hollywood nos habituou. Para complementar, a produção fica a cargo de Michael Bay, que é conhecido pelo uso excessivo de pirotecnia e cinematografia muito própria, algo que é completamente esquecido nesta produção.

O primeiro acto mostra-nos uma família em busca de mantimentos numa loja, na tentativa de sobreviver a algo que se assemelha a um evento cataclísmico. Imediatamente somos confrontados com a utilização de linguagem gestual, sendo notório a necessidade de reduzir o nível de barulho. Esta é a grande premissa do filme, que nos apresenta um Planeta Terra consumido por estranhas criaturas, sedentas de sangue, que são hiper-sensíveis ao som.

Sem colocar spoilers, algo irá suceder que afecta de forma muito negativa a família Abbott, cuja história vamos acompanhar ao longo da narrativa, no ano de 2020. Um dos pontos mais interessantes é a escassez de diálogos, que é complementada por linguagem gestual e pequenos pormenores deliciosos, como o vento ou as expressões corporais das várias personagens.

Um dos meus momentos favoritos é a cena da cascata de água, em que Lee e Marcus partilham uma experiência libertadora ao gritarem sem medo de serem ouvidos. A narrativa é poderosa e permite-nos acompanhar as lutas interiores, os medos e receios de todos os intervenientes e a forma como lidam com a perda.

O segundo acto assenta na gravidez de Evelyn, cujas águas rebentam precisamente na altura em que existe uma invasão de criaturas, criando um obstáculo complexo, face à necessidade de não fazer barulho. Digamos que a solução é criativa mas colocará em perigo toda a família, que terá de encontrar alternativas que lhes permitam sobreviver a este ataque.

Em termos de interpretações, o filme está muito bem conseguido, conseguindo criar um ambiente de medo, em que nos preocupamos genuinamente com as personagens. Está longe de ter um final feliz, algo que me agradou, sobretudo porque está praticamente confirmada a sequela. Posso com toda a certeza dizer que foi uma agradável surpresa e um filme que recomendo vivamente a todos os leitores.

Extinction

Na minha lista de destaques para 2018, marquei este filme como um dos meus dark horses, por sentir que poderia trazer algo de diferente ao género de ficção científica. Como tem sido apanágio recentemente, a Netflix apoiou o projecto, tendo disponibilizado o filme no dia de ontem (28 Julho).

À primeira vista, podemos pensar que se trata “apenas” de um filme de sci-fi, mas na realidade existem camadas mais profundas, que tentam mostrar como seria uma sociedade sem conflito e focada nas relações sociais.

Peter (Michael Peña) começa a ter sonhos recorrentes que apresentam uma invasão alienígena, com o intuito de eliminar a raça humana. É precisamente essa narrativa que vamos acompanhar, assim como as implicações familiares inerentes. A recusa em consultar um médico leva a que sua esposa Alice tenha dúvidas sobre o seu estado de saúde mas os sonhos passam rapidamente à realidade, dando início à luta pela sobrevivência.

Os atacantes não revelam as suas intenções e parecem apenas interessados em aniquilar qualquer sobrevivente, o que adensa o mistério em redor da invasão. É uma regra minha evitar os spoilers e acreditem este filme tem um gigantesco twist, pelo que vos recomendo que vejam Extinction e utilizem a caixa de comentários para debatermos algumas ideias.

No geral, considero o filme competente, apresentando boas ideias, em redor de um casting em que destaco Peña, Mike Colter e Lizzy Caplan. Extinction tenta conjugar ação, narrativa e uma premissa que assenta na criação de laços com as personagens, para posteriormente surpreender com um cenário em que se as fronteiras da nossa moralidade são questionadas.

Não sendo brilhante, gosto de um filme que nos força a racionalizar e ponderar cenários distintos. Se possível, invistam 90 minutos neste projecto da Netflix.