Gravity

Desde o momento em que vi o trailer deste filme que fiquei com enorme curiosidade. Hoje tive finalmente a oportunidade de o ver em IMAX 3D e posso afirmar com convicção que foi um sucesso. À primeira vista, Gravity representa um desafio enorme, dado que tem apenas quatro actores (sendo que um deles apenas dá a voz à torre de controlo de Houston), o que significa que as interpretações necessitam de ser muito convincentes. Nesse aspecto, Sandra Bullock e George Clooney são soberbos, com Ed Harris a complementar muito bem com a sua voz.

A experiência em IMAX permite ter aquele extra em termos de ambiente, com  os primeiros minutos de adaptação à constante movimentação da camera, simulando algo que decorre normalmente no espaço. A narrativa está longe de ser perfeita mas está repleta de monólogos fortes e que conseguem replicar a claustrofobia do espaço profundo, em todo o seu esplendor.

Sem divulgar spoilers, posso adiantar que a história envolve uma missão espacial de rotina, que acaba por se tornar numa tragédia, após os russos (sim, tínhamos de ter um cliché) terem detonado um satélite, criando um verdadeiro efeito dominó. Rapidamente os astronautas são informados que vários destroços vão na direcção do vaivém e que devem abortar a sua missão, algo que acaba por falhar redondamente. A partir daí somos colocados na primeira perspectiva de Ryan Stone e a sua luta pela sobrevivência, que implica chegar a uma cápsula de emergência, de forma a regressar ao Planeta Terra.

Gosto especialmente da forma como a narrativa consegue ser fluida, apesar de Gravity estar muito longe de ser um filme de acção. É bem provável que ajude o facto de ser um entusiasta de astronomia e de tudo o que está relacionado com o espaço mas não posso deixar de recomendar este filme. Não vai ganhar Óscares (EDIT: oops, parece que ganhou) mas vale bem a pena os 10 euros do bilhete para IMAX 3D.

Prisoners

Denis Villeneuve realiza um thriller bem conseguido e que envolve o rapto de duas jovens de uma pequena cidade norte-americana. O elenco é composto por Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Terence Howard e Maria Bello, para citar os mais conhecidos e no global não desaponta.

Estamos perante um enredo complexo e em que somos confrontados com personagens muito fortes do ponto de vista psicológico. No ar fica sempre sempre a expectativa de confirmar se estamos perante um único raptor, uma rede ou um grupo organizado, tal a quantidade de informação que temos para analisar.

Quase todas as personagens do puzzle apresentam traços característicos, tornando Prisoners numa experiência repleta de carga dramática e com um fim incerto. A natureza humana é levada ao extremo, sobretudo quando somos confrontados com situações de stress emocional, colocando a nú os sentimentos animalescos que continuam a coexistir em todos nós.

O suposto herói, interpretado por Jake Gyllenhaal é um mistério constante e a narrativa é construída de forma a não fornecer demasiadas pistas, obrigando o espectador a interpretar de forma individual o que se vai passando no grande écran. O final é sem dúvida interessante e cumpre essa premissa de interpretação livre.

No global, recomendo este filme, embora sinceramente tenha ficado com a sensação que 153 minutos são um exagero face ao que nos é apresentado. Mas Prisoners consegue ser um thriller inteligente, que cativa, sem entrar na violência visual que por vezes caracteriza o género.

Para quem já viu, sugiro que partilhe na caixa abaixo a sua opinião acerca do fim.

Elysium

Elysium fazia parte da minha lista para 2013, o que automaticamente me forçava a ir ao cinema. Ontem tive a oportunidade de o fazer e esta é a minha sincera opinião: é um filme interessante mas podia ser algo marcante no género. Neill Blomkamp é o realizador e alguns dos maneirismos presentes em District 9 são igualmente visíveis neste enredo. A narrativa decorre em 2154, numa época em que o Planeta Terra é ocupado pelos pobres, que tentam sobreviver á doença e sobrepopulação de um planeta poluído e devastado. Na órbita do nosso planeta, temos a estação espacial Elysium, um gigante Éden flutuante, onde não há doença e todos vivem em harmonia.

Como habitualmente, há uma crítica implícita ao capitalismo e consequente desnível social, aliado a elementos sci-fi, que tornam este filme muito interessante. A primeira parte é muito dedicada ao desenvolvimento de personagens, focando as necessidades e angústias, terminando com a previsível missão final: atingir o Elysium e curar a doença terminal que aflige Max (Matt Damon).

A segunda parte do filme fica reservada para a acção, com a chegada dos “ilegais” a Elysium, o que vai despoletar uma guerra entre as duas facções. Pelo meio, temos a batalha épica entre Kruger e Max, bem ao estilo Good vs Evil, como seria de esperar. Aliás, em termos de interpretações o filme é uma desilusão, com excepção a Jodie Foster e Sharlto Copley, que tem mais uma performance digna de registo.

SPOILER ALERT

No próximo parágrafo vou falar acerca de decisões tomadas que não fazem muito sentido em Elysium. A personagem de Jodie Foster é desperdiçada por completo, o que é uma pena, dado que tem imenso potencial. A partir de determinado ponto, o realizador deixa de se preocupar com a narrativa e a batalha entre Max e Kruger domina por completo, o que resulta numa perda de qualidade no global do filme. E claro, não me posso esquecer dos habituais “plot holes” mas que acabam por ser secundários face ao que referi anteriormente. E finalmente… Michael Shanks… mas porque raio se falou tanto nele se na realidade nem tem uma única frase em todo o filme? Deviam tratar o Dr Daniel Jackson com mais respeito…

No global, considero Elysium um filme interessante, que vale a pena ver mas recomendo que o façam no conforto do vosso lar. Honestamente não me parece que valha o investimento do bilhete de cinema, mesmo com o desconto de uma determinada operadora de TV.