Jurassic World Cretaceous T.5

A derradeira temporada de Cretaceous fecha o arco narrativo dos “Nublar Six”, que conseguem finalmente derrotar a Mantah Corp e regressar à civilização. A temporada anterior termina num impasse, introduzindo Daniel Kon, o CEO da Mantah Corp e pai de Kenji, que será uma personagem fundamental.

Ao longo de doze episódios os nossos jovens heróis vão ser testados, com desafios constantes e uma alteração significativa na sua relação com Kenji, que vai ser manipulado pelo seu Pai. Temos igualmente a reintrodução de Dave e Roxie, que regressam à Ilha Nublar, na companhia de Brandon Bowman.

Daniel Kon pretende utilizar a pesquisa de Mae para controlar os dinossauros, vendendo o seu DNA a Dodgson, o misterioso investidor que visita a ilha. Contem com inúmeras cenas de ação e lutas épicas entre o T-Rex e um Spinosaurus, complementado com alguns momentos de humor.

Em termos de narrativa, esta é claramente a temporada mais fraca. São introduzidos alguns elementos que, na minha opinião, são desnecessários numa série de animação  e que na prática nada acrescentam ao desenvolvimento das personagens. O desfecho da temporada leva-nos aos eventos que deverão ocorrer no terceiro filme da saga cinematográfica e, no global, cumprem de forma satisfatória a sua função.

Confesso que esta série foi uma agradável surpresa, embora tenha perdido qualidade nesta temporada. No entanto, o produto final merece, na minha opinião, o investimento nesta série que se encontra disponível via Netflix.

Tenet

Christopher Nolan escreveu e realizou este filme, que narra as aventuras de Protagonista, um agente da CIA que irá tornar-se um activo da organização Tenet. O enredo é cativante, focando-se em Andrei Sator, um oligarca russo que aparenta estar sempre um passo à frente da concorrência, por motivos que serão revelados ao longo do filme.

O primeiro acto detalha o processo de recrutamento da personagem principal, após ser resgatado pelas força KORD. Posteriormente, seremos introduzidos aos principais elementos da narrativa, das quais destaco Neil, o seu parceiro nesta missão e Kat Barton, a esposa de Sartor. O objetivo inicial passa por recolher informação, mas rapidamente se converte numa desesperada tentativa de evitar um holocausto nuclear.

Tenet explora a componente de ficção científica, mais especificamente uma tecnologia que permite o acesso a uma realidade invertida, em que é viável realizar incursões no tempo. O enredo torna-se francamente complexo no segundo acto mas compensa o espectador no último terço, com a revelação de vários elementos fulcrais para o desfecho do filme.

As cenas de ação estão igualmente bem coreografadas, com destaque para a fabulosa sequência final. Para concluir, a incontornável referência ao elenco, em que brilham nomes como John David Washington, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Kenneth Branagh e Aaron Taylor-Johnson. Estamos, sem dúvida,  perante um filme inteligente, excepcionalmente bem realizado e que nos envolve numa trama complexa, durante duas horas e trinta minutos.

Lamentavelmente, Tenet apresentou resultados de bilheteira modestos, muito pelo facto de ter lançado em Agosto de 2020, em pleno pico da pandemia. No entanto, é uma excelente escolha para fãs deste género e que combina alguns elementos de Inception e Interstellar, dois projectos que foram igualmente realizados por Christopher Nolan.

Bom
80%

House of M

Brian Michael Bendis e Olivier Coipel são os responsáveis por este incrível arco narrativo, que inspirou parcialmente a série Wandavision. O ano é 2005 e após os eventos de Avengers Disassembled, a equipa tem de lidar com a situação de Scarlet Witch, que se converteu numa ameaça. O Professor Xavier informa Magneto que irá convocar uma reunião com os Vingadores, dado que não sabe durante quanto tempo irá conter os poderes da sua filha, que persiste em criar mundos paralelos para esconder a sua mágoa.

O Doctor Strange tem igualmente sessões regulares com Wanda, no plano astral, no sentido de a acalmar, embora partilhe da mesma opinião do Professor X. Os X-Men, agora liderados por Emma Frost, pretendem assassinar Wanda, algo que não é bem aceite pelos Avengers, mesmo após os eventos que resultam na morte de alguns dos seus membros. Após uma discussão acesa, acordam ir para Genosha, para confrontar Wanda e terminar com a ameaça.

Pietro (Quicksilver) tem conhecimento das intenções e alerta Magneto, que se mostra indiferente, dado que não consegue encontrar uma alternativa que possa ajudar a sua filha a ultrapassar a dor. Na chegada a Genosha, os Avengers e os X-Men são envoltos numa luz branca que os transporta para uma realidade alternativa, em que aparentemente todos os seus desejos se concretizarem. Ao longo de vários painéis, vamos tomando conhecimento deste novo universo, em que Spider-Man é casado com Gwen Stacy, acontecendo o mesmo com Cyclops e Emma Frost. Carol Danvers é a super-heroína mais adorada no Mundo, Wolverine é o líder de uma força elite da SHIELD e o Capitão America é apenas um veterano sénior, sem qualquer lembrança dos seus tempos de super-herói.

Nesta realidade, o homo superior (mutante) é a espécie dominadora, relegando o homo sapiens para um papel secundária na sociedade. Genosha converteu-se na capital da nação mutante, elevando Magneto e a sua House of M para uma posição de poder e domínio político. O único herói com as memórias intactas do verdadeiro passado é Wolverine, que irá iniciar uma missão de contactar a resistência, liderada por Luke Cage. Adicionalmente, alguns dos membros da Resistência são precisamente os Vingadores assassinados por Scarlet Witch, elevando o nível dramático da narrativa. Ao longo desta narrativa, os heróis nunca conseguem localizar o professor Xavier, que aparenta ter falecido num evento que marcou a ascensão de Genosha.

Não vou partilhar spoilers, mas posso divulgar que Layla Miller, aka Butterlfly, será uma personagem relevante para o desfecho final deste arco narrativo. A arte de Olivier Coipel é fabulosa e House of M mudou de forma significativa o universo Marvel, sobretudo com a célebre frase “No More Mutants”.  Gostei particularmente da componente psicológica desta aventura, que deixa marcas nos heróis, sobretudo no que diz respeito á “realidade alternativa” que deixaram para trás e que representava o seu conceito de felicidade absoluta.

O livro termina com Hank Pym a alertar para o facto de cada ação gerar uma reação oposta, referindo-se obviamente ao misterioso desaparecimento do gene mutante. E precisamente nesse momento uma colossal onda vermelha de energia atinge a órbita do Planeta Terra, antecipando algo de relevante mas essa será um tema a abordar possivelmente num artigo futuro.