Guardians of the Galaxy Vol.3

O arco narrativo desta equipa chega ao fim na MCU, fechando vários arcos narrativos associados a vários dos elementos dos Guardiões. James Gunn manteve a essência da franquia, integrando a narrativa com uma narrativa mais dark, que envolve o High Evolutionary e a génese de Rocket.

O primeiro acto reintroduz Adam Warlock, que continua a seguir as ordens de Ayesha. Os Guardiões continuam a reconstruir Knowhere, com a ajuda de Cosmo e Kraglin, mas são impotentes para deter Warlock, que deixa Rocket em risco de vida. Esta é a premissa que sustenta este filme, unindo a equipa numa derradeira missão, que visa salvar o guaxinim mais inteligente do Universo. Paralelamente, quase todos os elementos tentam ultrapassar crises pessoais, humanizando de forma quase perfeita Peter Quill, Nebula, Mantis, Gamora e Kraglin.

A primeira missão decorre numas instalações da Orgocorp, a empresa responsável pelo código genético de Rocket e que possuem a cura para a sua condição. Inesperadamente, Gamora vai fazer parte desta missão, a pedido dos Ravagers, criando momentos únicos na sua interação com Quill e Nebula. Destaque para a participação especial de Nathan Fillion, no papel de Master Karj e para Stallone (Stakar Ogord), mantendo a tradição de nomes sonantes na MCU.

Na minha opinião, a parte mais épica do filme decorre em Counter-Earth, em que ocorrem as cenas de ação mais relevantes e assistimos ao embate entre Rocket e The High Evolutionary. São encerrados  diversos arcos narrativos, que conferem um propósito a cada um dos elementos dos Guardiões. Sem colocar spoilers, gostei do desfecho, que mantém uma abordagem realista e que faz sentido face ás características das personagens.

Como ponto negativo, tenho de destacar a personagem de Adam Warlock, que funciona como um comic release, embora tenha o seu arco redentor no acto final. Adicionalmente, a batalha final com o vilão é demasiado curta, embora compreenda a abordagem de Gunn, que se foca muito em Rocket e na sua experiência de vida.

Não existem filmes perfeitos mas este terceiro volume termina numa nota muito elevada e representa sem dúvida o melhor filme da MCU nos últimos 18 meses. Existem duas cenas pós-créditos, que sugerem o regresso de Star Lord e introduzem os novos Guardiões, com a adição de Phyla-Vell e Adam Warlock.

Bom
80%

Ant-Man and the Wasp: Quantumania

A MCU tem passado por uma fase mais conturbada, resultado de decisões questionáveis e uma gigantesca quebra de qualidade na narrativa. Dito isto, foi com bastante moderação que resolvi investir duas horas no terceiro filme de Ant-Man.

O primeiro acto introduz o status quo das personagens principais, com destaque para a vida pessoal e profissional de Scott Lang, que tenta recuperar o tempo perdido com a sua filha. Durante uma reunião familiar, Scott, Hope, Hank, Cassie e Janet são catapultados para o Quantum Realm, dando início a uma aventura que irá trazer de volta alguns fantasmas do passado.

A narrativa assenta na relação existente entre Janet e Kang, que procura desesperadamente reconstruir o Multiversal Power Core. Ficamos igualmente a conhecer o seu plano e as ramificações para o Multiverso, numa clara alusão à série de Loki. O Quantum Realm é retratado de forma cativante, englobando várias raças que se unem no sentido de criar uma Resistência e combater as forças de Kang.

Destaque para as personagens de Jentorra, Quaz e Veb, que acrescentam alguma profundidade e humor à narrativa, que acaba por ser muito previsível. No entanto, o ponto mais desapontante deste filme é o vilão, que nunca atinge o patamar (narrativo) necessário para elevar esta aventura. Adicionalmente, Cassie e Janet são claramente as personagens mais fortes deste filme, que relega Scott Lang e Hope  para um papel secundário, o que não deixa de ser surpreendente.

No global, Quantumania tem efeitos especiais soberbos e alguns momentos de humor que o convertem numa experiência agradável. No entanto, está distante de ser uma adição relevante para a MCU, que continua a ter dificuldade em replicar o sucesso da fase 3. E nem sei o que dizer acerca do caminho seguido para M.O.D.O.K.!Recomendo que aguardem pelas duas cenas pós-créditos, que são relevantes para os eventos de Loki.

Mediano
66%

Black Panther : Wakanda Forever

O filme original é sem dúvida um dos meus preferidos da MCU, tendo criado um enorme entusiasmo para a sequela. No entanto, o desaparecimento precoce de Chadwick Boseman criou um enorme desafio narrativo.. O caminho escolhido esteve longe de ser consensual, mantendo uma conexão evidente com os comics, com a passagem de testemunho para a sua irmã, Shuri.

Na minha opinião, o grande tema de Wakanda Forever é a forma como somos moldados após a perda de entes queridos. Existem vários tributos à memória de T’Challa ao longo da narrativa, que introduz K’uk’ulkan, o Deus Serpente, que será o antagonista desta aventura.

Namor, igualmente conhecido como Sub-Mariner, é adaptado dos comics de uma forma muito livre, sendo apresentado como um poderoso mutante que pretende repelir os humanos do seu território, forjando uma aliança com Wakanda. A sua proposta consiste em raptar Riri Williams, a cientista responsável pela criação de um radar que localiza vibranium.

Escusado será dizer que a Rainha Ramona recusa as pretensões de Namor, dando início a um conflito que irá mudar radicalmente o futuro de Wakanda e da sua população. As cenas de ação estão excelentes, como é apanágio da MCU, bem equilibradas com alguns momentos de humor, que ficam, maioritariamente, a cargo de Riri e Everett K.Ross.

Gostei igualmente da participação de Valentina Allegra de Fontaine e a introdução das Midnight Angels, numa clara referência aos comics. No entanto, diria que a narrativa acaba por ser o ponto mais fraco desta sequela. A transformação de Shuri é demasiado rápida, falhando em explicar a sua ligação a Kilonger. Paralelamente, não sou fã da adaptação de Namor, que apresenta claras ligações aos Incas e Mais, assim como a escolha do tom azul para representar a civilização Talokan. Adicionalmente, considero que personagens como Attuma, Ross e Ayo poderiam ter tido um papel mais relevante, num filme que tem os seus momentos mas que é inferior ao original.

No entanto, existe muito de positivo para apreciar nesta sequela, que tem um final interessante e que deixa em aberto o futuro de Wakanda. Existe apenas uma cena pós-créditos, que tem a derradeira homenagem a T’Challa. Confesso que fico muito curioso em saber se Black Panther será uma trilogia e qual o caminho a seguir para um potencial terceiro filme.

Mediano
70%