The Harder They Fall

O primeiro acto introduz a origem de Nat Love, que aos onze anos de idade é testemunha do assassinato dos seus pais, ás mãos de Rufus Buck. Após este evento marcante, Nat jura vingança, convertendo-se num fora da lei, que apenas rouba bandos de ladrões.

A narrativa avança vinte anos, apresentando a equipa de Nat, mais especificamente Bill Picket e Jim Beckwourth, que roubam 25.000 dólares ao Crimson Hood, que tem ligações ao bando de Buck. Assistimos igualmente ao resgate de Rufus, que vai ser transferido para a Prisão de Yuma. O método utilizado para essa operação é invulgar, apresentando os pontos fortes da sua equipa, liderada por Trudy Smith e Cherokee Bill, lançando igualmente a premissa para os eventos do segundo acto.

Este filme retira inspiração clara do estilo de Quentin Tarantino, com ênfase na música utilizada e no diálogo, que serve de suporte para o desenvolvimento das personagens e da história. Cada um dos bandos tem o seu antagonista, culminando numa batalha épica no derradeiro acto, em que vão ser reveladas ligações improváveis entre alguns elementos.

O elenco (de luxo) é composto por Jonathan Majors, Idris Elba, Zazie Beetz, Regina King, Delroy Lindo e Deon Cole, garantindo 139 minutos de diversão. Sou um adepto de western e esta abordagem moderna é agradável, embora não chegue ao nível de Hateful Eight, por exemplo.

Como sabem, não partilho spoilers mas existem alguns elementos da narrativa que são previsíveis, mas que são minimizados pelas cenas de ação e a tensão existente nos embates que ocorrem entre os elementos de ambos os bandos.

No entanto, se procuram um western e são fãs do género, The Harder They Fall é sem dúvida uma excelente escolha.

Mediano
70%

Snake Eyes

Inicialmente este filme constava como o meu dark horse para 2021 mas, à semelhança de muitos outros projetos, acabou por ser adiado, devido à pandemia . No entanto, tive recentemente a oportunidade de assistir a este filme e vou partilhar convosco a minha opinião.

A narrativa é baseada nas personagens da Hasbro e introduz a história de origem de Snake Eyes. O primeiro acto apresenta a premissa principal do filme, que consiste na procura do assassino do seu pai. É explicado o motivo da escolha do nome “Snake Eyes” e a ação transita para Los Angeles, para uma operação da Yakuza, liderada por Kenta Takamura.

Vou evitar os spoilers, mas Snake Eyes salva Tommy (Storm Shadow), um dos membros do clã Arashikage, uma sociedade secreta de ninjas. Como recompensa, é-lhe permitido realizar testes de admissão, embora o nosso herói tenha uma agenda oculta, que passa pelo furto de um artefacto, denominado “Jewel of Sun”.

Adicionalmente, temos a introdução da Cobra e dos GI Joe, mais especificamente nas personagens de The Baroness e Major O´Hara (Scarlett), o que apesar de ser interessante, pouco acrescenta à narrativa. Este filme tem boas cenas de ação, mas falha por completo na adaptação deste universo ao cinema. Não consegui ter empatia pelas personagens e muitas das características de Snake Eyes não estão presentes, o que me retira por completo da narrativa.

O casting cumpre a sua função, mas é  pouco memorável, com, excepção de Samara Weaving e Andrew Koji. Evitem este filme e caso pretendam entrar no mundo de GI Joe, recomendo sem dúvida a série de animação, que está disponível no canal de YouTube da Hasbro.

Mediano
58%

The Sandman

A década de 80 introduziu alguns dos comics mais icónicos da história, destacando-se títulos como Days of Future Past, The Watchmen, Swamp Thing, The Dark Knight Returns e The Killing Joke.

Em 1989, Neil Gaiman lançou uma série, em que o protagonista é Lord Morpheus, mais conhecido como The Sandman. O conceito inovador, centrado no mundo dos sonhos e complementado com mitologia e criaturas antropomórficas elevou a narrativa a um lugar de destaque, convertendo este projeto num sucesso, que manteve o estatuto de obra prima ao longo dos anos.

A premissa assenta numa raça denominada como The Endless, dos quais fazem parte Dream, Destiny, Death, Desire, Despair, Delirium (ou Delight) e Destruction (também conhecido por The Prodigal). A sua missão é servir a Humanidade, embora exista uma agenda oculta, que iremos descobrindo ao longo dos 75 capítulos que compõem a obra de Neil Gaiman.

A Netflix é a responsável pela adaptação, que tem o cunho pessoal do autor e é produzida pela Warner Bros e DC. Ao longo de dez episódios vamos acompanhar a odisseia de Lord Morpheus, que se vê aprisionado pelo aristocrata britânico Roderick Burgess, em 1915. Curiosamente, a sua intenção original passava por encarcerar a Morte, no sentido de ressuscitar o seu filho, que faleceu durante a Primeira Grande Guerra Mundial. No entanto, o poder proveniente do elmo, rubi e areia de Morpheus acaba por servir o seu intuito, conferindo-lhe fortuna e glória, para além de uma longevidade invulgar para o ser humano.

A derradeira traição ocorre por parte da sua amante, que rouba os três items, desaparecendo sem qualquer rasto. Morpheus permanece aprisionado até 2021, altura em que consegue finalmente libertar-se e iniciar a sua missão de recuperar a sua fonte de poder e salvar o reino dos Sonhos, normalmente designado por Dreaming. A parte mais interessante é sem dúvida a evolução desta entidade, que aprende da pior forma que tudo muda, mesmo para um membro dos The Endless.

A sua bússola moral é Lucienne, a bibliotecária do Dreaming que é fundamental na preservação do reino e contribui para a evolução que vamos assistido na conduta de Lord Morpheus. A introdução de Matthew, The Raven, Johanna Constantine. John Dee e o enigmático Corinthian conferem a esta série uma profundidade narrativa impressionante, que vai sendo complementada com a presença de alguns Endless, com destaque para Death e Desire.

A progressão da história é constante, atingindo o apogeu com o aparecimento de Unity Kinkaid e Rose Walker, que representam um vortex capaz de destruir a barreira existente entre o mundo Real e o dos Sonhos. Tenho igualmente de destacar o episódio seis, em que vamos conhecer a história de Hob Gadling e o episódio 11, que é essencialmente um bónus com duas mini-histórias, que não estão relacionadas com a narrativa principal.

Esta é sem dúvida uma adaptação fabulosa da obra de Neil Gaiman, com um elenco incrível (Tom Sturridge, Boyd Holbrook, Patton Oswalt, Vivienne Acheampong, Jenna Coleman, Gwendoline Christie, David Thewlis) e que recomendo sem hesitação. Diria que, em conjunto com Watchmen, são as duas melhores séries provenientes do universo DC.

Apesar do sucesso, está por confirmar a possibilidade de uma segunda temporada, algo que seria francamente interessante para continuarmos a acompanhar a saga de The Sandman.