Mulligan T.1

Num futuro próximo, a Terra é invadido pelas forças de Cardi-B, uma raça de extra-terrestres que pretende utilizar os recursos naturais do nosso planeta. De forma inesperada, Matty Mulligan e Lucy Suwan conseguem derrotar os invasores e capturar o General Axatrax.

Esta é a premissa de Mulligan, que aposta forte no humor e sátira política. Confesso que os primeiros episódios não me convenceram, mas o desenvolvimento das personagens conquistou a minha atenção. A série é composta por dez episódios e conta com nomes sonantes, tais como Dana Carvey, Tina Fey,  Phil LaMarr e Daniel Radcliffe.

Como habitualmente, vou evitar detalhes narrativos mas iremos acompanhar o quotidiano de Matty e Lucy, que são eleitos para a Casa Branca, após salvarem a Humanidade, mais especificamente os restantes 1500 sobreviventes. Com recursos limitados e sem eletricidade, existe uma tentativa de criar um Governo justo e para o Povo, algo que vai contra os princípios do Senador Cartwright LaMarr, o único político sobrevivente.

À medida que a narrativa evolui, vamos sendo confrontados com o seu passado, que está longe de ser consensual, na maioria dos casos. Adicionalmente, o General Axatrax tenta escapar de forma desesperada, recorrendo a tácticas hilariantes e que convertem Mulligan numa experiência agradável.

Em conclusão, diria que esta série leva algum tempo a atingir o seu ponto alto, mas garante entretenimento, bem assente na escrita inteligente dos argumentistas de 30 Rock e Unbreakable Kimmy Schmidt. Se procuram uma série diferente, recomendo o investimento em Mulligan, que deverá ter continuidade no decorrer do próximo ano.

See T.2

A temporada original lançou a base narrativa que irá ser desenvolvida em grande escala nestes oito episódios. Após a revelação do passado da Princesa Maghra e a destruição de Kanzua, vamos acompanhar os planos maquiavélicos da Rainha Sibeth Kane, que levarão a uma guerra brutal contra os Trivantian.

Adicionalmente, Baba Voss é confrontado com o seu passado, na tentativa desesperada de resgatar a sua filha, Haniwa, que é prisioneira do seu irmão, Edo Voss. O tom desta temporada é claramente mais sombrio, sobretudo pelo facto de grande parte dos episódios decorrerem nas cidades de Trivantes e Penssa, que correspondem á capital do império Trivantian e Payan. Ao bom estilo de GoT, vamos ter uma componente política, com alianças improváveis e traições constantes, que conseguem manter a narrativa fresca e criar novos desafios para os nossos heróis.

Como sabem, evito dar spoilers, mas posso adiantar que teremos várias mortes importantes e uma batalha final épica, que coloca os irmãos Voss num derradeiro confronto. O desenvolvimento de personagens é soberbo nesta temporada, com destaque para Haniwa e Koffun, que assumem por completo o seu destino num mundo que continua a considerar a visão como um prenúncio de destruição.

Os derradeiros dez minutos deixam inúmeras dúvidas em termos narrativos, sobretudo com a separação de várias das personagens principais. Está confirmada uma terceira temporada, que previsivelmente será mais focada nos “tramas da família real”,  mas esta não é altura para especulação. Quero destacar a interpretação de Sylvia Hoeks, no papel da Raínha Sibeth Kane, que consegue ser uma personagem tão odiada como o mítico Rei Joffrey Baratheon, de GoT.

Em termos narrativos, há uma enorme evolução entre as duas temporadas. Entre cenas violentas, conseguimos assistir ao desenvolvimento das personagens e conhecer as motivações de ambas as fações. A componente política é igualmente relevante, demonstrando o instinto de sobrevivência do ser humano, algo que é explorado de forma constante nesta segunda temporada. Se procuram algo diferente, diria que See pode efetivamente ser uma agradável surpresa para muitos dos leitores.