Top 5 – 2009

O ano de 2009 passou rapidamente, com algumas idas ao cinema, como vem sendo habitual. Por esse motivo, resolvi escolher os cinco filmes, que na minha modesta opinião, representam o que de melhor se fez no ano transacto. É bastante provável que poucos concordem com estas escolhas, mas podem deixar um comentário com a vossa opinião. Garanto que não existirá censura.

Quais são as vossas escolhas? 😀

Sherlock Holmes – O Filme

A última ida ao cinema deste ano deveu-se à adaptação de Guy Ritchie do famoso Sherlock Holmes. Depois de ver o trailer, fiquei com muitas reservas, dado que pouco ou nada existia em comum com a obra de Sir Arthur Conan Doyle. Como consequência, as minhas expectativas para o filme não eram muito altas, mas posso dizer que mais uma vez fiquei agradavelmente surpreendido. É claro que se trata de uma adaptação muito livre da personagem, mas a essência que define o nosso detective encontra-se bem presente (sarcasmo, dedução, lógica e claro o boxe).

Temos grandes cenas de acção, com um pouco de humor a apimentar as duas horas de filme, que passam com uma notória fluidez. O casting foi muito bem feito, tenho de reconhecer que o trio constituído por Jude Law, Rachel McAdams e Robert Downey Jr. se complementam de forma extraordinária, o que ajuda a manter o interesse pelo enredo. Quem é fã dos livros e da série (grande Jeremy Brett) vai ficar desiludido, no sentido em que falta a classe e o cavalheirismo característicos, mas não desesperem porque Lestrade, Moriarty e Mycroft Holmes são parte integrante do filme.

Aproveito para vos delinear de forma muito rápida a storyline: Watson está em vias de casar e abandonar Baker Street, quando Holmes é chamado para deter um misterioso assassino, que assola as ruas de Londres com crimes rituais. Rapidamente chegam à conclusão de que Blackwood (o vilão) será mais difícil de vencer do que pensam, dado que “aparenta” ter poderes sobrenaturais, conseguindo inclusivé voltar dos mortos, após ter sido executado. A batalha entre o raciocínio lógico de Holmes e o oculto é uma constante durante todo o filme e para saberem o seu desfecho sugiro uma ida ao cinema.

Está longe de ser um grande filme, mas proporciona bons momentos de acção e tem a vantagem de não desvirtuar a personagem de Sherlock Holmes, como o trailer dá a entender. Estou convicto de que teremos no mínimo uma sequela e digo com agrado que estarei mais do que disposto a ir novamente a uma sala de cinema ver este “novo” Sherlock Holmes.

Avatar

Há quinze anos atrás, James Cameron escreveu uma história passada no planeta Pandora, em que os nativos tentam evitar a destruição da fauna e flora por parte do Homem. Nessa altura, frisou que iria aguardar pela tecnologia necessária para poder realizar este filme. Pois meus amigos, preparem-se porque essa altura chegou!

O hype relativamente a este filme tem vindo a acumular-se há mais de dois anos, já tinha lido rumores e visto imagens e vídeos que anteviam algo muito interessante. Hoje as minhas dúvidas dissiparam-se por completo: estamos perante um filme excelente, com um enredo simples mas atractivo e com uma beleza de imagem incomparável.

Somos “catapultados” para este mundo durante três horas e confesso que ficaria de bom grado mais algum tempo, tal é o impacto e a alegria que o filme transmite. Somos completamente absorvidos para esta aventura e estabelecemos laços fortes com as personagens, o que na minha opinião, reforça ainda mais o interesse no filme. James Cameron consegue que nos interessemos genuínamente pelo destino deste mundo, o que é extraordinário, dado que o Homem representa o vilão neste filme.

No que diz respeito a efeitos especiais, preparem-se porque nunca viram algo assim. Devia ser considerado um crime não ver este filme em 3D: os pormenores do pó, das cinzas, dos animais são absolutamente épicos. As interpretações são muito boas, com especial destaque para Zoe Saldana (Neytiri), Sam Worthington (Jake Sully), Sigourney Weaver (Dra Grace Augustine) e Stephen Lang (Coronel Miles Quaritch). Destaco igualmente a qualidade da animação das personagens de CGI, James Cameron desenvolveu um novo processo que utilizou exclusivamente para este filme e vão notar claramente que as expressões e linguagem corporal são assustadoramente reais, um dos grandes segredos para a ligação com o enredo que descrevi no parágrafo anterior.

Não queria colocar spoilers, pelo que não me vou alongar muito nos comentários. Vou terminar, recomendando obviamente o filme, que é excelente. A forma como a história é contada tem algo de clássico, mas esse é um forma de realização muito própria de Cameron, mas valeu bem a pena esta espera de quinze anos.

E reitero o tweet que lançei após ver Avatar:

“Esqueçam o cinema como o conheceram. Chegou o Avatar!”

Este filme vai marcar claramente uma época, embora necessite de converter-se num êxito de bilheteira, dado que custou mais de 230 milhões de dólares, tornando-se no mais caro filme da História do Cinema.