Bird Box

Baseado na obra literária de Josh Malerman, Bird Box mostra-nos uma sociedade dizimada por um misterioso acontecimento apocalíptico. No que concerne a narrativa, vamos acompanhar a luta pela sobrevivência de Malorie, uma mãe solteira grávida, que se vê barricada numa residência suburbana com vários desconhecidos.

O primeiro acto serve, como habitualmente, para apresentar as várias personagens e as suas motivações. Pessoalmente, considero fascinante a evolução das personalidades, sobretudo no que diz respeito ao instinto primário de selecção natural, que se sobrepõe por completo à humanidade e sensatez inicial.

Com o desenrolar dos eventos, chegamos à conclusão que existem entidades que levam os humanos à loucura apenas com o simples olhar, o que gera a necessidade de utilizar vendas nas diversas incursões realizadas no exterior, em busca de mantimentos.

Como habitualmente, não vou colocar spoilers mas posso adiantar que a narrativa inverte cronologicamente os acontecimentos, regredindo cinco anos e demonstrando a mudança drástica na situação de Marjorie, que a força a iniciar uma viagem perigosa pelo rio em busca de uma colónia de sobreviventes.

Bird Box é sem dúvida um filme interessante, com uma boa interpretação de Sandra Bullock e John Malkovich. Existem várias premissas de comportamento humano que são fascinantes, com destaque para o (inesperado) desfecho final.

Se são subscritores de Netflix, recomendo que invistam duas horas neste projeto de Susanne Bier, mas sem expectativas demasiado elevadas.

Gravity

Desde o momento em que vi o trailer deste filme que fiquei com enorme curiosidade. Hoje tive finalmente a oportunidade de o ver em IMAX 3D e posso afirmar com convicção que foi um sucesso. À primeira vista, Gravity representa um desafio enorme, dado que tem apenas quatro actores (sendo que um deles apenas dá a voz à torre de controlo de Houston), o que significa que as interpretações necessitam de ser muito convincentes. Nesse aspecto, Sandra Bullock e George Clooney são soberbos, com Ed Harris a complementar muito bem com a sua voz.

A experiência em IMAX permite ter aquele extra em termos de ambiente, com  os primeiros minutos de adaptação à constante movimentação da camera, simulando algo que decorre normalmente no espaço. A narrativa está longe de ser perfeita mas está repleta de monólogos fortes e que conseguem replicar a claustrofobia do espaço profundo, em todo o seu esplendor.

Sem divulgar spoilers, posso adiantar que a história envolve uma missão espacial de rotina, que acaba por se tornar numa tragédia, após os russos (sim, tínhamos de ter um cliché) terem detonado um satélite, criando um verdadeiro efeito dominó. Rapidamente os astronautas são informados que vários destroços vão na direcção do vaivém e que devem abortar a sua missão, algo que acaba por falhar redondamente. A partir daí somos colocados na primeira perspectiva de Ryan Stone e a sua luta pela sobrevivência, que implica chegar a uma cápsula de emergência, de forma a regressar ao Planeta Terra.

Gosto especialmente da forma como a narrativa consegue ser fluida, apesar de Gravity estar muito longe de ser um filme de acção. É bem provável que ajude o facto de ser um entusiasta de astronomia e de tudo o que está relacionado com o espaço mas não posso deixar de recomendar este filme. Não vai ganhar Óscares (EDIT: oops, parece que ganhou) mas vale bem a pena os 10 euros do bilhete para IMAX 3D.