X-Men

O Netflix tem disponível uma adaptação anime de X-Men, em que vamos acompanhar os eventos que ocorrem um ano após a morte de Jean Grey. A equipa volta a reunir-se, a pedido do Professor Charles Xavier, para uma missão numa zona específica do Norte do Japão, que aparenta estar protegida por um poderoso campo de forças.

Os primeiros dois episódios focam-se na reação à perda de Jean, sobretudo no que diz respeito a Cyclops. Lentamente a narrativa vai evoluindo, sendo possível identificar um estranho vírus, que está a criar uma mutação extrema nos habitantes locais, que possuem o gene X.

A premissa principal desta mini série de doze episódios passa por encontrar a origem e os responsáveis pela mutação. Sem colocar grandes spoilers, os X-Men vão resgatar Emma Frost e Armor, que são prisioneiras numa instalação que está sob o controlo dos U-Men. Lentamente vai ser revelado que o Inner Circle está envolvido nesta trama, o que irá gerar algumas implicações e desconfianças de Scott relativamente a Emma Frost, que acaba por se juntar à equipa, assim como Armor.

Os últimos episódios revelam todos os pormenores e contam com uma batalha épica, cujo desfecho e intervenientes vou manter no anonimato. No global, esta série é mediana e tem obviamente uma grande influência de anime, visível na animação escolhida e nas proporções (exageradas) das personagens femininas.

A legendagem disponível é francamente má, apresentando dessincronização nalguns diálogos. A minha sugestão passa por abdicar das legendas e utilizar a versão audio inglesa, que tem uma boa escolha de vozes, tais como Steve Blum (Logan), Daniell Nicolet (Storm), Fred Tatasciore (Beast), Ali Hillis (Emma Frost) e Jennifer Hale (Jean Grey) , para citar alguns dos mais relevantes.

Não contem com uma adaptação brilhante ou ao nível da incrível série dos anos 90 mas sugiro que invistam tempo nesta mini série, da autoria da Madhouse.

The Amazing Spider-Man Omnibus Vol.1

A minha introdução à banda desenhada começou na minha adolescência, mais especificamente nas bancas do passadiço da Costa da Caparica, onde comprava livros usados de Spider-Man, X-Men e Avengers. Com o avançar dos anos regressou algum saudosismo, que, em conjunto com a minha faceta de colecionador criou as condições necessárias para adquirir omnibus, que são essencialmente edições de coleccionador que compilam dezenas de capítulos de BD.

Hoje vou falar-vos do primeiro volume de Spider-Man, de 1962, que foi criado pelo fantástico trio de Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko. Estamos perante 1088 páginas, que abrangem os primeiros 38 capítulos  e algumas histórias complementares. A arte é excelente, como seria de esperar mas fica desde já o alerta para a densidade de texto, que pode afastar os leitores que estão mais habituados a livros modernos.

Dito isto, é uma experiência interessante, sobretudo para quem é fã de Peter Parker. Contem com a dificuldade de conciliar a vida pessoal com a de super-herói, o que afecta irreversivelmente a  sua relação com Betty Bryant. Para além disso, há um foco inicial na rivalidade com Flash Thompson e a saúde debilitada de Aunt May.

Como seria expectável, este omnibus compila inúmeras primeiras aparições de vilões, com destaque para The Vulture, Tinkerer, Doc Octopus, Sandman, Lizard, The Living Brain, Green Goblin, Scorpion, Kraven e os Sinister Six. Acompanhamos igualmente a transição de Peter para a Universidade, que serve de ponte para a introdução de Gwen Stacy na narrativa.

Outro ponto interessante é o facto de Mary Jane Watson ter a sua primeira aparição neste omnibus, embora nunca seja visível a sua face. A parte mais cómica é a sucessão de eventos, que impossibilita Peter de conhecer aquela que será a personagem mais marcante da sua vida amorosa. Para terminar, quero destacar a presença de JJ Jameson, outra referência incontornável desta série e que consegue estabelecer uma relação de amor-ódio com o leitor.

Em conclusão, diria que esta é uma coleção direcionada aos fãs da origem de Spider- Man. Conforme mencionei, há muito diálogo, em que obtemos a informação detalhada dos planos dos vilões, ao bom estilo dos anos 60 e 70. Pessoalmente, gostei da experiência, embora tenha noção que os primeiros capítulos são lentos e repetitivos. Mas convido-vos a experimenter a leitura em formato digital e formar a vossa opinião. Garanto que a partir do capítulo 15 a ação melhora significativamente e vão ficar agradavelmente surpreendidos com a qualidade deste omnibus.

Avengers Assemble

Esta série foi criada em seguimento de World´s Mightiest Heroes, tentando capitalizar o sucesso comercial da estreia dos Avengers na MCU. A série é composta por cinco temporadas, em que vamos acompanhar os nossos heróis em aventuras contra a Cabal, AIM e Hydra, para citar alguns dos mais relevantes.

Para quem é fã da banda desenhada, há efetivamente muito para absorver, sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento de personagens. Sem colocar spoilers, contem com uma narrativa que vai desenvolver as temáticas inerentes a  Secret Wars, Shadow Council e ao Squadron Supreme.

A animação vai sofrendo algumas alterações, para manter a consistência com os filmes da MCU mas no geral, as temporadas são extremamente interessantes, repletas de ação e com um constante desenvolvimento de personagens. Tenho pena que o Incrível Hulk perca quase por completo a sua relevância a partir da sua quarta temporada, mas compreendo as decisões, face ao caminho seguido.

Considero igualmente que, a partir da segunda temporada, a série é muito focada no Capitão América, Iron Man e mais, tarde, em Black Panther, mas é algo que recomendo vivamente para os fãs de Marvel, em particular se tiverem acesso à Disney Plus.

A Marvel nem sempre consegue fazer um bom trabalho nas séries de animação, mas Avengers Assemble consegue ser muito envolvente, conseguindo igualmente introduzir vilões menos conhecidos do público em geral, tais como Madame Mask, Attuma, Dracula e os Masters of Evil.