Zombie Tidal Wave

Após o sucesso da saga Sharknado, Ian Zering está de regresso para enfrentar algo diferente: uma ameaça zombie. A ação decorre em Emrys Bay, uma zona paradisíaca que se vê infestada por mortos-vivos, que aparentam estar a emergir dos destroços de um navio.

Hunter Shaw, Ray McCray e a sua afilhada Jada são atacados a bordo do seu barco. Após conseguirem libertar-se do zombie, constatam que Jada foi mordida, sendo necessário regressarem a terra e obter cuidados médicos. Esta é a premissa que suporta a propagação do vírus na ilha, com a agravante de existir um tsunami que traz hordas de zombies para terra.

Zombie Tidal Wave é o típico “filme série Z”, que é tão mau que se converte em algo bom. A narrativa e as interpretações são algo secundário, sendo relevante o ridículo das cenas de ação e os métodos utilizados para ultrapassar a crise. Nesse aspecto, este projeto é inferior a Sharknado, mas garante entretenimento para quem se identifica com este género.

Para os restantes, diria que é um filme a evitar, pelos motivos acima indicados. A personagem de Hunter Shaw não atinge o nível de Fin Shepard mas consegue ser “competente” ao longo desta aventura. À data de publicação deste artigo, não existe confirmação de uma sequela.

Mau
50%

Space Force T.2

A narrativa retoma os eventos da temporada original, em que os General Naird é alvo de um inquérito para avaliar as suas ações. Temos cenas caricatas ao longo dos depoimentos da equipa, com a habitual componente humorística mas tudo acaba por resolver-se, garantindo a manutenção do General na liderança do projeto Space Force.

Os episódios seguintes focam-se nas restrições orçamentais, que originam potenciais cortes e saídas da equipa. Paralelamente, temos uma visita da delegação chinesa, com o intuito de melhorar as relações internacionais após a missão na Lua e uma participação curiosa no Projeto Jupiter Europa, que terá consequências inesperadas.

O desenvolvimento de personagens é uma constante, com destaque para o divórcio de Naird, as decisões académicas de Erin e as opções de carreira do resto da equipa. A tensão entre o Dr Chan e a Capitã Angela Ali atingem o seu apogeu, levando à intervenção de F. Tony Scarapiducci, o que origina alguns dos momentos mais hilariantes da temporada.

O derradeiro episódio narra um ataque cibernético dos russos, que conseguem controlar satélites e os servidores da Space Force. A equipa do General Naird consegue evitar o pior cenário, retomando o controlo de forma bastante criativa, com base numa estratégia arrojada. A temporada termina num impasse, com a confirmação de um asteróide em rota de colisão com a Terra.

Space Force é uma série com um humor muito próprio, que pode não agradar a todos. No entanto, é um projeto que recomendo, restando neste momento confirmar se teremos uma terceira temporada.

Nope

Jordan Peele é o responsável por um dos projetos mais interessantes de 2022. Nope retira, na minha opinião, clara inspiração de filmes como Encontros Imediatos do Terceiro Grau, Signs e Evangelion. Ao longo da narrativa existem várias referências a momentos de cultura pop, com uma homenagem evidente a Akira, que curiosamente foi um dos projetos recusados pelo realizador.

Ao longo de cinco capítulos (Ghost, Clover, Gordy, Lucky e Jean Jacket) vamos conhecer as personagens principais, assim como a premissa do filme. O primeiro acto introduz uma sitcom, denominada Gordy´s Home, que termina com um ataque brutal de um dos animais. Esta introdução será fundamental para o desenrolar da narrativa, que se centra no drama pessoal da família Haywood.

Otis Haywood Senior é atingido mortalmente por uma moeda projectada do céu, que alegadamente terá sido resultado de um acidente com um drone. OJ Jr. fica encarregue do negócio, que consiste em domesticar cavalos para utilização no meio cinematográfico de Hollywood. Lentamente, vamo-nos apercebendo da natureza bizarra de Nope, que introduz um rancho próximo dos Haywood, mais conhecido por Jupiter´s Claim.

O dono desse rancho é o actor sobrevivente do ataque na sitcom Gordy´s Home, Ricky “Jupe” Park, que pretende adquirir a propriedade do clã Haywood, por motivos que serão desvendados ao longo do filme. Após um ataque à sua propriedade, os irmãos resolvem adquirir cameras de vigilância, com o objetivo de documentar e rentabilizar o conteúdos nas redes sociais ou na televisão.

Ao bom estilo de Encontros Imediatos do Terceiro Grau, as quebras de electricidade identificam a presença da entidade, que se encontra escondida nas nuvens. As primeiras aparições dão a entender uma semelhança evidente com o clássico OVNI mas, lentamente, vamos ter consciência de algo mais complexo. Gosto particularmente da incorporação da música na narrativa, assim como os momentos de tensão que antecedem os ataques.

No que diz respeito a interpretações, o elenco é curto mas de qualidade. Daniel Kaluuya e Keke Palmer são os actores principais, mas tenho igualmente de destacar a presença de Steve Yeun, Michael Wincott e Brandon Perea, que são absolutamente fantásticos. Nope é claramente um projeto que vai dividir opiniões, deixando a  interpretação dos eventos para o espectador.

É sem dúvida um filme que recomendo, especificamente pela fotografia e interpretação. Adicionalmente, faz uma homenagem aos elementos secundários da indústria cinematográfica, para além das inúmeras referências a vários momentos chave da cultura pop das ultimas décadas. Caso pretendam, fica igualmente o desafio de iniciarmos uma partilha de ideias acerca deste fantástico projeto de Jordan Peele.

Mediano
71%