Star Trek: Lower Decks T.1

O universo Star Trek continua em expansão, com a apresentação de Lower Decks, uma série de animação que acompanha as aventuras de quatro elementos da tripulação, no ano de 2380. A narrativa assenta na perspectiva quotidiana de quem trabalha nos níveis inferiores, sem acesso a informação privilegiada acerca das missões e com tarefas secundárias, embora fundamentais para o bom funcionamento da nave.

Desta feita, a escolha recaiu na USS Cerritos, sob o comando da Capitã  Freeman, que tem uma abordagem invulgar relativamente a Beckett Marine, por motivos que irão sendo desvendados ao longo da temporada. Os restantes elementos são Brad Boimler, um humano que aspira chegar a capitão, Sam Rutherford, outro humano que tenta adaptar-se ao implante cyborg e D’Vana Tendi, da raça Orion, que está (demasiado) entusiasmada com a sua entrada na Starfleet.

A série tem uma componente cómica elevada, com referências constantes ás restantes séries de Star Trek e conta com participações especiais de William Rikker, Deanna Troi e Q. Outro ponto de destaque é o elevado nível do casting realizado, que conta com a voz de Jack Quaid, Jerry O´Connell, Fred Tatasciore, Eugene Cordero e Tawny Newsome, para citar os mais relevantes.

Pessoalmente, gostei desta primeira temporada, embora reconheça que está longe de ser consensual, sobretudo para os fãs mais hardcore. O facto de fazer parte da continuidade do universo Star Trek, aliado à  elevada componente cómica, torna esta série numa viagem divertida, mas que pode ser considerada uma sátira para com a obra de Gene Roddenberry .

Para terminar, partilho o trailer e convido-vos a assistir aos dez primeiros episódios. A segunda temporada deverá ser disponibilizada ainda este ano via Amazon Prime.

The Boys T.1

Baseado nos comics da autoria de Garth Ennis e Darick Robertson, vamos acompanhar uma realidade em que os super-heróis cedem aos vícios e necessidades mais básicos da Humanidade. A Vought International é o conglomerado financeiro, responsável pela gestão de imagem e dos serviços destes heróis pelo território americano.

É sem dúvida uma visão cínica da sociedade, procurando explorar o conceito de que o poder corrompe. A premissa inicial da narrativa passa pela responsabilização das ações destes super-heróis, que são venerados pelo status quo. Hugh Campbell é um jovem cuja namorada é acidentalmente assassinada por A-Train, um dos membros dos The Seven, claramente inspirado na Justice League, da DC.

Incapaz de lidar com a sua perda, Hugh acaba por conhecer Billy Butcher, um membro da CIA, que o recruta para a sua equipa, no sentido de iniciar uma investigação para expor a verdade acerca dos super-heróis e da Vought. Ao longo dos primeiros episódios, vamos conhecer os restantes membros da equipa (The Boys), mais especificamente Mother’s Milk e Frenchie.

A sub-narrativa apresenta-nos os restantes membros dos Seven: Translucent, The Deep, Queen Maeve, Black Noir e Homelander, o líder. Lentamente, vamos compreendo as escolhas morais dúbias e o abuso de poder da equipa, que acaba por receber um novo membro, Starlight, que se irá converter no interesse amoroso de Hugh Campbell.

Sem entrar em grandes detalhes, posso igualmente adiantar que existem manobras de bastidores no sentido de que as Forças Armadas contratem os serviços da Vought, para que os seus super-heróis possam ser utilizados como armas. Essa investigação vai permitir aos The Boys entrar em contacto com Kimiko, uma jovem asiática que tem super-poderes e que pode ser a chave para anular os planos da Vought.

O humor negro acaba por ser uma constante nesta primeira temporada, que explora temas como as drogas, a religião e as escolhas sexuais, ao longo de oito episódios de elevada qualidade. Eric Kripke é o responsável pela adaptação da série e faz um trabalho muito competente, numa série que recomendo vivamente a todos os leitores. A segunda temporada estará disponível na Amazon Video, em Julho de 2020, embora possam existir atrasos, face á situação global de pandemia.

Space Sweepers

O ano é 2092 e o Planeta Terra está praticamente inabitável, em consequência do desaparecimento de grande parte da fauna e flora. Como consequência, a Humanidade (sobre)vive na órbita do planeta, em estações criadas pela Corporação UTS.

A premissa está longe de ser inovadora, mas assenta numa hierarquia social, em que a população é segmentada com base nos seus recursos financeiros. Alguns “não-cidadãos” podem adquirir um visto, que lhes permite trabalhar nas estações ou como Space Sweepers, equipas que recolhem lixo espacial na órbita do planeta.

A narrativa foca-se na tripulação da Victory, que se envolve de forma inadvertida numa conspiração ao mais alto nível, que tem como objetivo a extinção da vida na Terra. Posso adiantar que a descoberta de Dorothy, um robot humanoide, dá início a uma série de eventos que colocam à prova a capacidade dos nossos quatro heróis: Capitão Jang, Tae-ho, Tiger Park e Robot Bubs.

Dorothy aparenta ser uma arma de destruição, procurada por James Sullivan, o CEO da UTS e o Salvador da Humanidade. Mas ao longo da aventura, vamos tomar conhecimento da terrível verdade e os nossos heróis serão forçados a tomar decisões impossíveis, mas necessárias,  para assegurar a sobrevivência da raça Humana.

Os efeitos especiais são aceitáveis, numa narrativa que está longe de ser brilhante, mas que cumpre a sua função de entretenimento. Destaque para a participação de Richard Armitage, o único nome sonante do elenco.

Space Sweepers tenta replicar uma space opera, com algumas ideias e conceitos interessantes, embora sem atingir um nível particularmente elevado. Dito isto, se pretendem relaxar duas horas e são fãs de ficção científica, este é um filme em que podem investir.

Mediano
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