Titans T.1

A Marvel tem conseguido criar universos muito cativantes, assentes nas histórias dos seus heróis secundários. Não levou muito tempo para que a DC seguisse o mesmo caminho, sendo Titans o mais recente projeto. Ao longo desta primeira temporada vamos acompanhar as aventuras de um grupo improvável, que se vê confrontado com a necessidade de proteger Rachel Roth de um grupo dedicado à adoração das Trevas.

Vamos conhecer em pormenor o passado de Starfire, Beast Boy e Dick Grayson, que se tentam libertar de fantasmas e erros que os atormentam. A narrativa está muito bem conseguida e vai contar com adição de elementos como Hawk, Dove, Donna Troy e Jason Todd, conferindo uma dinâmica muito interessante, que me cativou desde o início.

Como sempre, vou evitar os spoilers mas contem com alguma ação, aliada a episódios mais focados no desenvolvimento de personagens, com destaque para a Doom Patrol, que irá igualmente ter um spin-off ainda no decorrer deste ano.

Um dos grandes segredos está no casting, que foi acertado e conseguiu criar as sinergias necessárias para apresentar uma narrativa convincente e que assenta na relação tempestuosa de um grupo de estranhos que tenta conhecer-se e lidar com as suas inseguranças.

Contem com o lançamento da segunda temporada no dia 12 de Outubro, após o gigantesco cliff-hanger com que terminamos o décimo primeiro e derradeiro episódio. No imediato, posso apenas recomendar vivamente o investimento em Titans e convidar-vos a partilhar a vossa opinião sobre o tema.

Chernobyl

Craig Mazin é o responsável pela criação desta minisérie de cinco episódios, que retrata os eventos inerentes ao maior desastre nuclear da história da Humanidade. A obra literária de Svetlana Alexievich (Vozes de Chernobyl) serviu de base para a narrativa construída em redor desta série, que consegue capturar de forma brilhante a União Soviética dos anos 80.

Jarred Harris, Stellan Skarsgard e Emily Watson são brilhantes em termos de interpretação, neste retrato de um povo orgulhoso, envolto em secretismo e cortinas de fumo, que levam ao extremo as consequência do que acontece em Pripyat.

Anatoly Dyatlov é o responsável pela central nuclear e decide supervisionar pessoalmente um teste de segurança no fatídico dia 26 de Abril 1986. A inexperiência do turno da noite, aliada à prepotência o responsável, faz com que o reactor Nº4 entre em sobrecarga e expluda. O que se segue é quase inexplicável, dado que os principais responsáveis optam por ignorar as evidências, recusando este cenário, indicando apenas que se tratou de um incidente sem consequências graves.

Apreciei especialmente os contornos políticos, com os eternos jogos de bastidores e a tentativa de controlar a opinião pública através do medo e da intimidação. Não vou entrar em grandes pormenores, mas posso recomendar sem hesitação esta fantástica série, que expõe o pior do regime soviético mas homenageia quem efetivamente lutou para que a verdade fosse exposta.

O equilíbrio entre a veracidade dos eventos e a dramatização pode ser debatível mas a principal mensagem de Chernobyl passa por reconhecer os erros do passado para mudar o futuro, o que me parece uma premissa essencial para a nossa evolução enquanto espécie. Em território nacional, podem acompanhar esta série, caso sejam assinantes da HBO ou, em alternativa, através de outro serviço de stream que encontrem pela internet.