Tomorrow War

Um dos meus dark horses para 2021 foi precisamente este filme, que devido ao cenário de pandemia, saiu diretamente no serviço de stream da Amazon. A narrativa assenta na necessidade de derrotar um inimigo extra-terrestre, os WhiteSpikes, que invadem o planeta em 2048.

O primeiro acto decorre em dezembro de 2022, em que tomamos conhecimento de Dan Forester Jr, um professor de biologia que é preterido para um projeto de investigação. Desiludido com o resultado, segue para casa, onde decorre uma festa de Natal, que é interrompida em choque com o aparecimento de humanos, que alegam ser do ano de 2050. Somos informados da invasão e da necessidade de enviar tropas para o futuro, na tentativa de evitar a extinção da Humanidade, que está reduzida a cerca de 500 mil sobreviventes.

Apesar de todos os esforços, as forças militares enviadas apresentam uma taxa de sobrevivência de 20% e, em pouco tempo, o Governo Mundial vê-se forçado a recrutar civis. Como expectável, Dan acaba por ser selecionado, dado que tem experiência militar e acaba por seguir para uma missão de sete dias. O habitual período de treino é interrompido abruptamente, sendo necessário realizar um salto temporal imprevisto, que corre terrivelmente mal.

Uma anomalia deixa a equipa de Dan em Miami, numa zona completamente infestada de WhiteSpikes, originando o primeiro grande momento de ação de Tomorrow War. Este ponto marca o início do segundo acto e tenho de enaltecer as excelentes cenas de ação , aliadas a uma boa interpretação de Chris Pratt, Sam Richardson e Yvonne Strahovski. Existem algumas falhas narrativas, que são compensadas por personagens interessantes e com as quais criamos uma ligação forte.

O filme não acrescenta algo de inovador ao género de ficção científica e tem alguns clichés típicos de Hollywood, mas cumpre a função de entretenimento, estando prevista uma sequela. Sem entrar em detalhes, o terceiro acto tem um final contido, embora abra alternativas que poderão ser utilizadas futuramente (eheh, foi propositado).

Mediano
71%

Trese

A obra filipina da autoria de Budjette Tan e Kajo Baldisimo foi adaptada para animação, com uma clara influência de anime. Ao longo de seis episódios, vamos conhecer Trese, uma mortal que protege a Humanidade do sobrenatural, com a ajuda dos irmãos Kambal e o Capitão Guerrero.

O primeiro episódio está relacionado com fantasmas e a necessidade de cumprir o seu caminho para o Além. Vamos conhecer os protagonistas e um pouco da sua história de origem. Somos igualmente apresentados aos líderes dos diversos clãs de sobrenatural, que aparentam ter uma agenda oculta, algo que irá ser investigado pela nossa heroína.

Trese tem um claro sentimento de culpa pela morte do seu Pai, por motivos que vão sendo lentamente revelados no decorrer da segunda metade desta temporada. Gosto particularmente do facto da série investir bastante no desenvolvimento de personagens, sustentada por uma narrativa sólida e que irá testar o nosso trio de heróis.

Contem com um ataque zombie à esquadra da polícia e atentados bombistas que visam iniciar a libertação de um poderoso demónio, denominado por Talagbusao.

Vou, como habitualmente, evitar os spoilers, mas recomendo vivamente esta série. A animação está muito bem conseguida, suportada por mitos e lendas urbanas muito interessantes. A narrativa apresenta alguns twists imprevistos e tem um final, que deixa em aberto a possibilidade de uma segunda temporada.

Trese é uma lufada de ar fresco e uma agradável surpresa, que recomendo sem hesitação.

Loki

WandaVision colocou a fasquia elevada mas tendo em conta as implicações desta série na MCU, o meu nível de entusiasmo era extremamente elevado. Vamos finalmente descobrir o que ocorreu após os eventos de Avengers Endgame, numa narrativa que introduz a Time Variant Authority, uma agência dedicada a manter a integridade da linha temporal.

Sou um grande entusiasta do universo cósmico da Marvel e Loki não desilude, apesar de ter as suas falhas. Os primeiros dois episódios são soberbos, com o equilíbrio necessário entre humor e as principais premissas da narrativa. Tomamos igualmente conhecimento das personagens principais, mais especificamente Mobius, Ravonna Renslayer e Hunter B-15, que pretendem apreender um fugitivo da TVA, que tem atacado as equipas de Minutemen.

Vou evitar entrar em detalhes,  mas posso adiantar que existe muita inspiração na BD, criando um desafio único para Loki. Ao longo da temporada, vamos assistindo ao desenvolvimento da amizade entre Mobius e o Prince of Mischief, embora permaneça a dúvida acerca de uma possível agenda oculta. O quinto episódio é verdadeiramente épico, levando-nos ao Void, para uma aventura que envolverá diversas versões de Loki e que apresenta uma adaptação interessante de Alioth.

O ponto mais alto é sem dúvida o derradeiro episódio, em que somos apresentados a um dos vilões da próxima fase da MCU, algo inédito numa série da Disney+. Confesso que foi uma decisão inesperada mas que faz todo o sentido, dado que Jonathan Majors está confirmado para o terceiro filme de Ant-Man.

Loki tem apenas seis episódios, mas é uma montanha russa de informação, repleta de easter-eggs e com uma narrativa interessante, que abre várias opções para o futuro da MCU. Discordo de algumas decisões, sobretudo no que diz respeito ao terceiro episódio, em Lamentis e confesso que o comportamento de Loki, em determinados momentos, é completamente desviante da sua personagem, mas no global esta é uma série que recomendo sem hesitação.

Destaque para a participação da fabulosa Tara Strong , que dá a voz a Miss Minute e para a extraordinária interpretação de Owen Wilson, no papel de Mobius. Resta agora aguardar pela segunda temporada, que irá certamente explorar a criação do Multiverso, algo que era previsível face aos detalhes partilhados acerca do próximo filme de Spider-Man e Doctor Strange.