Monster Hunter

Um dos meus dark horse para 2021 foi esta adaptação de mais um clássico da CAPCOM. Tendo em conta o género e a sua fraca taxa de sucesso, optei por entrar com expectativas muito baixas para este projeto.

A adaptação é extremamente livre e foca-se na Capitã Artemis, uma capitã dos Rangers que está numa missão de salvamento das Nações Unidas. Uma estranha tempestade transporta a sua equipa para outro planeta ou dimensão, apelidada de New World, em que estranhas criaturas estão no topo da cadeia alimentar.

O primeiro acto é repleto de ação e mostra a dizimação dos Rangers, cujos sobreviventes acabam por ser aprisionados por uma clã Nerscylla, que são essencialmente gigantescas aranhas. Paralelamente, somos introduzidos a outro sobrevivente deste planeta, que, de forma relutante, acaba por formar uma parceria improvável com a Capitã Artemis, no sentido de derrotar Diablos, um estranho monstro que habita nas areias do planeta.

Monster Hunter, na minha opinião, não consegue ocupar aquela posição de guilty pleasure, apesar do terceiro acto estar repleto de ação. Diria que a adaptação não favorece a narrativa, tornando a experiência algo monótona e com poucos momentos em que nos identificamos com as personagens. Adicionalmente, o CGI em alguns pontos é francamente terrível, o que faz pouco sentido face ao orçamento de 60 milhões.

O acto final introduz Gore Magala e Wyvern, numa batalha épica na Sky Tower, em que os nossos heróis tentam derrotar o monstro e garantir que a Capitã Artemis regressa ao seu planeta.

Existem algumas cenas “típicas” de Paul W.S. Anderson, que tentam lançar a premissa para uma sequela, que não vai garantidamente ocorrer, face ao terrível resultado de bilheteira. Milla Jovovich, Ron Pearlman e Tony Jaa não são motivo suficiente para tornar este filme numa experiência agradável e que consiga recomendar. Confesso que as minhas apostas para 2021 se revelaram verdadeiras desilusões, mas acredito que este mês o cenário pode ser bem diferente.

Mediano
60%

The Adam Project

A Netflix continua a criar conteúdo próprio, recorrendo a nomes importantes da indústria cinematográfica. O mais recente projeto narra os eventos de Adam Reed, um piloto que viaja do ano de 2050, para uma missão de resgate. Inadvertidamente, os seus cálculos colocam-no em 2022 e em contacto direto com a sua versão de 12 anos.

Ao bom estilo de Ryan Reynolds, há uma componente humorística que funciona bem e converte este filme numa experiência agradável. Na minha opinião, a interação entre os dois Adam é o ponto mais alto do filme, que tenta humanizar as personagens e justificar as suas decisões.

Paralelamente, temos a componente de ficção científica, que complementa muito bem o segundo acto, em que temos muitas cenas de ação. O elenco é de peso, contando com nomes como Ryan Reynolds, Mark Ruffalo, Jennifer Garner e Zoe Saldana, embora o meu destaque vá para Walker Scobell, que interpreta a versão mais jovem de Adam.

A vilã desta aventura é Maya Sorian, a líder do futuro distópico que controla o Mundo em 2050. A missão de Adam passa por destruir a capacidade de viajar no tempo, contando para isso com a ajuda do seu Pai, que foi o criador do algoritmo necessário para o efeito.

O terceiro ato é satisfatório, com uma cena de ação num acelerador de partículas, em que os nossos heróis são forçados a tomar decisões fundamentais para o futuro da Humanidade. The Adam Project está longe de ser brilhante e tal como todos os filmes que associados à temática de viagens no tempo apresenta lacunas na narrativa, mas, no global, é um filme que garante entretenimento.

Por esse motivo, fica a minha recomendação e, caso pretendam, convido-vos a partilhar a vossa opinião na caixa de comentários.

Mediano
72%

Ghostbusters: Afterlife

Esta franquia é sem dúvidas uma das minhas referências de infância, o que elevou o meu grau de expectativa. Mas no meu pensamento persistia o reboot de 2016, que pouco acrescentou ao Universo, pelo que decidi encarar Afterlife com cepticismo.

Os trailers recuperaram a esperança, com um feeling muito próprio do filme de 1984, com o bónus de ser realizado por Ivan Reitman e baseado num guião escrito por Dan Aykroyd e o falecido Harold Ramis. A narrativa é repleta de referências ao original, contando a história de Egon Spengler, que se mudou para Summervile, uma pequena cidade mineira de Oklahoma, onde é visto pelo locais como um velho senil. A premissa para o resto de Afterlife consiste precisamente na sua morte, ás mãos de uma estranha entidade.

O primeiro acto apresenta-nos igualmente Callie, a filha de Egon e a sua família, composta por Trevor e Phoebe, que irão deslocar-se para esta cidade, para tomar conhecimento do testamento. A quinta encontra-se num estado de degradação elevado, repleta de sucata e sem aparente cultivo de frutas ou legumes, apesar da terra ser cuidadosamente lavrada.

O ambiente de pequena cidade está muito bem conseguido e as personagens são cativantes. O desenvolvimento da narrativa é competente e a introdução de Podcast e Gary Grooberson são fundamentais para garantir os momentos de humor. Temos igualmente muito fan service, com a (curta) participação de Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Annie Potts, Bill Murray e Sigourney Weaver. Não vou dar spoilers acerca do desfecho mas o antagonista principal é o clássico Gozer, que conta novamente com a ajuda de Zuul e Vinz Clortho. 

Afterlife é um exercício de nostalgia e um tributo incrível a Harold Ramis. Estamos perante um bom filme, que é sem dúvida criado para os fãs originais mas acredito que existem motivos de interesse para quem desconhece por completo o universo de Ghostbusters. Existem duas cenas pós-créditos que lançam uma potencial sequela, que permanece sem confirmação.

Bom
75%