Acts of Vengeance

Frank Valera é um advogado talentoso, com o dom de libertar muitos dos seus clientes com base em pormenores técnicos. Essa atitude condiciona a sua disponibilidade familiar, impedindo a sua presença num evento escolar, que resulta no assassinato da sua família. Para complicar ainda mais a situação, Frank recebe um video da sua esposa, com a interpretação de Olivia.

O crime ocorre em circunstâncias peculiares, com uma única prova forense, que consiste nuns fios dourados, que podem ser encontrados em vários tipos de roupa. Frank começa a ficar frustrado, recorrendo periodicamente a reuniões com o Detetive Bill Lustiger, que sugere aguardar por novos desenvolvimentos. Com o passar do tempo, Valera começa a recorrer ao álcool e mais tarde, a lutas ilegais, com o objetivo de escapar à sua dor. É precisamente neste elemento que encontra Hank Strode, um dos polícias da esquadra que investiga o assassinato de Susan e Olivia Valera.

O livro “Meditações”, de Marco Aurélio, tem um papel fundamental na narrativa, alterando radicalmente o foco e conduta do advogado. Frank faz um voto de silêncio até encontrar o responsável pelo crime, iniciando um percurso violento e que o levará a enfrentar a máfia russa e ajudar Alma, uma enfermeira duma zona pobre da cidade.

Sem colocar spoilers, a investigação pessoal de Valera coloca-o finalmente em confronto direto com o assassino, no derradeiro terceiro acto de Acts of Vengeance. O filme está longe de ser memorável, mas tem boas interpretações de Antonio Banderas, Karl Urban e Paz Vega. A narrativa é algo previsível mas a ação consegue ser fluida o suficiente para garantir a atenção do espectador, convertendo-se numa experiência agradável.

Mediano
68%

John Wick 4

O quarto episódio da saga de “Baba Yaga” é possivelmente o mais frenético, retomando os eventos de Parabellum. O primeiro acto tem início em Marrocos, local em que John assassina The Elder, um dos elementos principais da High Table, o que vai desencadear uma verdadeira caça ao homem, que iremos acompanhar ao longo deste filme.

O vilão deste quarto capítulo é o Marquês Vincent Bisset de Gramont, um dos elementos proeminentes da High Table e  que tem um plano maquiavélico para derrotar John.  Dito isto, o New York Continental é totalmente destruído e Winston é excomungado, perdendo igualmente o seu concierge, Charon.

Através de chantagem com a vida da sua filha,  Caine, um assassino reformado e amigo de Wick, é envolvido nesta trama. O primeiro acto decorre no Continental de New York e Osaka, em que ocorrem cenas de ação verdadeiramente épicas, algo que será recorrente ao longo dos 169 minutos de filme.

No que diz respeito a novas personagens, destaque para Caine, Akira, Mr Nobody, Killa Harkan, Shimazu Koji e The Harbinger, que contribuem para elevar o lore associado a este universo da High Table.

A narrativa permanece um elemento secundário, o que funciona de forma perfeita, focando a nossa atenção nas cenas completamente irrealistas que ocorrem a caminho do Sacré-Coeur. onde decorre o duelo final entre John e Caine.

Apesar do final ser aberto e sugerir uma nova aventura, sobretudo devido à cena pós créditos, este é um filme que encerra o arco narrativo associado a John Wick. Na minha opinião, esta é uma franquia marcante neste género, com muitas personagens icónicas, para além de ter gerado um spin-off, que terá a participação de Anna De Armas.

É sem dúvida um projecto que recomendo sem hesitação e que lidera o meu ranking de filmes para este ano.

Bom
83%

The Super Mario Bros. Movie

Três décadas após o lançamento do live action de Mario, a Nintendo recorreu à animação para relançar a sua franquia mais icónica. Assim sendo, a escolha recaiu em nomes como Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Seth Rogen e Fred Armisen, o que me deixou francamente entusiasmado. No entanto, a cereja no topo do bolo foi a inclusão de Shigeru Miyamoto, como produtor, garantindo o selo de qualidade que fez de Mario um ícone dos videojogos.

A narrativa é simples e tem início em Brooklyn, onde Mario e Luigi tentam começar um negócio de canalização. O humor é uma constante, bem complementado com a história familiar dos dois irmãos, que vão tentar salvar a cidade de uma inundação. A origem do problema é um Warp Pipe, que catapulta Mario para o Mushroom Kingdom e Luigi para as Dark Lands.

Lentamente, vamos conhecer ambos os mundos e os seus habitantes, com destaque para a Princesa Peach, Toad, Kamek e Bowser. Existem momentos verdadeiramente icónicos, que estão ligados aos videojogos,  tais como a inclusão do Cat Suit e Tanooki Suit. O fan service contido nestes 92 minutos é assinalável, com momentos inspirados em Mario Kart e com alguns easter eggs (a arcade de Donkey Kong e a presença de Charles Martinet) francamente memoráveis.

Gostaria igualmente de destacar o fantástico trabalho de Jack Black, no papel de Bowser e todo o mundo de Jungle Kingdom, em que vamos assistir ao duelo entre Mario e Donkey Kong. O derradeiro acto junta as diversas facções numa batalha pela sobrevivência, com o (in)esperado regresso a Brooklyn, para o duelo entre os dois irmãos e o Líder dos Koopa.

The Super Mario Bros. Movie é uma viagem nostálgica pelo maravilhoso mundo da Nintendo, que consegue incorporar inúmeras referências que serão familiares ás duas gerações que representam o público alvo deste filme. A narrativa, apesar de simples, funciona muito bem e garante a quota parte de entretenimento que todos nós ambicionávamos.

À data deste artigo, a receita de bilheteira atingiu os 1.3 mil milhões de dólares, convertendo este projeto no mais lucrativo de 2023, pelo que será provável a existência de uma sequela. Aliás, existe uma cena pós-créditos que introduz outra personagem icónica do Mushroom Kingdom.

Bom
81%