Ad Astra

Este filme foi um dos meus dark horses para 2019, combinando uma premissa interessante com um leque de actores de elevada qualidade. A narrativa acompanha a história de Roy McBride, filho de H Clifford McBride, um histórico pioneiro da SpaceCom, desaparecido há dezasseis anos, numa missão espacial.

O que parece inicialmente ser o enquadramento para traçar o perfil psicológico de Roy, torna-se rapidamente no ponto principal do enredo. Tudo começa numa série de descargas elétricas, provenientes de Neptuno, que aparentam estar relacionadas com o Projeto Lima, precisamente a missão que levou ao desaparecimento do seu pai.

A pedido dos seus superiores, Roy aceita viajar até Marte e enviar uma mensagem, com o intuito de avaliar a sobrevivência de Clifford McBride. Ad Astra é, na minha opinião, uma metáfora para a vida, que se foca em sentimentos como a perda, dor e a ambição desmedida do Homem. Gosto particularmente de um dos monólogos de Pitt, em que frisa “We’re world eaters, thus we journey to the stars”.

Existem algumas cenas de ação, sobretudo na Lua, mas diria que a grande experiência do filme é precisamente a viagem, que coloca Roy em contacto com os seus sentimentos mais reprimidos, permitindo avaliar prioridades e encontrar o seu próprio caminho.

Parece-me importante destacar a excelente performance de Pitt, assim como Tommy Lee Jones. Como habitualmente, vou evitar os spoilers mas convido-vos a dar uma oportunidade a Ad Astra. Existem momentos deliciosos, tais como a visão cínica sobre a colonização da Lua e a crítica ao espírito conquistador da Humanidade. E para terminar, que dizer da mensagem final, após termos conhecimento do resultado final do projeto Lima?

Spoilers… eu sei… fico por aqui 🙂

Mediano
70%

Hiperespaço

Nas férias de Verão consegui finalmente terminar um livro de 1994, escrito pelo Dr Michio Kaku e que aborda várias temáticas da Física. Estou longe de ser um entendido na matéria mas interesso-me pelo tema e pela evolução das teorias associadas ao funcionamento do Universo.

Apesar de estarmos perante um tema denso a realidade é que a escrita tenta ser simples e intuitiva, com exemplos práticos e que ajudam na interpretação das várias teorias. Existe igualmente uma introdução a temas como a Teoria da Relatividade e das (Super) Cordas, com o devido destaque para as dez dimensões que (alegadamente) compõem o Universo.

Kaku tem igualmente alguns capítulos reservados aos buracos negros universos paralelos e Flatland, um mundo 2D em que as leis da Física funcionam de forma completamente distinta. Estamos perante um livro terrivelmente fascinante e que nos faz colocar em perspetiva todos os pequenos pormenores e detalhes que compõem o nosso quotidiano diário.

Se gostam dos temas abordados mas receiam que a leitura se torna monótona, diria que este é o livro indicado para iniciar a entrada no Mundo da Física. O Dr Michio Kaku é um génio e consegue transpor as suas ideias de forma simples mas terrivelmente eficaz.