Nope

Jordan Peele é o responsável por um dos projetos mais interessantes de 2022. Nope retira, na minha opinião, clara inspiração de filmes como Encontros Imediatos do Terceiro Grau, Signs e Evangelion. Ao longo da narrativa existem várias referências a momentos de cultura pop, com uma homenagem evidente a Akira, que curiosamente foi um dos projetos recusados pelo realizador.

Ao longo de cinco capítulos (Ghost, Clover, Gordy, Lucky e Jean Jacket) vamos conhecer as personagens principais, assim como a premissa do filme. O primeiro acto introduz uma sitcom, denominada Gordy´s Home, que termina com um ataque brutal de um dos animais. Esta introdução será fundamental para o desenrolar da narrativa, que se centra no drama pessoal da família Haywood.

Otis Haywood Senior é atingido mortalmente por uma moeda projectada do céu, que alegadamente terá sido resultado de um acidente com um drone. OJ Jr. fica encarregue do negócio, que consiste em domesticar cavalos para utilização no meio cinematográfico de Hollywood. Lentamente, vamo-nos apercebendo da natureza bizarra de Nope, que introduz um rancho próximo dos Haywood, mais conhecido por Jupiter´s Claim.

O dono desse rancho é o actor sobrevivente do ataque na sitcom Gordy´s Home, Ricky “Jupe” Park, que pretende adquirir a propriedade do clã Haywood, por motivos que serão desvendados ao longo do filme. Após um ataque à sua propriedade, os irmãos resolvem adquirir cameras de vigilância, com o objetivo de documentar e rentabilizar o conteúdos nas redes sociais ou na televisão.

Ao bom estilo de Encontros Imediatos do Terceiro Grau, as quebras de electricidade identificam a presença da entidade, que se encontra escondida nas nuvens. As primeiras aparições dão a entender uma semelhança evidente com o clássico OVNI mas, lentamente, vamos ter consciência de algo mais complexo. Gosto particularmente da incorporação da música na narrativa, assim como os momentos de tensão que antecedem os ataques.

No que diz respeito a interpretações, o elenco é curto mas de qualidade. Daniel Kaluuya e Keke Palmer são os actores principais, mas tenho igualmente de destacar a presença de Steve Yeun, Michael Wincott e Brandon Perea, que são absolutamente fantásticos. Nope é claramente um projeto que vai dividir opiniões, deixando a  interpretação dos eventos para o espectador.

É sem dúvida um filme que recomendo, especificamente pela fotografia e interpretação. Adicionalmente, faz uma homenagem aos elementos secundários da indústria cinematográfica, para além das inúmeras referências a vários momentos chave da cultura pop das ultimas décadas. Caso pretendam, fica igualmente o desafio de iniciarmos uma partilha de ideias acerca deste fantástico projeto de Jordan Peele.

Mediano
71%

Green Lantern: Beware My Power

John Stewart é um sniper altamente decorado das Forças Especiais, que tem dificuldade em integrar-se na sociedade após passar à reserva. Ao longo do primeiro acto acompanhamos a sua faceta altruísta, culminando no momento em que uma nave, proveniente de OA se despenha.

É precisamente neste momento que um dos Guardiões entrega um anel a John Stewart, enfatizando que é a escolha certa para salvar o Green Lantern Corps . Relutantemente, o nosso herói aceita a dádiva embora tenha claras dúvidas acerca da sua capacidade para desempenhar um papel relevante no destino da Galáxia.

Existem alguns momentos hilariantes, sobretudo na forma como John Stewart aprende a controlar os seus novos poderes. É curiosa a abordagem no que fiz respeito ao anel, que é representado como uma espécie de inteligência artificial, respondendo a perguntas e dando enquadramento ao passado dos Green Lantern.

A narrativa acaba inevitavelmente por introduzir a Justice League, mais especificamente Green Arrow, Martian Manhunter e Vixen, embora apenas o primeiro tenha um papel relevante no desfecho desta aventura. O segundo acto introduz igualmente Hawkgirl e Adam Strange, que vão concluir o quarteto de heróis que vai desmascarar uma conspiração que visa destruir a civilização de Thanagar, que se encontra numa guerra sangrenta com Rann.

Não vou revelar mais detalhes da narrativa, mas contem com as habituais mudanças de fação e revelações surpreendentes. No entanto, confesso que esperava mais, sobretudo pelo nível cósmico da ameaça e das entidades envolvidas.

O casting cumpre a sua função, mas está igualmente longe de outros tempos, o que converte Beware My Power num filme mediano.

Mediano
68%

Thor: Love and Thunder

O vigésimo nono filme da MU foca-se num dos meus arcos preferidos da Marvel, da autoria de Jason Aaron. O primeiro ato introduz Gorr, o último da sua raça, que rejeita o seu Deus Rapu, após a morte da sua filha. O seu poder aumenta significativamente com a aquisição da Necrosword, uma espada que lhe permite matar os Deuses, utilizando as forças das trevas. Após dizimar vários entidades divinas, Gorr segue na direção de New Asgard, onde vai enfrentar, pela primeira vez, Valkyrie, Mighty Thor e Thor Odinson.

Uma parte relevante da narrativa é a condição física de Jane Foster, que se encontra no estado terminal de cancro. Por motivos que serão revelados mais tarde, é criada uma ligação com Mjolnir, conferindo-lhe os mesmos poderes de Thor. Love and Thunder tenta manter a mesma fórmula de Ragnarok, no que diz respeito a humor mas falha de forma contundente. São poucos os momentos em que as piadas funcionam, mesmo durante a batalha épica do primeiro ato, ao som dos Guns N´Roses, cuja música é utilizada de forma recorrente ao longo deste filme.

A introdução de Zeus e sobretudo a sua conduta, não fazem qualquer sentido, assim como a tentativa de conferir uma personalidade a Stormbreaker. A narrativa é igualmente muito fraca, apoiando-se muito pouco na obra de Jason Aaron, que ajudaria a elevar Love and Thunder. No que diz respeito a interpretações, Christian Bale é de longe a estrela, apesar de ter uma personagem com pouca profundidade e cujas motivações foram pouco exploradas.

Os efeitos especiais são um dos pontos altos, bem complementados com cenas de ação mas o pouco desenvolvimento narrativo converte este filme num dos mais fracos da saga Thor.

No final das duas horas de filme, fica uma sensação de vazio, sobretudo pelo facto desta experiência pouco ter contribuído para a evolução do nosso herói. Love and Thunder tem duas cenas pós-créditos, que lançam a potencial introdução de um novo herói mitológico na MCU.

Mediano
65%