Videojogos: O princípio do fim?

Há bastante tempo que não partilhava algo relacionado com a minha vida. Como sabem, o conteúdo do espaço está relacionado com hobbies e estilo de vida que adoptei, mas, desta vez, parece-me relevante partilhar o estado da nação no que diz respeito a gaming.

A minha viagem neste mundo começou muito cedo, com o meu ZX Spectrum e expandiu-se para as consolas e, um pouco mais tarde, o computador pessoal. A partir dos meus 23 anos, as consolas foram o caminho a seguir, em conjunto com títulos indie, que tenho consumido via Steam ou Epic Games. Escusado será dizer que criei um backlog gigantesco, que tenho vindo a reduzir, a um ritmo bastante lento.

A vida adulta cria outras prioridades, o que aliado a hobbies adicionais, relega o meu tempo de gaming para nada mais que 4 a 5 horas mensais, na melhor das hipóteses. Como tal, a progressão é lenta, gerando inclusivamente um loop interminável de aquisição de jogos que não consigo sequer iniciar. Para combater essa lógica, decidi há cerca de 5 anos, vender a maior parte das consolas, tendo mantido apenas a minha fiel PS2. Com os fundos adquiridos, optei pela Xbox One, onde tenho jogado a maioria dos títulos mais modernos.

Como prenda de natal, tive a oferta de uma Nintendo Switch, que expandiu os meus horizontes, dado que me garantiu portabilidade para títulos que requerem um investimento gigantesco de tempo. Assim sendo, consegui terminar alguns jogos, no conforto da minha cama, em curtas sessões de 30 minutos que realizava de forma bem mais consistente.

A indústria dos videojogos está a atravessar uma crise, que advém do fim da pandemia e consequente redução das receitas, que levou a um aumento brutal no custo dos jogos, assim como dos planos de subscrição. No meu caso específico, aproveitei os últimos anos para reforçar a minha biblioteca de jogos da Switch e Xbox, sendo inevitável tomar uma decisão radical. Conforme referi, mesmo com a venda de vários consolas, o meu backlog é extenso, sendo perfeitamente viável afirmar que levarei, pelo menos, uma década para terminar todos estes títulos.

A minha paixão por videojogos vai muito além do aspecto visual, assentando na experiência e na empatia que gero para com as personagens. Como tal, a minha decisão vai no sentido de abdicar totalmente o upgrade para consolas de nova geração, com o intuito de terminar experiências como Final Fantasy Pixel Remaster, Diablo IV, Red Dead Redemption 2, The Witcher 3 e Tears of the Kingdom, para citar alguns dos mais icónicos.

Este é o meu plano a curto prazo, garantindo uma poupança assinalável, que posso alocar a outros hobbies. Adicionalmente, continuo a poder explorar uma panóplia de mundos e franquias, que partilharei através deste espaço. Tenho perfeita noção que vivemos numa era em que a atenção vai para a novidade mais reluzente, mas não faz qualquer sentido continuar neste loop de aquisições em que não tenho qualquer retorno ao nível da diversão, precisamente pela falta de tempo.

Gostaria de saber qual a vossa posição sobre este tema. De que forma reagiram ao aumento desenfreado do custo das consolas e videojogos? De que forma vos afectou e qual foi a vossa solução? Como sempre, fica o repto de utilizarem a caixa de comentários para iniciarmos um diálogo produtivo e saudável.

Os Amigos do Sofá

Há cerca de trinta anos atrás, iniciei a minha viagem pelo fantástico mundo dos computadores pessoais e, um pouco mais tarde, pelas consolas. São inúmeras as memórias acumuladas, que tenho vindo lentamente  a partilhar ao longo dos últimos anos, aqui no blog.

Mantendo esta premissa, vou destacar (mais) um projeto nacional de enorme qualidade, que se foca especificamente no retro gaming. Convido-vos a seguir o canal no Youtube e a apoiar o duo dinâmico composto pelo Blade e Quake. Ocasionalmente são organizadas live streams e à data a recorrência semanal é de dois episódios, com conteúdo em português e inglês respectivamente.

No episódio desta semana, tive o prazer de contribuir com as memórias do meu adorado Rick Dangerous mas há muito mais a explorar com os Amigos do Sofá, que tem o meu selo pessoal de aprovação.

Rampage

Sou da geração que cresceu com o clássico jogo Rampage, da Bally Midway. Longe estaria de contemplar um cenário em que 2018 traria uma adaptação cinematográfica deste título, com nomes como Dwayne Johnson, Jeffrey Dean Morgan e Main Akerman no elenco principal.

Confesso que estava muito curioso em validar se o enredo seria minimamente envolvente, face ao produto original mas a realidade é que Rampage é um bom “filme-pipoca”.

A narrativa decorre em torno de Davis Okoye, um primatologista que cria uma ligação muito forte a George, um gorila albino e que revela uma inteligência assinalável. Do outro lado, temos a Energyne, uma multinacional que desenvolve a bordo da Estação Espacial, o programa CRISPR, que através de uma mutação genética, consegue combinar ADN e características únicas de várias espécies num único animal.

Escusado será dizer que tudo vai correr pelo pior, quando uma cápsula com recipientes do vírus cair no Norte da América, contaminando um lobo, um crocodilo e George. As mutações operam mudanças drásticas nos animais, dotando-os de força, camuflagem e inteligência capaz de derrotar o mais poderoso dos inimigos. Okoye tenta a todo o custo reverter a transformação, contando com o apoio da Dra Kate Caldwell e Harvey Russell, um agente do FBI.

As cenas de CGI estão bem conseguidas e a narrativa apesar de básica, consegue adicionar algum humor e gerar empatia para com as personagens, especialmente George e David. Está longe de ser um filme que recomende mas consegue proporcionar momentos de entretenimento puro.

Nota final para o fan service, ao colocarem, como pano de fundo, uma arcade machine de Rampage, nas cenas filmadas no escritório de Claire Wyden.