Tomb Raider

A saga Tomb Raider faz parte da história dos videojogos, tendo sido imortalizado por Angelina Jolie, em dois filmes medianos mas repletos de cenas épicas. Em 2013, a Square Enix entregou o reboot da franchise à Crystal Dynamics, que lançou, na minha opinião, um dos melhores jogos dos últimos anos. A aposta recaiu numa abordagem mais “real”, em que acompanhamos a evolução da personagem à medida que os eventos se vão desenrolando.

É precisamente com essa premissa que Alicia Wikander é convidada a interpretar uma jovem Lara, que procura desesperadamente uma identidade após a perda do seu Pai. O primeiro acto do filme serve como introdução ás várias personagens, mostrando uma jovem frágil, céptica e que parece não se encaixar no mundo que a rodeia. Tudo se altera a partir do momento em que aceita viajar até ao Mar do Diabo (ou triângulo do Dragão), em busca do túmulo de Himiko, a mística Rainha do Japão que alegadamente teria poder sobre a vida e morte.

Com a ajuda de Lu Ren (Daniel Wu), a nossa jovem heroína vai naufragar muito próximo da ilha, sendo aprisionada por um estranho grupo de militares, que trabalham para uma organização denominada como Trinity. Segue-se uma série de acontecimentos, que vão marcar e criar a necessidade de mudança, levando à génese do que conhecemos como Lara Croft.

Sem colocar spoilers, posso confirmar que existem alguns paralelismos entre a narrativa do jogo e do filme, embora sejam duas experiências distintas. Destaque para as participações de Dominic West (Lord Richard Croft) e Walton Goggins (Mathias Vogel), que conferem uma dinâmica fantástica, cativando o interesse do espectador.

Alicia Wikander consegue incorporar quase na perfeição o conceito da nova Lara Croft, sendo que no geral, Tomb Raider é um filme competente, que relança a franchise e abre portas para uma sequela.

Recomendo uma ida ao cinema se pretendem investir duas horas num bom filme de ação, que conta com a participação especial de Nick Frost, num papel que acaba por ser relevante (aguardem pela cena final).

Annihilation

Este filme faz parte da minha lista para 2018, mas ao contrário do expectável, acabou por ser disponibilizado em Portugal via Netflix, em detrimento da sala de cinema. A narrativa é uma adaptação da Trilogia Southern Reach, escrita por Jeff VanderMeer, em 2014 e que ganhou inúmeros prémios.

Vamos acompanhar a expedição de uma equipa de cientistas, lideradas por Jennifer Jason Leigh, a um fenómeno apelidado de Shimmer, que tem efeitos estranhos na fauna e flora local, assim como no ADN humano. O epicentro é um farol, que se encontra próximo da costa e é precisamente esse o destino da equipa. Para complicar, ficamos a saber que todas as tentativas anteriores, resultaram em alucinações, demência e consequente morte.

A excepção é o Sargento Kane, marido da Dra. Lena (Natalie Portman), único sobrevivente da derradeira expedição militar, mas que se encontra em estado crítico. Todos os elementos da equipa têm motivações distintas para embarcar nesta missão, que é considerada por muitos como suicida. Annihilation é um filme poderoso, que nos coloca questões a nível psicológico e metafísico, desafiando o espectador a tirar as suas próprias conclusões.

As interpretações são muito consistentes e os efeitos especiais e fotografia são dignas de registo, aliadas a um sentimento constante de insegurança e aventura. Confesso que não é um filme fácil de digerir mas tem o potencial para se tornar numa referência de culto para o género.

Alex Garland realiza de forma muito inteligente esta adaptação, que se foca essencialmente em apresentar dados e cenários, que podem ser interpretados de forma distinta pelos espectadores. E esse tipo de interação é cada vez menos frequente nos dias que correm. Recomendo Annihilation para todos os fãs de ficção científica e thrillers psicológicos.

Como sempre, convido-vos a partilhar a vossa opinião utilizando a caixa de comentários abaixo.

Black Panther

Após uma curta aparição em Civil War, vamos conhecer a história do Príncipe T’Challa e a sua ascensão ao trono. A narrativa retoma o atentado que vitimou o seu Pai, o rei T’Chaka e apresenta-nos Wakanda em todo o seu esplendor.

Confesso que sempre considerei fascinante o conceito da nação mais poderosa e tecnologicamente mais evoluída do Mundo optar por se “camuflar” no continente africano, como um país de agricultores.

Mas passemos à minha opinião. Black Panther consegue ter quatro actos bem definidos, que nos apresentam na perfeição os heróis e vilões, assim como as suas motivações. Como é habitual, vou manter este texto livre de spoilers, mas realço uma narrativa muito dinâmica, com fortes referências culturais, que aposta numa banda sonora apropriada e no humor típico que tem marcado os últimos projectos da Marvel.

Paralelamente, vamos conhecer a “fonte” do poder de Black Panther, mais concretamente as ervas em formato de coração, que terão um papel relevante no desfecho desta primeira aventura. O casting é francamente soberbo, com destaque para Michael B Jordan, Andy Serkis, Lupita Nyong’o, Letitia Wright e Danai Gurira.

A simbiose entre a componente tecnológica e ancestral é alcançada na perfeição, fazendo de Black Panther um dos melhores filmes da Marvel dos últimos anos. Nota de destaque para os efeitos especiais e para as excelentes coreografias de luta.

Para terminar, recomendo vivamente a ida ao cinema e, como sempre, convido-vos a partilhar a vossa opinião acerca deste tema.