American Gods T.1

Baseado na obra de Neil Gaiman, American Gods explora a sociedade actual e a forma como os Deuses e religião deixaram de ser uma prioridade. Começamos por acompanhar Shadow Moon, que se encontra a terminar uma pena de cinco anos, quando a sua esposa falece em condições bizarras, o que leva à sua libertação antecipada.

No voo de regresso, conhece um misterioso viajante, que se apresenta como Mr. Wednesday, que lhe faz uma proposta de trabalho. Apesar de inicialmente relutante, Shadow acaba por aceder, após uma luta de bar com Mad Sweeney, que se apresenta como sendo um duende.

Ao longo dos episódios seguintes, vamos conhecendo o passado de vários Deuses, assim como de Laura Moon e Mad Sweeney, que acabam por ter um papel relevante no desfecho da temporada. Torna-se difícil de abordar esta série sem divulgar spoilers, mas posso adiantar que se trata essencialmente uma guerra de poder entre os Deuses Antigos e os Novos. Ficamos a saber que ambas as facções aumentam o seu poder com base na devoção recebida, o que coloca os novos Deuses, liderados por Mr World, em clara vantagem.

O plano de Mr Wednesday passa por criar um conselho de guerra, que irá ocorrer em Wisconsin. A primeira temporada retrata a viagem, com a paragem em diversos locais, para recrutar membros necessários para o sucesso da revolta dos Deuses Antigos.

Existem diversos elementos sobrenaturais e um grande foco na narrativa, assim como nas relações criadas entre as várias personagens. Por motivos que vou manter em segredo, os primeiros oito episódios servem para divulgar a origem das personagens, mas igualmente para fazê-las cumprir o trajeto necessário para desbloquear o seu potencial.

Está longe de ser uma série para todos, mas gostei bastante de American Gods, que é um projeto ambicioso mas igualmente refrescante.

Mortal Kombat

Há 26 anos atrás foi lançado o primeiro filme de Mortal Kombat, que contou com a participação de Christopher Lambert e Robin Shou. Apesar de não ser memorável, tornou-se num guilty pleasure, que vou revisitando ocasionalmente. Em 2015, foi partilhado no YouTube uma série de episódios, designados como Mortal Kombat Legacy, que lamentavelmente nunca se converteu numa realidade.

No entanto, 2021 vai ser o ano em que esta franchise regressa ao grande écran. O elenco é liderado por Lewis Tan, Hiroyuki Sanada e Mehcad Brooks e o trailer tem efetivamente muito bom aspecto.

Não espero um resultado final brilhante mas estou curioso para validar o potencial que o trailer evidencia. Será desta que temos um bom filme baseado no Universo Mortal Kombat?

Away T.1

Um dos projetos mais interessantes da Netflix narra as aventuras da missão Atlas, que irá colocar pela primeira vez a Humanidade no Planeta Marte. Apesar da premissa de ficção científica, Away é um drama, que se foca no isolamento da tripulação e respetivas famílias, assim como na desconfiança entre quatro cosmonautas de países distintos, com crenças e ideologias completamente opostas.

Os primeiros episódios, como seria de esperar, introduzem as personagens principais, com foco nas suas motivações e receios. O caminho seguido mostra pormenorizadamente a ansiedade dos familiares que permanecem na Terra, assim como o quotidiano da Atlas, que irá passar por muitas dificuldades ao longo da sua viagem até ao planeta vermelho.

Lentamente, vamos assistindo a mudanças drásticas em várias personagens e vamos conhecendo em pormenor a histórica da tripulação, o que cria um elevado nível de empatia. Aliás, diria que este é o ponto mais forte desta série, que lamentavelmente tem apenas uma temporada. Sem colocar spoilers, convido-vos a investir tempo em Away, que nos apresenta um princípio, meio e fim da missão até Marte.

Este é,  na minha opinião, um dos projetos mais competentes da Netflix, com um elenco de qualidade, em que se destaca Hillary Swank, Mark Ivanir e Josh Charles. Segundo consta, o elevado custo por episódio foi a justificação para o cancelamento da segunda temporada, que teria uma premissa muito interessante.

Fica no entanto a minha recomendação, sobretudo se procuram uma narrativa focada no medo do desconhecido e na forma como lidamos com o peso da responsabilidade e das expectativas criadas.