The Witcher T.1

Henry Cavill é o nome mais sonante desta produção da Netflix, que conta a história de Geralt de Rivia, um “mutante” com força sobre-humana e conhecimento do mundo mágico. A premissa principal da narrativa acompanha a invasão de Nilfgaard, na tentativa de derrubar Cintra e reclamar o trono, o que pode, à primeira vista, parecer terrivelmente genérico.

Mas na realidade existem várias sub-narrativas, em que nos é dado a conhecer a princesa Ciri, o bardo Jaskier e a ascensão de Yennefer como maga. A primeira temporada é composta por oito episódios e investe fortemente no desenvolvimento de personagens, tentando explicar as suas motivações. O tema do destino é abordado frequentemente e a neutralidade de Geralt é uma constante, embora a invocação da Lei da Surpresa acabe por desencadear uma série de eventos que potenciam profundas alterações.

Como sabem, opto sempre por não revelar spoilers, mas posso adiantar que estas aventuras são baseadas nas short stories The Last Wish e Sword of Destiny, que antecedem as histórias épicas dos livros, que posteriormente foram adaptadas (com enorme sucesso) para jogos de consola e computador.

A fotografia e as coreografia de batalha são francamente boas, o que aliado uma narrativa envolvente e personagens interessantes, converte The Witcher numa série a seguir. Como não podia deixar de ser, a temporada termina num gigantesco impasse, colhendo a semente que tinha vindo a plantar durante os oito episódios.

Fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade desta série e fico a aguardar (pacientemente) por 2021, data em que teremos o regresso das aventuras de Geralt.

High Score Girl T.1

A Netflix continua a disponibilizar anime de qualidade. Desta vez, a escolha recaiu na adaptação da manga de Rensuke Oshikiri, publicada pela Square Enix e que é composta por 10 volumes. High Score Girl é uma espécie de comédia romântica, que tem como pano de fundo a comunidade gamer dos anos 90, sem esquecer os saudosos salões de jogos e a evolução das consolas no mercado residencial.

Haruo é um jovem obcecado por videojogos, frequentando de forma assídua os salões de jogos. As suas notas escolares sofrem largamente, em consequência da sua paixão, mas é através dela que vai travar amizade com Ono, uma colega de escola, que é de uma família abastada e que segue regras muitas restritas impostas pela sua tutora, Noemi Goda.

Esta assimetria vai criar uma relação muito especial, fomentada pelo jogos e a competitividade associada. Surpreendentemente, Ono tem uma talento inato para o jogo, o que faz com que Haruo se desafie a tornar ainda melhor, com o intuito de derrotar a sua “rival” num torneio.

Com o avançar do tempo, vão surgir obstáculos que afastam Ono e Haruo, criando espaço para o aparecimento de Hidaka, outra colega de escola,  criando um invulgar triângulo amoroso que fomenta grande parte da narrativa de High Score Girl.

É absolutamente fantástico o nível de detalhe que existe em termos de informação inerente à comunidade gamer, com ênfase nas consolas populares da altura (Famicon, Super Famicon, PC-Engine, Playstation, Saturn, etc), assim como o impacto de clássicos como Street Figher e Final Fight, para citar alguns.

Gosto particularmente da forma como a narrativa se encadeia com a cronologia história dos videojogos, fomentada por diálogos curtos, que em certas ocasiões se transformam em monólogos mas que conseguem ser poderosos.

Convido-vos a dar uma oportunidade a este anime, que tem segunda temporada confirmada para Outubro de 2019.

Nightflyers

Produzido pelo Syfy e Netflix, Nightflyers é uma série de ficção científica que se baseia na obra de George R.R. Martin e narra a expedição liderada por Karl D´Branin, na tentativa de contactar a raça alienígena Volcryn.

A acção decorre a bordo da Nighflyer, uma nave comandada por Roy Eris, onde uma equipa de cientistas, acompanhada por um telepata L2, vão ser testados diariamente, ao longo da viagem. Estamos perante uma série que aposta no drama psicológico, sobretudo após começarem a ocorrer actos de violência, que original o caos a bordo da nave.

O desenvolvimento de personagens está muito bem conseguido e vamos lentamente percebendo que nem tudo é o que parece, com alguns twists interessantes a nível da narrativa. Gostei particularmente do clima de suspeição e as constantes acusações entre os vários membros da tripulação, que é bem complementado com alguns episódios em que a acção se expande para além da Nightflyer.

Como quase sempre, não vou entrar em pormenores, para evitar spoilers mas confesso que achei interessante o conceito. Fica desde já o alerta que não existe um fim definitivo, ao contrário da obra literária de Martin, embora existam algumas explicações. Não existem planos para uma segunda temporada, à data em que partilho este texto, embora haja material e potencial para que tal venha a suceder.

Não sendo brilhante, diria que Nightflyers merece a vossa atenção, caso sejas fãs do género.