Top 10 – Ficção Científica

Após ter visto o épico Blade Runner 2049, resolvi desafiar-me a criar o TOP 10 de filmes de ficção científica. A tarefa foi bem mais complexa do que antecipei, dado que foi necessário enquadrar vários estilos num único género. São essencialmente escolhas pessoais, que reflectem obras que me marcaram de forma positiva.

Não foi fácil reduzir a lista a dez filmes, em que excluí pérolas como ET, Encontros Imediatos do Terceiro Grau, Predador, Akira, Dune, Total Recall, The Fifth Element, Back to the Future, 12 Monkeys, não esquecendo os clássicos Solaris (1972), WestWorld (1973) e Clockwork Orange, entre muitos mais.

Convido-vos a partilhar a vossa opinião e a utilizar a caixa de comentários para mencionarem a vossa lista, caso seja do vosso agrado. Sem mais demoras, eis o meu TOP 10.

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Avengers: Infinity Wars

Desde a primeira aventura dos Avengers que Thanos aguarda pacientemente pela oportunidade de reunir as seis Pedras do Infinito. A saga apenas ficará concluída em 2019, mas no imediato vamos conhecer as motivações deste vilão, que pretende trazer o Equilíbrio ao Universo, de uma forma única e aterrorizadora.

Os irmãos Russo são os responsáveis por esta mega-produção, que proporciona duas horas e meia de pura diversão, com uma narrativa envolvente, aliada a fantásticas cenas de acção e que nos surpreende em algumas decisões.

Diria que apesar do humor presente, este é o claramente o projecto mais sombrio da Marvel. Os nosso heróis têm pela frente o mais temível dos adversários, que vai ficando mais forte à medida que adquire as várias pedras. Para complicar ainda mais a situação, tem em sua posse uma Gauntlet, forjada pelos anões de Nidavellir, que lhe permite utilizar a totalidade do poder das Pedras do Infinito.

Existem três actos distintos no filme, com uma separação muito inteligente dos heróis em várias equipas, tirando partido das sinergias e criando momentos únicos de interação. Diria que o papel principal desta primeira parte cabe sem dúvida a Iron Man e Thor, que se convertem, por motivos distintos, nos maiores adversários de Thanos.

Destaque para a participação de Gamora, Doctor Strange e Scarlet Witch, que apesar de curtas aparições, conseguem ser extremamente importantes para a narrativa. Vou evitar os spoilers mas posso adiantar que existirão várias cenas memoráveis e emocionantes, com um desenlace que alguns poderão considerar inesperado.

Gostei francamente da premissa de Thanos ser a personagem principal de Infinity Wars. Ficamos a conhecer a sua dor e os sacrifícios necessários para alcançar o seu objetivo, embora curiosamente nunca chegue a utilizar a totalidade do seu poder. Várias são as ocasiões em que opta por poupar alguns dos nossos heróis, demonstrando respeito pelas suas convicções e atitudes. Acrescentaria inclusivamente que vamos ganhando empatia por Thanos à medida que o filme vai decorrendo, algo que à primeira vista é inédito para um vilão.

No que diz respeito a efeitos especiais e coreografias de luta contem com o que a Marvel nos tem habituado. Estamos perante um filme ambicioso, que lança vários cenários e deixa em aberto um sacrifício final para os nossos heróis.

Depois do êxito de Black Panther, o patamar de qualidade subiu ainda mais, convertendo Infinity Wars num dos melhores filmes da MCU, o que não era fácil.

Recomendo vivamente uma ida ao cinema e caso pretendam, fica o convite para partilharem a vossa opinião na caixa de comentários.

Ready Player One

Sou um fã incondicional da obra de Ernest Cline, pelo que aguardava ansiosamente pela adaptação de Steven Spielberg. Recebi os trailers com entusiasmo, dado que retrataram de forma competente o universo virtual. Mas poderia o filme sobreviver apenas dessa forma? Eis a minha opinião.

Para quem conhece o livro, saliento apenas que se trata de uma adaptação, pelo que existem várias alterações e omissões face ao material original. Para os que desconhecem, precisam essencialmente de ter noção que a narrativa decorre em 2045 e acompanha as aventuras de um grupo de jovens, que procura encontrar um Easter Egg escondido no mundo virtual do Oasis. A recompensa pela vitória é o controlo total da plataforma e da fortuna pessoal do seu criador.

James Halliday, era um apreciador de cultura pop dos anos 70, 80 e 90, pelo que é fundamental conhecer os seus gostos e preferências de forma a interpretar as pistas. Existem três chaves que os jogadores devem obter para alcançar o mítico prémio final.

A personagem principal, Wade, conhecido por Parzival no mundo virtual, vive numa zona pobre, designada por Stacks (área com residências empilhadas na vertical) e ganha notoriedade quando é o primeiro jogador a obter a Copper Key. É nessa altura que a IOI, uma corporação que pretende obter o controlo total do Oasis, faz uma proposta de trabalho ao nosso “herói”. A recusa em entregar o trabalho de Halliday para fins lucrativos faz com que Wade se converta num alvo a abater, quer a nível digital como real.

Após uma tentativa falhada de assassinato, Wade conhece Art3mis no mundo real e iniciam com Sho, Daito e Aech uma demanda para derrotar Sorrento, o líder da IOI. Em termos de narrativa, fico por aqui, até para evitar spoilers. Esta visão de Spielberg é competente, faz alusão a vários pontos importantes de cultura pop, numa perspectiva mais moderna mas fica aquém do livro, que considero ser francamente superior.

Gostaria que tivesse sido investido mais tempo no mundo real, dado que existiam pontos interessantes para revelar acerca dos High Five. No que diz respeito aos vilões, gostei bastante de I-R0k e F´Nale mas fiquei algo desiludido com Sorento.

O outro ponto negativo é a escassa narrativa em termos de mundo real, resultado do caminho que foi seguido nesta adaptação. Há uma necessidade extrema de recorrer ao Oasis para demonstrar a tecnologia disponível mas o filme falha precisamente na premissa que tenta transmitir: dar ênfase ao tempo que passamos a viver a realidade.

Na capa da cópia do livro que possuo é feita uma afirmação interessante “Willy Wonka meets the Matrix”. Ao sair ontem da sala diria que a visão de Spielberg foi claramente assente na lógica de The Matrix ou mesmo Tron, falhando no resto.

Considero no entanto que estamos perante um bom filme, mas que tinha potencial para muito mais. E quanto a vocês, estimados visitantes/leitores? Têm algo a partilhar?