The Girl with All The Gifts

Num aparente futuro próximo, a Humanidade luta pela sobrevivência, em seguimento de um parasita fúngico que converte os infectados em zombies. O primeiro ato decorre numa instalação militar, em que jovens crianças estão a ser educadas nas mais diversas disciplinas. Ficamos igualmente a saber que os humanos utilizam um creme que inibe o seu odor, tornando-os invisíveis para os zombies.

As crianças são híbridos, que evoluíram num ventre humano, mantendo a capacidade de raciocínio lógico. A forma como são tratados pelo humanos é um dos pontos mais marcantes do filme, mas uma jovem, Melanie, converte-se na derradeira esperança, dado que consegue suprimir parcialmente a “fome” de consumir carne humana. Quando está prestes a ser dissecada, é resgatada por Helen Justineau, a sua professora, que a consegue retirar do complexo militar, que entretanto foi destruído por um ataque zombie.

No segundo ato acompanhamos a aventura de Melanie, Helen, a Dra Caroline Caldwell, o Sargento Eddie Parks e o soldado Kieran Gallagher. A sua missão passa por comunicar com a base e solicitar resgate, no sentido de criar uma vacina que possibilite a sobrevivência da raça humana. Como habitualmente, vou evitar os spoilers, mas quero destacar a narrativa, que é muito fluida e cria empatia com as personagens, que tomam decisões impossíveis com base num contexto único.

As interpretações estão bem conseguidas, com destaque para Gemma Artenton, Sennia Nanua e Paddy Considine. O desfecho final é igualmente fora da caixa, algo que me agrada e eleva este filme a uma experiência extremamente agradável e que recomendo. Esqueçam os conceitos pré-concebidos dos zombies e preparem-se para algo diferente e que, na minha opinião, é totalmente refrescante.

Bom
70%

O 38º Campeonato

O balanço desportivo da temporada tornou-se uma tradição neste espaço, mas com a pandemia e a consequente expansão de outros hobbies, confesso que perdi o interesse em partilhar este tipo de conteúdo. No entanto, parece-me ser a altura ideal para recuperar o tópico.

No que diz respeito à NBA, os meus Lakers superaram as expectativas, após um início aterrorizador (2V-10D), caindo na Final de Conferência, frente aos Denver Nuggets. Na NHL, os Avalanche, campeões em título, foram eliminados na primeira ronda dos playoffs, restando apenas o SLB, que tinha em Roger Schmidt o novo timoneiro.

Sou um apologista do gegenpress, que considero ser um modelo quase perfeito para o nosso futebol. A racionalidade e o rigor táctico germânico foram fundamentais para criar um ligação forte entre equipa e adeptos, que aumentou a confiança numa temporada repleta de sucesso. A campanha na Champions foi brilhante, com apenas uma derrota em 14 jogos, ficando a sensação que era possível ter chegado às meias finais.

A temporada foi atípica, com uma paragem para o Campeonato do Mundo, em que (finalmente) encerrámos a era Fernando Santos. A saída de Enzo Fernandez debilitou o meio campo, que é, na minha opinião, o sector mais importante do 4x2x3x1 de Schmidt, retirando qualidade e criatividade à equipa. Em consequência, existiu uma quebra assinalável no futebol do SLB, que foi sendo lentamente colmatado pela entrega de Chiquinho e a irreverência de João Neves.

Os dez pontos de avanço davam algum conforto, mas o esforço físico resultante da Champions teve o seu impacto negativo, permitindo a reaproximação do FCP e dando uma emotividade inesperada ao campeonato. Felizmente, a equipa recuperou os seus índices físicos e, apesar das lesões de Bah e Guedes, acabámos por chegar à derradeira jornada a depender exclusivamente de nós.

À semelhança de 2019, o Santa Clara era o adversário, que foi incapaz de travar a conquista do trigésimo oitavo campeonato, dando início a mais uma festa do Povo, que pintou o País de vermelho. O epicentro da celebração foi o inevitável Marquês de Pombal, em que a equipa foi recebida em apoteose, por volta da meia noite.

Parece-me justo destacar a aposta pessoal do Presidente em Schmidt, que trouxe uma abordagem e mentalidade distinta e que faz falta ao futebol português, que continua envolvo em suspeição, ausência de fair-play e jogos de bastidores. Uma palavra de apreço para Rui Pedro Braz, que fez um trabalho fabuloso nos bastidores, criando um plantel competitivo e que nos permite ter esperança em conquistas futuras. E que dizer desta simbiose quase perfeita entre jogadores formados no Seixal e verdadeiros desconhecidos, que acrescentaram qualidade e elevaram o futebol apresentado nesta época.

É altura de festejar e apreciar mais um campeonato, sabendo que a exigência para a próxima temporada será ainda maior. Gostaria que o futebol português se concentrasse em soluções para o futuro, sobretudo numa era em que continuamos a descer no ranking europeu, resultado da ausência de competividade da nossa Liga.

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Bastard!! T.1

Há quatrocentos anos atrás, o demónio Anthrasax foi derrotado pelo Dragon Knight, dando início a uma nova era de maldade. Alguns séculos mais tarde, o mago Dark Schneider, que detinha o apoio do Dark Rebel Army, foi derrotado pelo Príncipe Lars UI e três outros cavaleiros.

Esta vitória acaba no entanto por revelar-se efémera, dado que o mago reencarna no corpo de Lucien Renren, um jovem de 14 anos. De forma a evitar a ascensão de Schneider, é utilizada magia para selar a sua alma, que apenas pode ser desbloqueada com um beijo de uma virgem e um encantamento específico.

Esta é a premissa principal deste animé, que se baseia na manga da autoria de Kazushi Hagiwara. É notória a influência do universo DnD e do estilo musical death metal, criando uma abordagem diferente, repleta de humor e com cenas sexuais bastante explícitas. No que diz respeito à narrativa, a simplicidade faz a diferença, introduzindo a personagem de Dark Schneider como opção de recurso para travar a invasão do Dark Rebel Army.

Progressivamente vamos tomando conhecimento da mudança no mago das trevas, que tem uma abordagem típica do anti-herói, lutando com alguns dos seus ex-pupilos, dos quais destaco Ninja Master Gara e Thunder Empress Arshes Nei. Ao bom estilo de DnD a progressão é por níveis, em que cada um dos antagonista apresenta um obstáculo distinto mas essencial para a evolução do poder de Dark Schneider.

Como habitualmente, oculto os spoilers mas confesso que Bastard!! é uma série divertida, repleta de personagens interessantes e que garante entretenimento ao longo dos 24 episódios da primeira temporada. Ao bom estilo nipónico, a batalha com Abigail, o antagonista principal, é longa e repleta de desafios, em que o nosso herói terá de superar-se para alcançar a vitória.

Acredito que não seja um anime consensual, mas é um projeto que recomendo, pelo seu humor e factor de diversão. A segunda temporada estará disponível no final deste mês, através da plataforma de streaming da Netflix.